{"id":402,"date":"2024-08-15T16:24:13","date_gmt":"2024-08-15T19:24:13","guid":{"rendered":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=402"},"modified":"2024-08-15T16:35:37","modified_gmt":"2024-08-15T19:35:37","slug":"os-filmes-classicos-do-plantacionoceno-exibidos-na-mostra-historica-12a-mostra-ecofalante","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mnemocine.com.br\/?p=402","title":{"rendered":"Os filmes cl\u00e1ssicos do Plantacionoceno exibidos na Mostra Hist\u00f3rica &#8211; 12\u00aa Mostra Ecofalante\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Na 12\u00b0 edi\u00e7\u00e3o da Mostra Ecofalante, a sess\u00e3o de Mostra Hist\u00f3rica contemplou filmes como Emita\u00ef (1971), A batalha de Argel (1966), I heard it through the grapevine (1982) e Cabra marcado para morrer (1984). Seguindo o tema de fraturas p\u00f3s-coloniais, os cl\u00e1ssicos escolhidos constroem contra-documentos sobre o chamado Plantacionoceno.<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/emitaiCAPA-1024x683.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-403\" srcset=\"http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/emitaiCAPA-1024x683.jpeg 1024w, http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/emitaiCAPA-300x200.jpeg 300w, http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/emitaiCAPA-768x512.jpeg 768w, http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/emitaiCAPA.jpeg 1170w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Bianca Ayuri<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de n\u00e3o retratarem os per\u00edodos hist\u00f3ricos em que foram realizados, os filmes selecionados pela curadoria da mostra Lutas do Plantacionoceno foram todos produzidos dentro de um recorte que se estende da d\u00e9cada de 1960 \u00e0 de 80. Eles falam de suas realidades nacionais espec\u00edficas e fazem um esfor\u00e7o no sentido de retomar a pr\u00f3pria Hist\u00f3ria e refletir a causalidade entre um mundo globalizado e os problemas s\u00f3cio-pol\u00edticos que enfrentam. Cada qual constr\u00f3i, assim, um retrato do <em>plantacionoceno<\/em> &#8211; que, como explica a fil\u00f3sofa e zo\u00f3loga estadunidense Donna Haraway, descreve um per\u00edodo a partir das transforma\u00e7\u00f5es devastadoras no sistema de extra\u00e7\u00e3o intensivo das <em>plantations<\/em>, baseada no trabalho escravo e outras formas de m\u00e3o-de-obra transportada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fato relevante na sele\u00e7\u00e3o desses filmes n\u00e3o \u00e9, no entanto, meramente suas datas de lan\u00e7amento, sen\u00e3o a escolha por obras de cineastas que falam a partir do lado mais fraco das trocas comerciais sob o capitalismo global. Suprimidos por narrativas amplamente comercializadas que constroem a Hist\u00f3ria oficial, oferecem sua vers\u00e3o da opress\u00e3o enquanto contra-documento \u00e0 hist\u00f3ria do cinema. Como defende o historiador Marc Ferro, filmes constituem um <em>contra-poder<\/em> aut\u00f4nomo em face dos diversos poderes que submetem uma sociedade, baseando-se na liberdade para exprimir uma ideologia independente que se manifesta mesmo nos regimes totalit\u00e1rios, resistindo, portanto, para al\u00e9m deles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, foi poss\u00edvel observar <em>Emita\u00ef <\/em>(1971), do diretor senegal\u00eas Ousmane Semb\u00e8ne, enquanto narrativa sobre a reorganiza\u00e7\u00e3o que esse sistema imp\u00f4s a muitas das comunidades da \u00c1frica Subsaariana como parte do projeto de coloniza\u00e7\u00e3o europeu. Aproximando-se do final da Segunda Guerra Mundial e com pelo menos quatro s\u00e9culos de tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de pessoas e escraviza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dos povos desse continente, o filme retrata o alistamento compuls\u00f3rio de jovens senegaleses para lutar pela Fran\u00e7a, no front europeu contra os nazistas. Semb\u00e8ne se preocupa, contudo, para que a identifica\u00e7\u00e3o se d\u00ea pelo ponto de vista da comunidade senegalesa, explicitando as injusti\u00e7as e hipocrisias de um colonizador que, al\u00e9m de sequestrar a juventude de uma