Curso de Fotografia

I - Breve História da Fotografia

por Filipe Salles *
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É muito difícil precisar as datas e etapas dos processos que levaram à criação da Fotografia, pois muitos deles são experiências conhecidas pelo homem desde a Antigüidade, e acrescenta-se a isso um conjunto de cientistas em diversas épocas e lugares que aos poucos foram descobrindo as partes deste intrincado quebra-cabeças, que somente no final do séc. XIX foi inteiramente montado.
Entretanto, é possível apontar alguns destes fatos e descobertas como sendo relevantes para a invenção da fotografia.
Os fundamentos daquilo que veio a se chamar fotografia vieram de dois princípios básicos, já conhecidos do homem há muito tempo, mas que tiveram que esperar muito tempo para se manifestar satisfatoriamente em conjunto, que são: a câmara escura e a existência de materiais fotossensíveis.

A Câmara Escura


Câmara obscura
A câmara escura nada mais é que uma caixa preta totalmente vedada da luz com um pequeno orifício ou uma objetiva em um dos seus lados. Apontada para algum objeto, a luz refletida deste projeta-se para dentro da caixa e a imagem dele se forma na parede oposta à do orifício. Se, na parede oposta, ao invés de uma superfície opaca, for colocada uma translúcida, como um vidro despolido, a imagem formada será visível do lado de fora da câmara, ainda que invertida.

Isso permite a visão de qualquer paisagem ou objeto através do orifício que, dependendo do tamanho e da distância focal, projetava uma imagem maior ou menor.

A câmara escura é uma dessas invenções que não se sabe a origem. Descrições de quartos fechados com orifícios que projetam imagens em seu interior existem desde a Renascença, e suas referências indicam desde a Grécia Antiga, mas há ainda referências deste conhecimento entre os chineses, árabes, assírios e babilônios. Há muita controvérsia sobre o conhecimento e utilização das câmaras escuras na antigüidade justamente por sabermos que é impossível a projeção dessas imagens a partir de pequenos orifícios em um quarto grande, em que poderia caber um homem, uma vez que o orifício, para formar uma imagem, deve ser muito pequeno, e a quantidade de luz não é suficiente para projetar uma imagem de grandes proporções. Centenas de ilustrações de tratados renascentistas fazem alusão a este tipo de câmara, que, longe de ser apenas uma caixa, tinham as dimensões de uma sala, onde artistas se posicionavam em seu interior, podendo assim se utilizar da projeção para tomar moldes de desenho. Portanto, é provável que os homens da renascença não tenham testado uma câmara destas proporções. Também não se sabe exatamente a que obras os renascentistas se referem quanto à citação de usos da câmara na antigüidade, uma vez que não há registros diretos; e nem ao menos se sabe que uso os antigos poderiam fazer de semelhante aparelho, uma vez que não havia estudo de perspectiva e provavelmente nem conhecimento de materiais fotossensíveis.

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