{"id":17,"date":"2024-07-30T17:13:10","date_gmt":"2024-07-30T20:13:10","guid":{"rendered":"http:\/\/mnemocine.com.br\/?p=17"},"modified":"2025-06-08T21:51:04","modified_gmt":"2025-06-09T00:51:04","slug":"programa-2-competicao-brasileira-de-curtas-metragens-e-tudo-verdade-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=17","title":{"rendered":"Programa 2: Competi\u00e7\u00e3o Brasileira de Curtas-Metragens | \u00c9 Tudo Verdade 2024"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"300\" src=\"http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-205\" style=\"width:1432px\" srcset=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2.png 700w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2-300x129.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c0 ocasi\u00e3o da 29\u00aa edi\u00e7\u00e3o do \u00c9 Tudo Verdade, principal Festival Internacional de Document\u00e1rios da Am\u00e9rica Latina, foram exibidos, em seu segundo programa de curtas-metragens, os seguintes filmes:&nbsp;<em>At\u00e9 onde o mundo alcan\u00e7a&nbsp;<\/em>(2023), de Daniel Frota de Abreu;&nbsp;<em>Ser\u00e3o&nbsp;<\/em>(2023), de Caio Bernardo;&nbsp;<em>As placas s\u00e3o invis\u00edveis&nbsp;<\/em>(2024), de Gabrielle Ferreira;&nbsp;<em>Sem T\u00edtulo #9: Nem Todas as Flores da Falta&nbsp;<\/em>(2024), de Carlos Adriano.<\/p>\n\n\n\n<p>Em conjunto, os curtas apresentam tem\u00e1ticas sociais, hoje frequentes em todas as esferas dos principais festivais de cinema do pa\u00eds, de Tiradentes \u00e0 Bras\u00edlia, e at\u00e9 ao Kinoforum.&nbsp;<em>At\u00e9 onde o mundo alcan\u00e7a<\/em>&nbsp;investiga as consequ\u00eancias coloniais na historiografia brasileira;&nbsp;<em>Ser\u00e3o<\/em>&nbsp;retrata o cotidiano exaustivo de alguns trabalhadores da Para\u00edba (uma releitura em cores do&nbsp;<em>Aruanda<\/em>&nbsp;de Linduarte Noronha);&nbsp;<em>As placas s\u00e3o invis\u00edveis&nbsp;<\/em>estuda a inviabiliza\u00e7\u00e3o de vozes negras no campus da USP;&nbsp;<em>Sem T\u00edtulo #9: Nem Todas as Flores da Falta<\/em>&nbsp;\u00e9 mais um dos pequenos filmes de montagem de Carlos Adriano, tratando da sensibilidade imag\u00e9tica entre a inoc\u00eancia e a destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa heran\u00e7a advinda do Cinema Novo coloca uma quest\u00e3o incontorn\u00e1vel quando se reflete a respeito da curadoria desses festivais: para se tratar de uma linguagem cinematogr\u00e1fica brasileira, ainda mais na esfera documental, \u00e9 sempre preciso retratar as mazelas sociais em que o pa\u00eds est\u00e1 inserido? Ou acabamos por refor\u00e7ar, atrav\u00e9s das mesmas met\u00e1foras formais de um estranho e polido surrealismo tropical, o qu\u00e3o colonizado fomos, somos e seremos? A impress\u00e3o que se tem a partir dessa perspectiva curatorial \u00e9 que a tem\u00e1tica apresentada por um filme hoje se sobressai \u00e0 procura por filmes que apresentem alguma inven\u00e7\u00e3o formal.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns filmes corroboram para a l\u00f3gica&nbsp; de que os festivais passam reportagens tem\u00e1ticas que dialogam com propostas sociais. \u00c9 o caso de&nbsp;<em>As placas s\u00e3o invis\u00edveis<\/em>, filme de conclus\u00e3o de curso da ECA-USP e vencedor da programa\u00e7\u00e3o. Um curta&nbsp; que apresenta os cl\u00e1ssicos artif\u00edcios de uma reportagem de televis\u00e3o: uma dramaticidade manique\u00edsta identit\u00e1ria, que por reflexo de recursos comuns (trilha sonora melanc\u00f3lica,&nbsp;<em>inserts<\/em>&nbsp;de al\u00edvio de estrutura) induzem a certos pensamentos do que por meio de uma dial\u00e9tica pr\u00f3pria. Sem d\u00favida, sua tese \u00e9 clara e fundamental para o convite \u00e0 reflex\u00e3o sobre a invisibilidade das barreiras que impedem a plena participa\u00e7\u00e3o de todos os indiv\u00edduos na sociedade. No entanto, conforme a estrutura did\u00e1tico-televisiva, seria mesmo a sala de cinema o local apropriado para veicular essas mensagens?