{"id":677,"date":"2024-10-01T14:26:23","date_gmt":"2024-10-01T17:26:23","guid":{"rendered":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=677"},"modified":"2024-10-01T14:27:20","modified_gmt":"2024-10-01T17:27:20","slug":"hollywood-sistema-de-estudios-e-narrativa-classica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mnemocine.com.br\/?p=677","title":{"rendered":"Hollywood, Sistema de Est\u00fadios e Narrativa Cl\u00e1ssica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Hollywood, Sistema de Est\u00fadios e Narrativa Cl\u00e1ssica<\/strong><sup data-fn=\"8f2ccaa5-4516-47bd-9026-42797ab44054\" class=\"fn\"><a href=\"#8f2ccaa5-4516-47bd-9026-42797ab44054\" id=\"8f2ccaa5-4516-47bd-9026-42797ab44054-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caio Cavalcanti<\/strong><sup data-fn=\"0aa1a694-3c10-44dc-924f-98a59420baa7\" class=\"fn\"><a href=\"#0aa1a694-3c10-44dc-924f-98a59420baa7\" id=\"0aa1a694-3c10-44dc-924f-98a59420baa7-link\">2<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este texto aborda o contexto hist\u00f3rico no qual a Era de Ouro de Hollywood, per\u00edodo que abrange a d\u00e9cada de 1920 at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, bem como uma explana\u00e7\u00e3o detalhada sobre importantes aspectos dessa era como o Sistema de Est\u00fadios e de Estrelato e o estabelecimento dos principais est\u00fadios hollywoodianos, conhecidos como os majors. Al\u00e9m disso, trata de fatores que contribu\u00edram consideravelmente para o desenvolvimento da arte cinematogr\u00e1fica em sua totalidade, como a Montagem Paralela e a Narrativa Cl\u00e1ssica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XX, a produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica americana n\u00e3o tinha a hegemonia que estabeleceu ao longo do s\u00e9culo. Apenas uma parcela das produ\u00e7\u00f5es era de realiza\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos. Com efeito, no mercado americano havia grande influ\u00eancia europeia, principalmente da Fran\u00e7a, que detinha a hegemonia da produ\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio do s\u00e9culo passado, aproximadamente 40% dos filmes exibidos nos Estados Unidos eram produzidos pela Path\u00e9<sup data-fn=\"e1cacc74-f974-4acb-86e1-7fde0b00538f\" class=\"fn\"><a href=\"#e1cacc74-f974-4acb-86e1-7fde0b00538f\" id=\"e1cacc74-f974-4acb-86e1-7fde0b00538f-link\">3<\/a><\/sup>, grande produtora francesa. \u00c0 \u00e9poca, a barreira para a proje\u00e7\u00e3o de filmes estrangeiros n\u00e3o era t\u00e3o intranspon\u00edvel, pois as obras n\u00e3o eram faladas. Portanto, n\u00e3o importava o idioma original da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hegemonia francesa, no entanto, foi abalada pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e, com isso, grandes companhias cinematogr\u00e1ficas como a Path\u00e9 perderam a condi\u00e7\u00e3o que desfrutavam. Desse modo, os Estados Unidos, que se manteve distante da guerra at\u00e9 1917, tomou o vazio deixado pela Fran\u00e7a e ascendeu como principal pot\u00eancia da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica mundial, posto que mant\u00e9m at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cinema norte-americano, nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado, tinha como princ\u00edpio o que posteriormente foi nomeado pelo professor Tom Gunning, em seu ensaio &#8220;The Cinema of Attractions: Early Film, Spectacle, and Narration&#8221; como \u201ccinema de atra\u00e7\u00f5es\u201d. O cinema de atra\u00e7\u00f5es era marcado por certa precariedade quando comparados \u00e0s produ\u00e7\u00f5es futuras: os filmes eram curtos, filmados rapidamente, sem cr\u00e9ditos para os atores, os diretores costumavam berrar instru\u00e7\u00f5es \u00e0queles em cena durante a grava\u00e7\u00e3o e n\u00e3o havia um espa\u00e7o espec\u00edfico para proje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Filmes eram exibidos em bares, feiras, <em>vaudevilles<\/em>, etc., ou seja, a proje\u00e7\u00e3o n\u00e3o era consistente e profissional o suficiente para constituir uma cadeia industrial. O cinema n\u00e3o havia se consolidado como um neg\u00f3cio. Por\u00e9m, com a demanda por filmes em alta, o mercado agiu e surgiram armaz\u00e9ns que, desviados de seu uso original, passaram a abrigar a exibi\u00e7\u00e3o de filmes, os <em>nickelodeons.