{"id":442,"date":"2024-08-15T16:57:37","date_gmt":"2024-08-15T19:57:37","guid":{"rendered":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=442"},"modified":"2024-08-15T16:57:39","modified_gmt":"2024-08-15T19:57:39","slug":"aguas-do-pastaza-2022-ines-t-alves-12a-mostra-ecofalante-de-cinema","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mnemocine.com.br\/?p=442","title":{"rendered":"\u00c1guas do Pastaza (2022, In\u00eas T. Alves) &#8211; 12\u00aa Mostra Ecofalante de Cinema"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u00c1guas do Pastaza (2022), primeiro longa-metragem da portuguesa In\u00eas T. Alves, e parte da sele\u00e7\u00e3o do Panorama Internacional Contempor\u00e2neo da 12\u00aa Mostra Ecofalante de Cinema, traz como protagonista a conex\u00e3o pura e inocente de crian\u00e7as com a natureza, documentando o cotidiano da comunidade ind\u00edgena Achuar e provocando uma saudade pelo desconhecido<\/em>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"554\" src=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/AguasDoPastaza_v2_1.67.2-1024x554.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-443\" srcset=\"http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/AguasDoPastaza_v2_1.67.2-1024x554.png 1024w, http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/AguasDoPastaza_v2_1.67.2-300x162.png 300w, http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/AguasDoPastaza_v2_1.67.2-768x415.png 768w, http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/AguasDoPastaza_v2_1.67.2-1536x830.png 1536w, http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/AguasDoPastaza_v2_1.67.2.png 1998w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Giuli Gobbato<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s margens do rio Pastaza, os ind\u00edgenas Achuar vivem no interior da Amaz\u00f4nia peruana. A portuguesa mergulhou na vida da comunidade e foi conquistada pelas crian\u00e7as do local que, de acordo com ela, tornaram \u201cimposs\u00edvel n\u00e3o ter vontade de fazer um filme\u201d. De forma contemplativa, o document\u00e1rio observacional emula o olhar da diretora, que tamb\u00e9m filmou, roteirizou e editou o longa. Com ela, conhecemos as casas da comunidade, os barcos, a alimenta\u00e7\u00e3o e at\u00e9 as formas de divertimento das crian\u00e7as da comunidade. A aus\u00eancia dos adultos at\u00e9 os \u00faltimos 5 minutos de filme sequer \u00e9 questionada, j\u00e1 que a autonomia do grupo infantil \u00e9 admir\u00e1vel. Com supervis\u00e3o apenas da c\u00e2mera, circulam mata adentro com seguran\u00e7a e destreza, al\u00e9m de navegarem o rio para pesca e locomo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A linguagem contemplativa n\u00e3o \u00e9 mais novidade no universo documental, o que afasta alguns espectadores. No entanto, a experi\u00eancia voyeur\u00edstica proposta por In\u00eas T. Alves parece ter sido abra\u00e7ada pela maioria dos espectadores na Mostra, de acordo com alguns coment\u00e1rios ap\u00f3s a sess\u00e3o. O som da natureza, colocado em primeiro plano na mixagem de som, torna f\u00e1cil de se deixar levar pelo ambiente meditativo do filme. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, quando um celular surge em tela, tristeza e decep\u00e7\u00e3o o acompanham, pois a conex\u00e3o das crian\u00e7as com a natureza \u00e9 desequilibrada pela aten\u00e7\u00e3o que d\u00e3o ao dispositivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro som n\u00e3o-amaz\u00f4nico no longa \u00e9 a m\u00fasica sempre presente do celular, al\u00e9m da luz de sua tela, que quebra a noite escura nas margens do rio. Contudo, a ang\u00fastia logo vai embora quando vemos que usam o aparelho n\u00e3o apenas como instrumento investigativo do pr\u00f3prio habitat, mas tamb\u00e9m o incorporam \u00e0s suas atividades tradicionais. \u00c9 claro que esse processo de invas\u00e3o moderna n\u00e3o aconteceu durante o filme &#8211; inclusive temos ind\u00edcios de uma recusa das tecnologias quando, no in\u00edcio, as crian\u00e7as brincam de pe\u00e3o em cima de uma placa de energia solar. Mesmo assim, a diretora parece emular na montagem o processo de descoberta da presen\u00e7a tecnol\u00f3gica no interior denso da Floresta Amaz\u00f4nica, materializando seu discurso de equil\u00edbrio entre origens e inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pureza no olhar das crian\u00e7as ao encontrar novas tecnologias \u00e9 cativante, tamb\u00e9m presente nos momentos que se deparam com insetos estranhos ou quebram barbatanas de peixes para comer. \u00c9 subentendido que o p\u00fablico-alvo do filme s\u00e3o os adultos, em especial habitantes de centros urbanos &#8211; alguns dos quais talvez nunca tenham refletido sobre o que lhes foi ensinado, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza. A observa\u00e7\u00e3o