<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o filmes que constituem exerc\u00edcios distantes de atingir a plena possess\u00e3o de suas formas. O que as imagens do trabalho \u00e1rduo de lavradores da Para\u00edba em&nbsp;<em>Ser\u00e3o<\/em>&nbsp;prop\u00f5em? O que elas desafiam? Qual \u00e9 a diferen\u00e7a do que foi retratado no&nbsp;<em>Aruanda<\/em>&nbsp;de 1959? Por que trazer as mesmas met\u00e1foras \u00f3bvias de colonialismo e antropoceno, com a \u201croupagem&nbsp;<em>sci-fi<\/em>\u201d exc\u00eantrica de uma \u201cAm\u00e9rica quente, sem gente e gigante\u201d em&nbsp;<em>At\u00e9 onde o mundo alcan\u00e7a<\/em>? \u00c9 isso que o cinema brasileiro vai representar nos pr\u00f3ximos dez anos? As consequ\u00eancias do antropoceno e colonialismo em todas as teses internas dos filmes vindouros? Numa aparente tradu\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o tr\u00e1gico-ex\u00f3tica do pa\u00eds, exportada para o mercado internacional?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente que o que este texto sugere n\u00e3o \u00e9 a exclus\u00e3o dessas tem\u00e1ticas desses festivais.&nbsp;<em>Sem T\u00edtulo #9: Nem Todas as Flores da Falta<\/em>, de Carlos Adriano, estabelece di\u00e1logos pr\u00f3ximos dos outros filmes da programa\u00e7\u00e3o, mas com uma sensibilidade e precis\u00e3o de linguagem, j\u00e1 caracter\u00edsticos da carreira do cineasta, que os outros filmes n\u00e3o possuem. Na sequ\u00eancia de dois fotogramas de arquivo, Adriano \u00e9 capaz de induzir \u00e0 reflex\u00e3o que qualquer um dos outros filmes levam a sua dura\u00e7\u00e3o total para atingir.<\/p>\n\n\n\n<p>O Cinema Novo possui uma proposta de renova\u00e7\u00e3o estil\u00edstica inesgot\u00e1vel. A quest\u00e3o \u00e9 que na pluralidade de outros movimentos cinematogr\u00e1ficos hist\u00f3ricos no pa\u00eds, a constante centraliza\u00e7\u00e3o dos festivais em filmes que dialogam com um \u00fanico movimento exclui outras abordagens de linguagem. O que falta \u00e9 uma linha curatorial que abrace filmes pela sua explora\u00e7\u00e3o formal, e n\u00e3o necessariamente tem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Biografia:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pedro A. Vidal \u00e9 estudante de Cinema e Audiovisual, tamb\u00e9m atua como escritor, pesquisador, fot\u00f3grafo e cineasta estreante. Pedro \u00e9 redator na Vertovina, revista de cinema independente, e est\u00e1 trabalhando na p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o do curta-metragem experimental N\u00e1usea. Ele tem experi\u00eancia como diretor de fotografia, assistente de c\u00e2mera e foto still em curtas-metragens, al\u00e9m de ser fot\u00f3grafo autoral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>_<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cobertura do 29\u00ba Festival Internacional de Document\u00e1rio \u00c9 Tudo Verdade faz parte do programa Jovens Cr\u00edticos que busca desenvolver e dar espa\u00e7o para novos talentos do pensamento cinematogr\u00e1fico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Equipe Jovens Cr\u00edticos Mnemocine:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Coordena\u00e7\u00e3o e Idealiza\u00e7\u00e3o: Fl\u00e1vio Brito<\/p>\n\n\n\n<p>Produ\u00e7\u00e3o e Edi\u00e7\u00e3o: Bruno Dias<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Davi Krasilchik, Luca Scupino, Fernando Oikawa e Gabriela Saragosa<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o Adjunta e Assistente de Produ\u00e7\u00e3o: Davi Krasilchik e Rayane Lima<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 ocasi\u00e3o da 29\u00aa edi\u00e7\u00e3o do \u00c9 Tudo Verdade, principal Festival Internacional de Document\u00e1rios da Am\u00e9rica Latina, foram exibidos, em seu segundo programa de curtas-metragens, os seguintes filmes:&nbsp;At\u00e9 onde o mundo alcan\u00e7a&nbsp;(2023), de Daniel Frota de Abreu;&nbsp;Ser\u00e3o&nbsp;(2023), de Caio Bernardo;&nbsp;As placas s\u00e3o invis\u00edveis&nbsp;(2024), de Gabrielle Ferreira;&nbsp;Sem T\u00edtulo #9: Nem Todas as Flores da Falta&nbsp;(2024), de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":205,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-17","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cinema"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/2.png","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":210,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17\/revisions\/210"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}