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso, o cinema come\u00e7ava a se transformar em neg\u00f3cio. A ind\u00fastria do cinema chamou aten\u00e7\u00e3o daqueles que procuravam por oportunidades de neg\u00f3cios para investir tempo e capital. Concomitantemente, houve uma grande onda de imigra\u00e7\u00e3o para os Estados Unidos. A maioria dos imigrantes chegados \u00e0 Am\u00e9rica eram judeus do Leste Europeu. Eles migraram em busca tanto de uma melhor qualidade de vida quanto de uma melhor condi\u00e7\u00e3o financeira, tendo em vista a persegui\u00e7\u00e3o que sofriam por suas cren\u00e7as nos seus pa\u00edses de origem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, imigrantes, ou filhos de imigrantes de maioria judaica, entraram no mercado cinematogr\u00e1fico &#8211; n\u00e3o por paix\u00e3o ao cinema, mas por pressentir uma boa oportunidade de lucro. Por\u00e9m, o neg\u00f3cio n\u00e3o era uma fonte de dinheiro f\u00e1cil, haja vista que muitos daqueles que investiram em <em>nickelodeons<\/em> n\u00e3o conseguiram prosperar e fecharam suas opera\u00e7\u00f5es. Com efeito, aqueles que conseguiram progredir s\u00e3o, em sua maioria, os que se tornaram os pioneiros magnatas do que se tornaria o Sistema de Est\u00fadio de Hollywood.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Antes das Majors<\/strong><strong><em> <\/em><\/strong><strong>Hollywoodianas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o crescimento da demanda popular pelo cinema nos Estados Unidos, ainda na era dos <em>nickelodeons<\/em>, v\u00e1rios indiv\u00edduos se interessaram pela crescente ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica. Assim, entre o final dos anos 1890 e o come\u00e7o dos anos 1900, surgiram v\u00e1rias companhias que visavam \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de filmes, localizadas em maioria na Costa Leste dos Estados Unidos. Entre essas companhias, estavam Essanay Studios, Biograph Company, Vitagraph Studios e Edison Studios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Edison Studios pertencia ao inventor magnata Thomas Edison. Ciente da demanda popular e possibilidade de lucro atrav\u00e9s do cinema, Edison almejou controlar uma maior parcela do mercado cinematogr\u00e1fico. Assim, patenteou os equipamentos t\u00e9cnicos necess\u00e1rios tanto para a produ\u00e7\u00e3o quanto para a exibi\u00e7\u00e3o de filmes, buscando controle sobre toda a ind\u00fastria e a elimina\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia proveniente das companhias independentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, Edison criou e liderou a Motion Pictures Patents Company (MPPC), tamb\u00e9m conhecida como Truste Edison. Um truste \u00e9 uma uni\u00e3o de empresas que visa o dom\u00ednio do mercado. A MPPC constitui um truste vertical, considerando que foi uma uni\u00e3o de empresas que atuavam em diversas \u00e1reas da produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica: produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o, visando o controle total da ind\u00fastria. Com isso, Edison processava todos aqueles que filmavam sem controle do truste. Pode-se dizer que esta tentativa de domina\u00e7\u00e3o foi bem-sucedida em pouco tempo. As maiores produtoras da \u00e9poca, inclusive todas as companhias supracitadas, acabaram por se juntar ao truste, ap\u00f3s muitas batalhas legais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso, os donos de <em>nickelodeons<\/em> e de pequenas produtoras se viam obrigados a pagar <em>royalties<\/em> para a MPPC, correndo o risco de responder legalmente caso contr\u00e1rio, para que seus neg\u00f3cios pudessem funcionar e prosperar. Com as taxas para distribui\u00e7\u00e3o e proje\u00e7\u00e3o de filmes, houve revolta entre os donos dos <em>nickelodeons<\/em>, que criaram suas pr\u00f3prias companhias de produ\u00e7\u00e3o. Foi o que ocorreu com Carl Laemmle, alem\u00e3o radicado nos Estados Unidos, que desafiou o truste criando a Independent Motion Picture Company (IMP). Mais tarde, com a adi\u00e7\u00e3o de desertoras da MPPC, Laemmle fundou a Universal Motion Picture Company, conhecida coloquialmente at\u00e9 hoje como Universal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Edison se opunha ferozmente a qualquer outro empreendimento no ramo que considerava sua propriedade, movendo a\u00e7\u00f5es legais. Essa forte oposi\u00e7\u00e3o causou o \u00eaxodo das companhias independentes da Costa Leste para a Costa Oeste, mais especificamente no distrito de Hollywood da cidade de Los Angeles, no estado da Calif\u00f3rnia. Essa regi\u00e3o era ideal para abrigar a ind\u00fastria independente por uma s\u00e9rie de motivos, entre eles: a qualidade da \u00e1rea para o estabelecimento de loca\u00e7\u00f5es e est\u00fadios, a viabilidade para loca\u00e7\u00f5es externas e, principalmente, distante da Costa Leste, tornava dif\u00edceis as audi\u00eancias legais e a fiscaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o que l\u00e1 ocorria. Assim, os est\u00fadios independentes, como a IMP, conseguiram escapar do Truste Edison e produzir seus pr\u00f3prios