aldeia para que esta lute suas guerras, imp\u00f5e tamb\u00e9m que entregue sua colheita para aliment\u00e1-lo no ultramar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Semb\u00e8ne demonstra, assim, os impactos sentidos \u00e0s margens&nbsp; do capitalismo global e a tr\u00e1gica extin\u00e7\u00e3o de povos inteiros que se recusam \u00e0 integra\u00e7\u00e3o. Trata-se de um filme de guerra cujo campo de batalha vai desde o secularismo imperialista, at\u00e9 a coletividade feminina, ainda na d\u00e9cada de 1970. Por\u00e9m, a censura francesa que a obra sofreu logo ap\u00f3s seu lan\u00e7amento fez com que os filmes de Ousmane Semb\u00e8ne, considerado pai do Cinema Africano, fossem relegados a uma repress\u00e3o estrutural e se tornassem conhecimento apenas de uma minoria cin\u00e9fila. Da\u00ed a relev\u00e2ncia que possui a participa\u00e7\u00e3o de <em>Emita\u00ef<\/em> em uma programa\u00e7\u00e3o sobre&nbsp; narrativas decoloniais no s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"783\" src=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EmitaiCortado-1-1024x783.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-405\" srcset=\"http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EmitaiCortado-1-1024x783.jpg 1024w, http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EmitaiCortado-1-300x229.jpg 300w, http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EmitaiCortado-1-768x587.jpg 768w, http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EmitaiCortado-1.jpg 1048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda no t\u00f3pico do imperialismo franc\u00eas e contribuindo para a constru\u00e7\u00e3o de uma Hist\u00f3ria que vem a contrapelo da oficial, o filme <em>A batalha de Argel<\/em> (1966), do italiano Gillo Pontecorvo, atendendo a certos moldes do cinema cl\u00e1ssico, permanece um marco no retrato da luta decolonial. Mesmo se aproximando do cine-jornalismo, com narra\u00e7\u00f5es <em>in-off<\/em> que parecem ler manchetes e panfletos da FLN, dispondo de ilumina\u00e7\u00e3o natural e loca\u00e7\u00f5es urbanas reais, ressalta-se: n\u00e3o h\u00e1 nada de documental no filme. As escolhas do diretor s\u00e3o tomadas no sentido da hiper-dramatiza\u00e7\u00e3o de eventos que, neste caso, implicam em um compromisso est\u00e9tico que se sobrep\u00f5e ao fato hist\u00f3rico retratado em certos momentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Ao tratar da individualidade das vis\u00f5es pol\u00edticas dos personagens l\u00edderes da Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (FLN) da Arg\u00e9lia, e concedendo o mesmo espa\u00e7o ao comandante do ex\u00e9rcito franc\u00eas, para que este defenda seus pr\u00f3prios m\u00e9todos de tortura, <em>A batalha de Argel<\/em> se recusa a levantar bandeiras. O filme foi bem sucedido, em seu contexto de lan\u00e7amento, e padeceu ainda pelos mesmos motivos de ambiguidade moral, interpretado tanto como uma defesa dos m\u00e9todos radicais contra o colonialismo e pela soberania nacional, como tamb\u00e9m enquanto apologia \u00e0 pr\u00e1tica de tortura para manuten\u00e7\u00e3o do poder. Em 2003, por exemplo, houve uma emblem\u00e1tica exibi\u00e7\u00e3o fechada do filme no Pent\u00e1gono, Estados Unidos, pela forma com que trata de assuntos como o contra-terrorismo, a repress\u00e3o de insurg\u00eancias e a efic\u00e1cia da tortura na obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"580\" src=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BatalhadeARGEL.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-406\" srcset=\"http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BatalhadeARGEL.jpeg 940w, http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BatalhadeARGEL-300x185.jpeg 300w, http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BatalhadeARGEL-768x474.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa ambival\u00eancia do filme de Pontecorvo e sua qualidade t\u00e9cnica s\u00e3o, talvez, os motivos pelos quais a narrativa dissidente do filme &#8211; isto \u00e9, a humaniza\u00e7\u00e3o daqueles que lutaram pelas causas argelinas e o debate decolonial &#8211; tenha conseguido se difundir pelo meio cinematogr\u00e1fico e contrapor-se \u00e0 hist\u00f3ria oficial na \u00e9poca em que foi produzido. Assim, \u00e0 argumenta\u00e7\u00e3o em favor da liberta\u00e7\u00e3o da Arg\u00e9lia foi permitido um n\u00edvel de transitabilidade perante as narrativas dominadas pelas pot\u00eancias imperialistas que o filme teria experimentado, fosse apenas uma propaganda da FLN.