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Star Wars - Os Últimos Jedi

A franquia Star Wars sempre se configurou como uma das mais importantes do cinema, devido a sua qualidade em efeitos especiais, construção do universo e aceitação popular, muito pelo caso de ser uma história totalmente universal ambientada num cenário de fantasia espacial muito próprio e original.

Ao longo de seus 40 anos de existência, muita coisa ocorreu. Desde sua trilogia clássica na década de 1980, até a sua trilogia prelúdio lançada nos começo dos anos 2000, prometendo expandir a mitologia ao revelar, em detalhes, a origem do Darth Vader.

A franquia chegou agora a um novo patamar, de forma inusitada, haja visto que a Walt Disney Company assumiu o comando da Lucasfilm, querendo dar um novo respiro à franquia para a nova geração. Prova disso foi o primeiro filme da franquia sob comando da Disney que é Star Wars – O Despertar da Força (2015), dirigida por J.J. Abrams, alcançando grande sucesso.

Agora está de volta a grande saga com o oitavo filme intitulado Star Wars – O Último Jedi, desta vez sob comando do pouco conhecido Rian Jonnson, cujo único reconhecimento vem da ficção científica de ação Looper – Assassinos do Futuro (2012) e os icônicos episódios de Breaking Bad (2008-2013), "The Fly" e "Ozymandias", nos quais ele assume o posto de roteirista e diretor. Ele continua a história exatamente onde parou o último filme, em que a sinistra Primeira Ordem comandada pelo Supremo Líder Snoke (Andy Serkis) está determinada a derrotar a Resistência liderada pela Generala Leia (Carrie Fisher). Por isso os rebeldes Poe Demeron (Oscar Isaacs) e Finn (John Boyega) e a novata Rose (Kelly Marie Tran) tentam traçar um plano para escapar da artilharia inimiga. Enquanto isso, a jovem Rey (Daisy Ridley) está tentando convencer Luke Skywalker (Mark Hammil), o último Jedi vivo na galáxia, a se juntar a luta contra o mal, porém ele se encontra relutante devido ao trauma com o seu antigo aprendiz, Kylo Ren (Adam Driver).

Com a troca de diretores, nota-se uma nova visão no ato de revisitar a saga: enquanto J.J. Abrams apostava num resgate do que é belo na trilogia clássica, retomando o visual requintado e o charme da história e dos personagens, Rian Johnson mantem essa ideia, mas consegue criar uma identidade e particularidade específica em sua direção. Ele consegue ser um dos cineastas mais criativos da saga, até mesmo na criação de cenas de ação. Prova disso é a batalha de Crait, no final do filme, uma das batalhas mais belas em termos de fotografia, uma fotografia que faz uso do contraste entre as cores vermelhas e cinzas. O diretor consegue trazer inovações e lançar novo olhar a elementos clássicos, tudo isso sem macular a essência sagrada da saga.

É importante ressaltar aqui a impressão de que Rian Johnson e a própria Disney não estão dando prioridade a assuntos do universo, especialmente os assuntos da saga principal, pois ao longo do filme, não se foca em detalhes da galáxia nem em segredos que muitos fãs buscam entender com os novos filmes. Isto pode fazer parecer que há muitos furos no roteiro, mas na verdade trata-se mais de uma opção consciente por focar no desenvolvimento dos personagens em si. Assim, muitos poderão sair frustrados por não verem grandes segredos da trama revelados.

Nota-se também, com esse novo capítulo, a solução do problema evidente do último filme, pois Despertar da Força foi acusado de plagiar a estrutura de roteiro de Uma Nova Esperança (1977). E apesar desse novo filme guardar semelhanças com O Império Contra-Ataca (1980), Os Últimos Jedi consegue seguir rumo próprio. Tanto O Império Contra-Ataca como Os Últimos Jedi apresentam uma carga pesada e dramática, além de um clima bastante sombrio, porém o novo filme apresenta muito mais humor, muitas vezes gerado pelos Porgs, novas criaturas que aparecem no filme. É evidente, no entanto, que por mais que eles sejam fofos e bonitinhos, o Porgs m no filme mais para gerar venda de pelúcias e bonecos em lojas de brinquedos do que para ser algo novo e interessante na narrativa do filme. O humor é equilibrado e não chega a ser irritante ou até mesmo desnecessário, apesar da parte final ser muito mais séria. Esta, aliás, é uma característica da saga, que sempre se preocupou em ser acessível ao grande público e em contemplar o espectador infanto-juvenil, sem deixar de tratar de temas complexos e até mesmo obscuros.

Se no primeiro filme o foco era introdução dos novos protagonistas, agora eles começam a revelar seus potenciais, como Rey treinando para ser uma guerreira e se entender com o seu passado, Poe ganhando o centro da história como um guerreiro da Resistência e querendo o bem da causa, e finamente o Finn mostrando ser mais do que um alívio cômico e encontrando a coragem, ao se relacionar com Rose, que ele tanto relutava em demonstrar. Rose, inclusive, é uma personagem que, apesar de secundária, tem muito potencial e provavelmente será desenvolvida nos episódios posteriores.

Até mesmo o vilão Kylo Ren, o personagem mais controverso do primeiro filme, passa por uma evolução muito significativa, provando mais uma vez que ele pode ser um vilão ainda mais interessante, pois sua personalidade que, embora má, sempre flerta com o lado bom da força, consegue dar uma maior complexidade a seu conflito mental.

Os personagens clássicos possuem seus momentos especiais, pois de um lado vemos Luke, muito diferente do que se apresenta na trilogia clássica, onde vemos um mestre que detém sabedoria, mas não se sente poderoso como ele poderia ser, deixando o Luke o personagem mais misterioso, ainda mais com a atuação mais competente da carreira de Mark Hammil, e protagoniza uma das cenas mais intrigantes e belas da saga, que são emocionantes.

E por falar de emoção, não se pode esquecer Carrie Fisher, no último papel de sua vida. A produção teve o tato e o bom senso de não se aproveitar da morte dela para fazer uma homenagem forçada que tire o espectador da história, e souberam respeitar o tempo da presença da atriz em cena. A simples presença dela, sempre atuando bem e muito à vontade, é emocionante por si só. Além disso, uma das cenas mais belas do filme é dela.

Apesar de equívocos contraditórios em certos pontos da trama, Star Wars – Os Ultimos Jedi mostra ser um dos episódios com mais identidade própria, indicando novas ideias e direcionamentos para o futuro da franquia, apontando para aquele equilíbrio entre intensidade, emoção e humor antes citado. E Riam Johnson, com quem a Disney já se mostrou muito à vontade, apresenta muita criatividade nesse universo. O diretor, aliás, comandará uma nova trilogia nesse universo, provando que a Disney não irá descansar com essa franquia.

 

Ettore R. Migliorança é estudante de Cinema, com ênfase em roteiro e análise de filme, e já produziu dois curtas universitários