filmes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A MPPC foi afetada financeiramente pela Primeira Guerra, que abalou o mercado europeu, do qual a Truste detinha uma grande parcela. Al\u00e9m disso, no ano de 1915, a Truste foi processada em corte federal por violar a Lei Antitruste Sherman de 1890, processo do qual saiu derrotada. J\u00e1 debilitada pela guerra, o processo foi o fator determinante para que a MPPC fosse obrigada a cessar suas opera\u00e7\u00f5es, liberando o mercado que, at\u00e9 ent\u00e3o, se via ref\u00e9m de seu oligop\u00f3lio. Com isso, produtoras independentes, j\u00e1 estabelecidas em Hollywood, estavam livres de quaisquer amarras para engajar tanto na produ\u00e7\u00e3o quanto na distribui\u00e7\u00e3o de filmes. Nesse cen\u00e1rio, surgiram os oito <em>majors<\/em>, os maiores e mais influentes est\u00fadios hollywoodianos do in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ascens\u00e3o das Majors<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria do cinema, por vezes, se confunde com anedotas, devido a diversos fatores como a disputa de egos no mundo da arte e a busca por reconhecimento, um exemplo desse fato \u00e9 a origem ainda n\u00e3o totalmente esclarecida do termo &#8220;Oscar&#8221; para o trof\u00e9u dos pr\u00eamios da Academia de Artes e Ci\u00eancias Cinematogr\u00e1ficas. E a era dos grandes est\u00fadios possui um diferencial na hist\u00f3ria cinematogr\u00e1fica: o fator neg\u00f3cio. Uma empresa precisa de registros para controlar e comprovar sua opera\u00e7\u00e3o. Os est\u00fadios eram empresas de produ\u00e7\u00e3o audiovisual. Existem registros em abund\u00e2ncia que corroboram a pesquisa da hist\u00f3ria daquela \u00e9poca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo XX foi um momento de florescimento das artes, n\u00e3o s\u00f3 nos Estados Unidos, mas tamb\u00e9m no mundo. Esse per\u00edodo ficou conhecido como os <em>Roaring Twenties<\/em>, muitas vezes traduzido como Loucos Anos 20. Nessa \u00e9poca, passada a Primeira Guerra Mundial, o <em>jazz<\/em> surgia, a moda ocidental era redefinida, o movimento da <em>art deco <\/em>se originava na arquitetura americana, o r\u00e1dio se estabelecia nas casas ao redor do mundo. Houve tamb\u00e9m muitas mudan\u00e7as sociais no mundo ocidental &#8211; por exemplo, diversos pa\u00edses passaram a ter leis que determinavam o direito ao voto para as mulheres, tendo em vista as reivindica\u00e7\u00f5es do movimento de igualdade de g\u00eanero na \u00e9poca. Por\u00e9m, o mais importante acontecimento foi o estabelecimento do cinema no dia a dia do consumidor americano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o decl\u00ednio do truste e o cen\u00e1rio f\u00e9rtil para a produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, composto entre outros fatores pela euforia econ\u00f4mica americana dos anos 20 e a alta demanda popular pelo cinema, firmaram-se em Hollywood oito companhias que seriam consideradas as <em>majors<\/em> da produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica: MGM, RKO, Paramount, Warner Brothers, 20th Century-Fox, United Artists, Columbia e Universal, todas fundadas entre os anos de 1912 e 1935.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um ano ap\u00f3s sua funda\u00e7\u00e3o, com a produ\u00e7\u00e3o de <em>Ben-Hur <\/em>(1925), at\u00e9 ent\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o mais cara j\u00e1 realizada no cinema, e seu sucesso esmagador, a MGM estabeleceu-se como a maior companhia de produ\u00e7\u00e3o de Hollywood. Seguindo a MGM, a Paramount \u00e9 amplamente considerada como o segundo maior est\u00fadio da Era de Ouro de Hollywood.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Warner Bros. tem grande relev\u00e2ncia para o Sistema de Est\u00fadios pois foi a respons\u00e1vel pelo lan\u00e7amento do controverso filme <em>O Cantor de Jazz<\/em> (1927), estrelando o ator Al Jolson em <em>blackface<\/em><sup data-fn=\"17e1d9e2-5c7f-4128-a87d-36d589c2cf3e\" class=\"fn\"><a href=\"#17e1d9e2-5c7f-4128-a87d-36d589c2cf3e\" id=\"17e1d9e2-5c7f-4128-a87d-36d589c2cf3e-link\">4<\/a><\/sup>, que revolucionou o mercado por ser o primeiro <em>talkie<\/em>, filme falado, de grande proje\u00e7\u00e3o e sucesso comercial. Com isso, a RKO, fundada em 1929, tomou proveito da revolu\u00e7\u00e3o sonora no cinema e fez dos <em>talkies<\/em> seu foco nos neg\u00f3cios, atingindo grande sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A funda\u00e7\u00e3o da United Artists, ocorrida em 1919, \u00e9 peculiar dentro da ind\u00fastria. Foi conceitualizada pelo casal de atores Douglas Fairbanks e Mary Pickford, o ator e realizador Charlie Chaplin e o diretor D. W. Griffith. Os est\u00fadios, muitas vezes, se encontravam \u00e0 merc\u00ea do