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por sua vez, <em>I heard it through the grapevine<\/em> (1982), de Dick Fontaine e Pat Hartley, trata exatamente da hipocrisia com que, ao longo do tempo, as narrativas dissidentes s\u00e3o absorvidas e passam a integrar tamb\u00e9m o discurso oficial de forma vazia. Ao longo do filme, a meticulosa atua\u00e7\u00e3o de James Baldwin, famoso escritor e cr\u00edtico estadunidense, vem para relacionar os efeitos pol\u00edticos gerados pelas contradi\u00e7\u00f5es do plantacionoceno. Nesse <em>road movie<\/em>, entrevistas com ativistas e estudiosos do Movimento por Direitos Civis nos EUA s\u00e3o mescladas com imagens de arquivo, progredindo por uma retomada hist\u00f3rica para explicar a falsa sensa\u00e7\u00e3o de equidade racial que se experimentava no pa\u00eds e mascarava a perman\u00eancia da desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O filme constr\u00f3i um retrato complexo dos efeitos sociais gerados dentro de um sistema que organizou a natureza e as comunidades para a acumula\u00e7\u00e3o de capital, em que a democracia \u00e9 experimentada por minorias enquanto fachada pol\u00edtica. H\u00e1 um ponto de inflex\u00e3o no filme que concentra a discuss\u00e3o proposta, quando Baldwin se aventura a dizer que o monumento a Martin Luther King Jr. em Atlanta \u201cse tornou absolutamente t\u00e3o irrelevante quanto o Lincoln Memorial\u201d. Ele parte, ent\u00e3o, para demonstrar o dif\u00edcil argumento da falibilidade da luta de duas d\u00e9cadas anteriores em um sistema disposto a realocar e comercializar, inclusive, narrativas dissidentes quando estas se mostrarem rent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra retrata a morte fria de um movimento social e os efeitos pol\u00edticos de uma integra\u00e7\u00e3o superficial, com impactos s\u00f3cio-econ\u00f4micos que n\u00e3o acompanham a sensa\u00e7\u00e3o propagandeada pelo governo de equidade racial. H\u00e1 uma tentativa de demonstrar as contradi\u00e7\u00f5es que enfraqueceram a luta, ao passo que as os discursos potentes de l\u00edderes do movimento negro foram repropositados e esvaziados para fazer parte da Hist\u00f3ria oficial do pa\u00eds. N\u00e3o obstante, <em>I heard it through the grapevine<\/em> busca tornar acess\u00edvel o complexo debate sociol\u00f3gico que prop\u00f5e, conciliando a demonstra\u00e7\u00e3o de contra-documentos com um didatismo que permite uma f\u00e1cil identifica\u00e7\u00e3o com a l\u00f3gica decolonial.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"640\" src=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/grapevine1-1024x640.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-407\" srcset=\"http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/grapevine1-1024x640.jpg 1024w, http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/grapevine1-300x187.jpg 300w, http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/grapevine1-768x480.jpg 768w, http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/grapevine1.jpg 1074w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paralelamente \u00e0 observa\u00e7\u00e3o dos impactos pol\u00edticos e sociais gerados pela submiss\u00e3o a uma forma explorat\u00f3ria de organiza\u00e7\u00e3o do mundo, a Ecofalante exibiu ainda um dos cl\u00e1ssicos de Eduardo Coutinho, <em>Cabra marcado para morrer<\/em> (1984). O filme \u00e9 emblem\u00e1tico da censura que se imp\u00f4s no cinema brasileiro uma vez que, iniciado em 1964 como obra de fic\u00e7\u00e3o, \u00e9 paralizado por ocasi\u00e3o da ditadura militar e retomado somente em 1981 enquanto document\u00e1rio, com a reabertura pol\u00edtica do pa\u00eds, com um argumento disposto a incorporar os eventos pol\u00edticos desse meio-tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, \u201cCabra-84\u201d se desdobra