do dia-a-dia da comunidade tem quase uma fun\u00e7\u00e3o terap\u00eautica ao expor o p\u00fablico a uma diferente realidade pela qual qualquer repulsa ou impulso refor\u00e7a a validez desse modo de vida. A frase \u201ctudo nos \u00e9 ensinado\u201d ecoa pelo filme, desde a partilha com a diretora at\u00e9 quando as crian\u00e7as dividem suas t\u00e9cnicas entre si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Infelizmente, \u00e9 evidente a necessidade de grande esfor\u00e7o para conservar suas tradi\u00e7\u00f5es, conforme testemunhamos a invas\u00e3o gradativa do mundo al\u00e9m da Amaz\u00f4nia na comunidade. Logo nos primeiros minutos de filme, descobrimos que o mundo hisp\u00e2nico peruano j\u00e1 os atingiu de maneira irrevers\u00edvel. As crian\u00e7as falam espanhol entre si, v\u00e1rios de seus nomes s\u00e3o de origem espanhola, usam roupas com estampas de princesas da Disney e estudam ingl\u00eas no col\u00e9gio &#8211; algo que parece at\u00e9 ir\u00f4nico, quando conhecemos o local onde vivem. Mesmo que as imagens contradizem o discurso ut\u00f3pico de In\u00eas, de que o rio basta para a vida e a sobreviv\u00eancia desse grupo, a diretora tenta preservar ao m\u00e1ximo esse mundo \u00e0 parte. N\u00e3o \u00e9 por acaso que o t\u00edtulo original da obra \u00e9 na l\u00edngua ind\u00edgena Achuar, <em>Juunt Pastaza entsari<\/em>. Apresenta o Rio Pastaza como um personagem, adorado e superior \u00e0s influ\u00eancias modernas, discurso claro na \u00faltima cena do longa, na qual os adultos carregam mais um barco para seu precioso rio, enquanto as crian\u00e7as se divertem nas \u00e1guas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u00c1guas do Pastaza<\/em> \u00e9 uma experi\u00eancia indispens\u00e1vel para relembrarmos de onde viemos e ao que realmente servimos e respeitamos. \u00c9 com a pureza do olhar infantil que descobrimos a ess\u00eancia da vida e refletimos sobre nossa trajet\u00f3ria at\u00e9 aqui. Talvez seja este o motivo que despertou a diretora a fazer o filme: a nostalgia, at\u00e9 por aquilo que n\u00e3o vivemos, nos conecta ao mundo como mais nada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Biografia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Giuli Gobbato \u00e9 cineasta, comunicadora audiovisual e escritora. Formada em Cinema pela Funda\u00e7\u00e3o Armando \u00c1lvares Penteado (FAAP), sempre explorou o som de todas as formas, inclusive na m\u00fasica. Foi montadora e diretora de som em diversos curta-metragens, al\u00e9m de dirigir e roteirizar dois curtas independentes. Atualmente pesquisa a acessibilidade na comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cobertura da 12\u00aa Mostra Ecofalante de Cinema faz parte do programa Jovens Cr\u00edticos que busca desenvolver e dar espa\u00e7o para novos talentos do pensamento cinematogr\u00e1fico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agradecemos \u00e0 Atti Comunica\u00e7\u00e3o e Ideias e Francisco Cesar Filho por todo o apoio na cobertura do evento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Equipe Jovens Cr\u00edticos Mnemocine:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Coordena\u00e7\u00e3o e Idealiza\u00e7\u00e3o: Fl\u00e1vio Brito<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Produ\u00e7\u00e3o: Bruno Dias<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Edi\u00e7\u00e3o: Luca Scupino<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Edi\u00e7\u00e3o Adjunta e Organiza\u00e7\u00e3o: Rayane Lima<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c1guas do Pastaza (2022), primeiro longa-metragem da portuguesa In\u00eas T. Alves, e parte da sele\u00e7\u00e3o do Panorama Internacional Contempor\u00e2neo da 12\u00aa Mostra Ecofalante de Cinema, traz como protagonista a conex\u00e3o pura e inocente de crian\u00e7as com a natureza, documentando o cotidiano da comunidade ind\u00edgena Achuar e provocando uma saudade pelo desconhecido.<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":443,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-442","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cinema"],"jetpack_featured_media_url":"http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/AguasDoPastaza_v2_1.67.2.png","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/442","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=442"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/442\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":444,"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/442\/revisions\/444"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/443"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=442"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=442"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=442"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}