mercado. Ent\u00e3o, esse grupo de representantes da classe art\u00edstica funda a companhia para ir ao encontro da&nbsp; vis\u00e3o comercial do cinema, praticada pelas demais <em>majors<\/em>. Assim, filmes da United Artists tinham um prop\u00f3sito mais art\u00edstico que os produzidos pelos outros est\u00fadios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dos grandes est\u00fadios, \u00e9 importante ressaltar a import\u00e2ncia de outro grupo para o funcionamento e a prosperidade da Era de Ouro de Hollywood: os produtores independentes. Muitos, como Irving Thalberg e Hal B. Wallis, trabalharam apenas em grandes est\u00fadios, com independ\u00eancia ou pouca interfer\u00eancia da gest\u00e3o dos est\u00fadios perante seus projetos. Mas outros acabaram por criar suas pr\u00f3prias produtoras. H\u00e1, ainda, o caso do c\u00e9lebre Walt Disney, que produzia seus filmes sem o suporte de nenhum grande est\u00fadio, atrav\u00e9s da sua companhia The Walt Disney Company, e negociava a distribui\u00e7\u00e3o de suas produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Notava-se ainda certa hierarquia entre os est\u00fadios, sendo muitas vezes divididos entre <em>Big Five<\/em> e <em>Little Three, <\/em>uma forma de segregar os est\u00fadios de maior e menor influ\u00eancia dentro da ind\u00fastria<em>. <\/em>O <em>Big 5<\/em> seria composto por MGM, Paramount, Warner Bros., RKO e 20th Century-Fox, enquanto a United Artists, Columbia e Universal restavam ao <em>Little Three. <\/em>H\u00e1 uma anedota da \u00e9poca que ilustra a rela\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica entre os est\u00fadios. O grande astro Clark Gable chegou a ser enviado \u00e0 Columbia por Louis B. Mayer da MGM como puni\u00e7\u00e3o por exigir um aumento salarial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O Sistema de Est\u00fadio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Sistema de Est\u00fadios reinou em Hollywood entre as d\u00e9cadas de 1920 e 1940. Foi um modelo de neg\u00f3cios no qual a vis\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica como arte foi posta em segundo plano, em fun\u00e7\u00e3o de uma perspectiva industrial, voltada ao lucro. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o houve preocupa\u00e7\u00e3o art\u00edstica na produ\u00e7\u00e3o dos filmes. Muito pelo contr\u00e1rio, grandes diretores como Alfred Hitchcock, no suspense, John Ford, no <em>western,<\/em> e Frank Capra, no drama, mantiveram uma forte veia art\u00edstica e inovadora em seus trabalhos. Por\u00e9m, a relativa independ\u00eancia de cria\u00e7\u00e3o s\u00f3 seria atingida se o realizador conseguisse provar sua capacidade de lucrar enquanto inovava com suas cria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ind\u00fastria do cinema se comportava como qualquer outra ind\u00fastria que se utilizava de um modelo de linha de montagem para a produ\u00e7\u00e3o de seu produto final. Com efeito, n\u00e3o havia diferen\u00e7a significativa entre a linha de produ\u00e7\u00e3o de um filme e a de qualquer outra f\u00e1brica que se utilizasse do modelo conhecido como taylorismo. Seguindo esse modelo, cada indiv\u00edduo envolvido na realiza\u00e7\u00e3o de um filme se especializava em um aspecto da produ\u00e7\u00e3o. Havia o montador, o diretor, o roteirista, etc. Todos trabalhavam em prol do \u201cpatr\u00e3o\u201d, representado nas f\u00e1bricas de autom\u00f3veis pelo dono da f\u00e1brica ou da companhia, e na realidade hollywoodiana pela figura do produtor executivo, que por sua vez respondia \u00e0 sede da respectiva companhia de produ\u00e7\u00e3o, sediada em Nova Iorque, na outra costa dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nota-se uma diferente no\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o do diretor na produ\u00e7\u00e3o. Desde a d\u00e9cada de 1960, com movimentos como a Nouvelle Vague, a figura do diretor adquiriu muito mais autoridade no set de filmagem e consolidou seu status como \u201cautor\u201d do filme. Essa vis\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada por diretores do cinema moderno como o expoente da Nouvelle Vague, Jean-Luc Godard (1930-2022). Esse modo de realiza\u00e7\u00e3o, conhecido como \u201ccinema de autor\u201d, difere vertiginosamente do modelo vigente na Hollywood cl\u00e1ssica, no qual o diretor, na maioria dos casos, era um funcion\u00e1rio do cat\u00e1logo do est\u00fadio, contratado para dirigir certa produ\u00e7\u00e3o. Aqueles que conseguiam expressar maior vis\u00e3o art\u00edstica e autoridade eram os que, muitas vezes, acumulavam cargos na produ\u00e7\u00e3o do filme.