n\u00e3o mais apenas sobre a luta no campo, sen\u00e3o tamb\u00e9m sob o signo da censura de um governo autorit\u00e1rio que sempre esteve \u00e0 procura de bodes expiat\u00f3rios para enfraquecer a oposi\u00e7\u00e3o. Assim, enquanto a equipe de filmagem \u00e9 perseguida e tem de deixar a loca\u00e7\u00e3o em que filmavam o <em>Cabra <\/em>original, acompanhamos a publica\u00e7\u00e3o em fontes oficiais da apreens\u00e3o de material subversivo &#8211; filmes, armas e holofotes &#8211; no Engenho da Galileia, localizado na cidade de Vit\u00f3ria de Santo Ant\u00e3o (PE) onde o filme se passa. O tom ir\u00f4nico, entretanto, n\u00e3o diminui a severidade da situa\u00e7\u00e3o enfrentada no campo durante a ditadura, que foi capaz de sufocar todo um movimento e apagar completamente a exist\u00eancia de trabalhadores recontando os fatos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"300\" src=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cabra.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-408\" srcset=\"http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cabra.jpg 640w, http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cabra-300x141.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vers\u00e3o do filme na d\u00e9cada de 1980 passa a retratar a incongru\u00eancia desse sistema baseado em injusti\u00e7as e a supress\u00e3o de minorias atrav\u00e9s da apresenta\u00e7\u00e3o de entrevistas e contra-documentos, que v\u00e3o de encontro com a narrativa oficial disseminada sobre Jo\u00e3o Pedro Teixeira, um l\u00edder campon\u00eas assassinado a mando de latifundi\u00e1rios. Assim, <em>Cabra<\/em> apresenta um dos efeitos diretos da rela\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria existente no campo, propiciada pelo governo militar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os filmes ressaltados aqui fazem parte de uma sele\u00e7\u00e3o de 17 obras que constitu\u00edram a se\u00e7\u00e3o de Mostra Hist\u00f3rica da Ecofalante, por serem emblem\u00e1ticas como discurso sobre as fraturas p\u00f3s-coloniais em diversas sociedades sujeitas \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o. Os cl\u00e1ssicos escolhidos corroboram para um esfor\u00e7o coletivo de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre nosso momento hist\u00f3rico e nosso lugar dentro de um sistema de organiza\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o orientado pela acumula\u00e7\u00e3o primitiva, a partir de importantes fragmentos de um per\u00edodo avan\u00e7ado do plantacionoceno, que v\u00e3o na contram\u00e3o da hist\u00f3ria oficial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Biografia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bianca Ayuri \u00e9 estudante de Cinema na FAAP. Atualmente, dedica-se \u00e0 montagem de filmes universit\u00e1rios e edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos institucionais, produzindo conte\u00fados multimeios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cobertura da 12\u00aa Mostra Ecofalante de Cinema faz parte do programa Jovens Cr\u00edticos que busca desenvolver e dar espa\u00e7o para novos talentos do pensamento cinematogr\u00e1fico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agradecemos \u00e0 Atti Comunica\u00e7\u00e3o e Ideias e Francisco Cesar Filho por todo o apoio na cobertura do evento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Equipe Jovens Cr\u00edticos Mnemocine:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Coordena\u00e7\u00e3o e Idealiza\u00e7\u00e3o: Fl\u00e1vio Brito<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Produ\u00e7\u00e3o: Bruno Dias<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Edi\u00e7\u00e3o: Luca Scupino<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Edi\u00e7\u00e3o Adjunta e Organiza\u00e7\u00e3o: Rayane Lima<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na 12\u00b0 edi\u00e7\u00e3o da Mostra Ecofalante, a sess\u00e3o de Mostra Hist\u00f3rica contemplou filmes como Emita\u00ef (1971), A batalha de Argel (1966), I heard it through the grapevine (1982) e Cabra marcado para morrer (1984). 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