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É muito difícil precisar as datas e etapas dos
processos que levaram à criação da Fotografia, pois
muitos deles são experiências conhecidas pelo homem desde
a Antigüidade, e acrescenta-se a isso um conjunto de cientistas em
diversas épocas e lugares que aos poucos foram descobrindo as partes
deste intrincado quebra-cabeças, que somente no final do séc.
XIX foi inteiramente montado.
Entretanto, é possível apontar alguns destes fatos e descobertas
como sendo relevantes para a invenção da fotografia.
Os fundamentos daquilo que veio a se chamar fotografia vieram de dois
princípios básicos, já conhecidos do homem há
muito tempo, mas que tiveram que esperar muito tempo para se manifestar
satisfatoriamente em conjunto, que são: a câmara escura e
a existência de materiais fotossensíveis.
A Câmara Escura

Câmara obscura
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A
câmara escura nada mais é que uma caixa preta totalmente
vedada da luz com um pequeno orifício ou uma objetiva em um
dos seus lados. Apontada para algum objeto, a luz refletida deste
projeta-se para dentro da caixa e a imagem dele se forma na parede
oposta à do orifício. Se, na parede oposta, ao invés
de uma superfície opaca, for colocada uma translúcida,
como um vidro despolido, a imagem formada será visível
do lado de fora da câmara, ainda que invertida. |
Isso permite
a visão de qualquer paisagem ou objeto através do orifício
que, dependendo do tamanho e da distância focal, projetava uma
imagem maior ou menor.
A câmara escura é uma dessas invenções que não se sabe a origem. Descrições
de quartos fechados com orifícios que projetam imagens em seu interior
existem desde a Renascença, e suas referências indicam desde a Grécia
Antiga, mas há ainda referências deste conhecimento entre os chineses,
árabes, assírios e babilônios. Há muita controvérsia sobre o conhecimento
e utilização das câmaras escuras na antigüidade justamente por sabermos
que é impossível a projeção dessas imagens a partir de pequenos orifícios
em um quarto grande, em que poderia caber um homem, uma vez que o orifício,
para formar uma imagem, deve ser muito pequeno, e a quantidade de luz
não é suficiente para projetar uma imagem de grandes proporções. Centenas
de ilustrações de tratados renascentistas fazem alusão a este tipo de
câmara, que, longe de ser apenas uma caixa, tinham as dimensões de uma
sala, onde artistas se posicionavam em seu interior, podendo assim se
utilizar da projeção para tomar moldes de desenho. Portanto, é provável
que os homens da renascença não tenham testado uma câmara destas proporções.
Também não se sabe exatamente a que obras os renascentistas se referem
quanto à citação de usos da câmara na antigüidade, uma vez que não há
registros diretos; e nem ao menos se sabe que uso os antigos poderiam
fazer de semelhante aparelho, uma vez que não havia estudo de perspectiva
e provavelmente nem conhecimento de materiais fotossensíveis.
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