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de os grandes est\u00fadios mandarem no mercado hollywoodiano, criou-se certa rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia entre as grandes produtoras e aqueles que eram, de certa forma, a mat\u00e9ria-prima de suas produ\u00e7\u00f5es: os atores. Assim, formou-se o que ficou conhecido como o \u201csistema de estrelato\u201d da Hollywood cl\u00e1ssica, o<em> star system<\/em>. As companhias precisavam dos atores, as estrelas, para que o p\u00fablico se interessasse pelos filmes e fosse ao cinema, assim pagando o pre\u00e7o do ingresso da sess\u00e3o e mantendo todo o complexo sistema de est\u00fadios em pleno funcionamento. Da mesma forma, os atores tamb\u00e9m precisavam das grandes companhias para se manter no mercado, tendo em vista que era praticamente imposs\u00edvel suceder no mercado do entretenimento da \u00e9poca sem o apoio desses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso, havia contratos de exclusividade que uniam legalmente as estrelas a determinado est\u00fadio. As companhias adquiriam o direito de gerir toda a imagem p\u00fablica do ator ou da atriz contratada. Isso resulta em casos de cria\u00e7\u00e3o de nomes art\u00edsticos, omiss\u00e3o de caracter\u00edsticas pessoais dos atores, como a homossexualidade, que, \u00e0 \u00e9poca, era um grande tabu, e controle do estilo de vida pessoal, estipulando dietas, toques de recolher e outras regras a serem seguidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sistema era um organismo complexo, formado por dois polos de grande import\u00e2ncia: Los Angeles e Nova Iorque. As sedes das companhias situavam-se em Nova Iorque, grande centro financeiro e empresarial dos Estados Unidos, onde as grandes decis\u00f5es eram tomadas e estabelecia-se o centro de comando dos trustes verticais que constitu\u00edam os est\u00fadios. J\u00e1 Los Angeles, mais precisamente Hollywood, era onde a produ\u00e7\u00e3o de fato ocorria e as decis\u00f5es art\u00edsticas, voltadas ao mercado, eram tomadas pelos produtores executivos. Assim, os est\u00fadios na Calif\u00f3rnia se tornaram o ponto de encontro no qual cada uma das engrenagens da linha de montagem se unia em busca de um mesmo resultado final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A Narrativa Cl\u00e1ssica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como mencionado anteriormente, a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica funcionava como uma linha de montagem taylorista, com alta subordina\u00e7\u00e3o aos gerentes, nesse caso produtores, e divis\u00e3o de tarefas. Logo, assim como numa f\u00e1brica, a maneira de produzir n\u00e3o se diversificava significativamente entre as produtoras atuantes no mercado, e esse fato gerou a cria\u00e7\u00e3o do modelo narrativo conhecido posteriormente como a narrativa cl\u00e1ssica do cinema americano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa era composta por uma estrutura b\u00e1sica de tr\u00eas atos: in\u00edcio, meio e fim. Quem fosse ao cinema, sabia o que esperar do filme escolhido. Esses tr\u00eas atos eram organizados de forma estritamente cronol\u00f3gica dentro da narrativa. Por isso, produ\u00e7\u00f5es com narrativas n\u00e3o-lineares, caracter\u00edstica em movimentos posteriores ao sistema de est\u00fadios como a Nouvelle Vague, eram praticamente inexistentes. Eram raras as produ\u00e7\u00f5es que n\u00e3o apresentariam um final fechado. Al\u00e9m disso, desenvolveram-se g\u00eaneros cinematogr\u00e1ficos como o <em>noir<\/em>, o <em>western<\/em> e o terror, que se encaixavam perfeitamente no sistema de produ\u00e7\u00e3o industrial dos est\u00fadios por conta de sua natureza, de certa forma, formulaica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As personagens que compunham a a\u00e7\u00e3o teriam sua balan\u00e7a moral bem definida. Havia a presen\u00e7a clara do protagonista, o \u201cmocinho\u201d, e do antagonista, o \u201cvil\u00e3o\u201d. Logo, o conflito era composto pelo embate entre as motiva\u00e7\u00f5es, claramente expostas ao p\u00fablico. O protagonista buscava um objetivo que batia de frente com os interesses do antagonista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse modelo tinha grande foco na imers\u00e3o do espectador na narrativa, atrav\u00e9s dos mecanismos de identifica\u00e7\u00e3o. Assim, fazia a utiliza\u00e7\u00e3o de artif\u00edcios como a montagem invis\u00edvel, no qual os cortes s\u00e3o escondidos pela montagem, dando uma sensa\u00e7\u00e3o de continuidade, conforto e estabilidade para aquele que assiste o resultado final do filme. Esse foi o padr\u00e3o da montagem cinematogr\u00e1fica que perdurou durante toda a Era de Ouro, e perdura at\u00e9 hoje em certas produ\u00e7\u00f5es mais comerciais do cinema contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro aspecto da narrativa cl\u00e1ssica que ascendeu na \u00e9poca do sistema de est\u00fadios \u00e9 a montagem paralela, uma das t\u00e9cnicas mais transformadoras e influentes j\u00e1 desenvolvidas na hist\u00f3ria do cinema. Embora n\u00e3o seja poss\u00edvel estabelecer um criador para ela, h\u00e1 alguns pioneiros que devem ser lembrados. Entre eles, Ferdinand Zecca, que, em seu curta <em>O Cavalo Desembestado<\/em> (1907),&nbsp; faz uso da montagem paralela, mas sem a preocupa\u00e7\u00e3o com a dramatiza\u00e7\u00e3o que ela viria a ter com D. W. Griffith, respons\u00e1vel pela propaga\u00e7\u00e3o dessa t\u00e9cnica, amplamente utilizada com prop\u00f3sito dram\u00e1tico em seu controverso, por\u00e9m influente, <em>O Nascimento de Uma Na\u00e7\u00e3o<\/em> (1915).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa t\u00e9cnica de montagem consiste na apresenta\u00e7\u00e3o de dois planos em sequ\u00eancia que acontecem simultaneamente dentro do tempo narrativo. Diferentemente do padr\u00e3o dos primeiros filmes, que seguiam uma continuidade temporal entre um plano e outro, a montagem paralela exibe m\u00faltiplas perspectivas para uma mesma sequ\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O Nascimento de uma Na\u00e7\u00e3o<\/em> (1914) \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o do sistema de est\u00fadio. Por\u00e9m, exibe caracter\u00edsticas da narrativa cl\u00e1ssica do cinema americano. O filme trata da Guerra Civil Americana e de suas consequ\u00eancias para a sociedade sulista, e adota uma perspectiva abertamente racista. H\u00e1 certo revanchismo e \u00f3dio pessoal de Griffith exposto na narrativa, com a presen\u00e7a de atores brancos interpretando negros em <em>blackface <\/em>e a glorifica\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o t\u00e3o repreens\u00edvel como a Ku Klux Klan. Importante destacar que o pai de Griffith, Jacob Wark Griffith (1819-1885), foi um capit\u00e3o confederado durante a Guerra Civil. Com a derrota confederada, que culminou na aboli\u00e7\u00e3o da escravatura em territ\u00f3rio americano, a fam\u00edlia Griffith teve sua posi\u00e7\u00e3o social e situa\u00e7\u00e3o financeira afetada pelo resultado da guerra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de sua mensagem preconceituosa, o filme de Griffith apresenta inova\u00e7\u00f5es significativas para a arte cinematogr\u00e1fica, como a montagem paralela. Um exemplo do uso desta t\u00e9cnica \u00e9 uma sequ\u00eancia que ocorre aproximadamente no \u00faltimo ter\u00e7o da narrativa. Uma jovem, contrariando as ordens do irm\u00e3o de permanecer em casa, sai para buscar \u00e1gua fresca em uma fonte pr\u00f3xima \u00e0 casa. No caminho, ela \u00e9 importunada por um homem negro, representado por um ator branco em <em>blackface<\/em>. Enquanto isso, o irm\u00e3o da jovem percebe que h\u00e1 algo de errado e segue os rastros da irm\u00e3, at\u00e9 presenciar sua morte tr\u00e1gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa sequ\u00eancia, tr\u00eas&nbsp; n\u00facleos de a\u00e7\u00e3o narrativa s\u00e3o intercalados: a perspectiva da jovem indo buscar \u00e1gua, o homem a perseguindo e o irm\u00e3o seguindo os rastros da persegui\u00e7\u00e3o e presenciando a morte da irm\u00e3. Assim, o espectador tem a chance de visualizar tr\u00eas pontos de vista diferentes sobre o mesmo acontecimento, algo inovador, tendo em vista a experi\u00eancia do p\u00fablico de 1915. A montagem \u00e9 utilizada de forma persuasiva, ela pretende sensibilizar a audi\u00eancia e fazer com que ela escolha um lado, que segundo a narrativa seria o do \u201cbem\u201d, o mesmo que o pr\u00f3prio Griffith escolheu representar, por conta de suas experi\u00eancias pessoais. Desse modo, <em>O Nascimento de uma Na\u00e7\u00e3o<\/em> e Griffith deixam um legado conturbado, por\u00e9m relevante para a hist\u00f3ria cinematogr\u00e1fica. O filme traz inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para a linguagem, por meio da constru\u00e7\u00e3o discursiva que desperta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A Queda dos <\/strong><strong><em>Majors<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sistema de est\u00fadio foi um dos grandes imp\u00e9rios da hist\u00f3ria do cinema. Por\u00e9m, como todos os grandes imp\u00e9rios, tamb\u00e9m experimentou uma queda. Muitos fatores, internos e externos ao mundo do entretenimento, contribu\u00edram para o decl\u00ednio do sistema que dominou a produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica americana durante a primeira metade do s\u00e9culo XX.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os grandes est\u00fadios foram considerados culpados de violar as leis antitruste norte-americanas, assim como a MPPC algumas d\u00e9cadas antes, no caso <em>United States Vs Paramount, <\/em>que teve seu fim em 1948<sup data-fn=\"f1cc8c83-43d1-4173-aa80-ba8d972eff95\" class=\"fn\"><a href=\"#f1cc8c83-43d1-4173-aa80-ba8d972eff95\" id=\"f1cc8c83-43d1-4173-aa80-ba8d972eff95-link\">5<\/a><\/sup>. Durante os anos da Era de Ouro, os est\u00fadios mantinham um monop\u00f3lio da produ\u00e7\u00e3o, contratos com atores e diretores, posse de cinemas nos quais os filmes eram exibidos, e trabalhavam entre si para controlar a cadeia de distribui\u00e7\u00e3o em cinemas independentes. Em 1930, os est\u00fadios de cinema foram considerados um monop\u00f3lio e a pr\u00e1tica do <em>Block Booking<\/em> foi considerada ilegal pelo Departamento de Justi\u00e7a dos Estados Unidos. <em>Block Booking<\/em> \u00e9 uma pr\u00e1tica similar \u00e0 venda casada, na qual est\u00fadios for\u00e7avam a venda de filmes para cinemas independentes em conjunto, e sem a possibilidade do comprador assistir aos filmes antes de compr\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1948, a Suprema Corte tomou outra decis\u00e3o, dessa vez definitiva: o <em>Block Booking<\/em> foi extinto e foi recomendado o fim da posse de cinemas por parte das grandes produtoras. Assim, o sistema de est\u00fadio no final dos anos 40 se via fragilizado. Consequentemente, a televis\u00e3o se estabeleceu nas casas das fam\u00edlias americanas durante a d\u00e9cada de 1950.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Havia tamb\u00e9m certa mudan\u00e7a no que o consumidor procurava como fonte de entretenimento. Muitos espectadores desejavam conte\u00fados com mais relev\u00e2ncia intelectual, diferente do que era produzido em massa todos os anos pelos est\u00fadios hollywoodianos. Procuravam se distanciar das produ\u00e7\u00f5es previs\u00edveis das grandes companhias, em favor de filmes que se aprofundassem em assuntos mais s\u00e9rios da experi\u00eancia humana. O sistema de est\u00fadio parecia datado para o per\u00edodo que os Estados Unidos viviam, com a ascens\u00e3o de movimentos sociais e da contracultura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, as companhias que reinaram sobre Hollywood, e sobre todo o cinema americano, entre as d\u00e9cadas de 1920 e 1940, deixaram fortes marcas de sua influ\u00eancia e rastros de sua presen\u00e7a. Isso \u00e9 evidente por diversos fatores, como a perman\u00eancia das mesmas grandes empresas no mercado cinematogr\u00e1fico, muitas vezes sob diferentes circunst\u00e2ncias, como no caso da 20th Century-Fox, que hoje funciona como uma subsidi\u00e1ria da Disney.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Sistema de Est\u00fadios ajudou a consolidar fatores vitais para a toda a realiza\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, tendo sua import\u00e2ncia e influ\u00eancia percebida mundialmente. Os resqu\u00edcios das oito <em>majors<\/em> permanecem relevantes, por\u00e9m, sem todo o poder que acumulavam na Era de Ouro do mercado americano. No entanto, elementos presentes na narrativa cl\u00e1ssica de Hollywood ainda se fazem presentes nas maiores, mais caras e relevantes produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas da atualidade, depois de quase um s\u00e9culo se passar. A montagem paralela foi, ainda \u00e9, e continuar\u00e1 a ser absolutamente indispens\u00e1vel para o fazer cinematogr\u00e1fico. Tendo se mantido firme enquanto passava por processos, crises econ\u00f4micas e duas guerras mundiais, o sistema de est\u00fadio \u00e9, sem sombra de d\u00favidas, uma parcela da hist\u00f3ria do cinema que merece sempre ser relembrada. Seja por sua gigante influ\u00eancia no cinema contempor\u00e2neo, suas estrelas, as inova\u00e7\u00f5es narrativas e, al\u00e9m disso, por ser rigorosamente estudada para que os mesmos erros cometidos pelos magnatas da Era de Ouro n\u00e3o sejam repetidos pelos realizadores, produtores e empres\u00e1rios da atualidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BOMBOY, Scott, <strong>The day the supreme court killed Hollywood&#8217;s studio system<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/constitutioncenter.org\/blog\/the-day-the-supreme-court-killed-hollywoods-studio-system\">https:\/\/constitutioncenter.org\/blog\/the-day-the-supreme-court-killed-hollywoods-studio-system<\/a>&gt;. Acesso em: 2 de abril de 2023.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COUSINS, Mark. <strong>Hist\u00f3ria do cinema: dos cl\u00e1ssicos ao cinema moderno.<\/strong> Tradu\u00e7\u00e3o: Cec\u00edlia Camargo Bartalotti. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MATTA, Jo\u00e3o Paulo Rodrigues. Marcos hist\u00f3rico-estruturais da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica: hegemonia norte-americana e converg\u00eancia audiovisual. <strong>IV ENECULT<\/strong>, Salvador: Maio de 2008. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.cult.ufba.br\/enecult2008\/14363-01.pdf\">http:\/\/www.cult.ufba.br\/enecult2008\/14363-01.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 28 de mar\u00e7o de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SCHATZ, Thomas. <strong>O g\u00eanio do sistema.<\/strong> Tradu\u00e7\u00e3o: Marcelo Dias Almada. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1991.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Notas<\/strong><\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"8f2ccaa5-4516-47bd-9026-42797ab44054\">Artigo escrito a partir das aulas da disciplina Cinema e Hist\u00f3ria: EUA-Europa at\u00e9 1950, do curso de cinema da FAAP, ministrada pelo Prof. Dr. Humberto Pereira da Silva.<br> <a href=\"#8f2ccaa5-4516-47bd-9026-42797ab44054-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"0aa1a694-3c10-44dc-924f-98a59420baa7\">\u00a0Aluno do curso de Cinema da FAAP.<br> <a href=\"#0aa1a694-3c10-44dc-924f-98a59420baa7-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"e1cacc74-f974-4acb-86e1-7fde0b00538f\">COUSINS, Mark. <em>Hist\u00f3ria do cinema: dos cl\u00e1ssicos ao cinema moderno. <\/em>p. 45. \u00a0<br> <a href=\"#e1cacc74-f974-4acb-86e1-7fde0b00538f-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 3 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"17e1d9e2-5c7f-4128-a87d-36d589c2cf3e\">\u00a0Quando atores de pele branca pintavam seus rostos para interpretar personagens pretos, muitas vezes ridicularizando a comunidade preta atrav\u00e9s de espet\u00e1culos &#8220;humor\u00edsticos&#8221;.\u00a0<br> <a href=\"#17e1d9e2-5c7f-4128-a87d-36d589c2cf3e-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 4 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"f1cc8c83-43d1-4173-aa80-ba8d972eff95\">BOMBOY, Scott, The day the supreme court killed Hollywood&#8217;s studio system. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/constitutioncenter.org\/blog\/the-day-the-supreme-court-killed-hollywoods-studio-system\">https:\/\/constitutioncenter.org\/blog\/the-day-the-supreme-court-killed-hollywoods-studio-system<\/a>&gt;. Acesso em: 2 de abril de 2023. <a href=\"#f1cc8c83-43d1-4173-aa80-ba8d972eff95-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 5 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Biografia: Caio Cavalcanti. Alagoano morando e estudando cinema em S\u00e3o Paulo. Apaixonado por m\u00fasica, escrita e cinema, especialmente pelas \u00e1reas de Roteiro, Hist\u00f3ria do Cinema e Cr\u00edtica.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hollywood, Sistema de Est\u00fadios e Narrativa Cl\u00e1ssica Caio Cavalcanti Este texto aborda o contexto hist\u00f3rico no qual a Era de Ouro de Hollywood, per\u00edodo que abrange a d\u00e9cada de 1920 at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, bem como uma explana\u00e7\u00e3o detalhada sobre importantes aspectos dessa era como o Sistema de Est\u00fadios e de Estrelato [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"[{\"content\":\"Artigo escrito a partir das aulas da disciplina Cinema e Hist\u00f3ria: EUA-Europa at\u00e9 1950, do curso de cinema da FAAP, ministrada pelo Prof. Dr. Humberto Pereira da Silva.<br>\",\"id\":\"8f2ccaa5-4516-47bd-9026-42797ab44054\"},{\"content\":\"\u00a0Aluno do curso de Cinema da FAAP.<br>\",\"id\":\"0aa1a694-3c10-44dc-924f-98a59420baa7\"},{\"content\":\"COUSINS, Mark. <em>Hist\u00f3ria do cinema: dos cl\u00e1ssicos ao cinema moderno. <\/em>p. 45. \u00a0<br>\",\"id\":\"e1cacc74-f974-4acb-86e1-7fde0b00538f\"},{\"content\":\"\u00a0Quando atores de pele branca pintavam seus rostos para interpretar personagens pretos, muitas vezes ridicularizando a comunidade preta atrav\u00e9s de espet\u00e1culos \\\"humor\u00edsticos\\\".\u00a0<br>\",\"id\":\"17e1d9e2-5c7f-4128-a87d-36d589c2cf3e\"},{\"content\":\"BOMBOY, Scott, The day the supreme court killed Hollywood's studio system. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\\\"https:\/\/constitutioncenter.org\/blog\/the-day-the-supreme-court-killed-hollywoods-studio-system\\\">https:\/\/constitutioncenter.org\/blog\/the-day-the-supreme-court-killed-hollywoods-studio-system<\/a>>. Acesso em: 2 de abril de 2023.\",\"id\":\"f1cc8c83-43d1-4173-aa80-ba8d972eff95\"}]"},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-677","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pedagogicos"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/677","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=677"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/677\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":680,"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/677\/revisions\/680"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}