{"id":240,"date":"2024-08-13T12:22:47","date_gmt":"2024-08-13T15:22:47","guid":{"rendered":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=240"},"modified":"2025-06-08T22:40:09","modified_gmt":"2025-06-09T01:40:09","slug":"interior-da-terra-2022-13a-mostra-ecofalante-de-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=240","title":{"rendered":"&#8220;Interior da Terra&#8221; (2022) | 13\u00aa Mostra Ecofalante de Cinema"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"533\" src=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Interior-da-terra-1024x533.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-241\" srcset=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Interior-da-terra-1024x533.jpeg 1024w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Interior-da-terra-300x156.jpeg 300w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Interior-da-terra-768x400.jpeg 768w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Interior-da-terra-1536x800.jpeg 1536w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Interior-da-terra-2048x1067.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>&#8220;Interior da Terra&#8221; (2022) | 13\u00aa Mostra Ecofalante de Cinema<\/strong> por Pietra Bianco<\/p>\n\n\n\n<p>Convocando um chamado de aten\u00e7\u00e3o e escuta,&nbsp; o filme exibido em duas sess\u00f5es da 13\u00aa Mostra Ecofalante de Cinema prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre o <em>Interior da Terra<\/em> e das mem\u00f3rias que ela carrega consigo. A partir da perspectiva e dos ensinamentos do povo Mura, ind\u00edgenas que habitam as \u00e1reas do rio Madeira, no estado do Amazonas, a diretora Bianca Dacosta rememora que um ecossistema sempre ir\u00e1 depender da floresta e seus rios, mesmo que alguns de seus seres vivos sejam moradores das cidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O filme, para al\u00e9m de uma linguagem documental convencional, trabalha em altern\u00e2ncia uma segunda, mais emp\u00edrica em formato. Essa retrata, ora por quadros macro, ora micro, a interdepend\u00eancia das a\u00e7\u00f5es e suas consequ\u00eancias, evidenciando ao espectador aquilo que <em>superficialmente<\/em> n\u00e3o se quer enxergar: ao negligenciar a escuta do meio ambiente e fomentar o extrativismo das matas, estamos cavando a pr\u00f3pria cova.<\/p>\n\n\n\n<p>O curta se inicia com uma imagem do cosmos. Entre a vasta escurid\u00e3o que ele&nbsp; representa \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar pontos de luz, quase como um mapa com o qual se busca conhecimento. A imagem seguinte rompe com a primeira, n\u00e3o por materializar um plano mais realista, e sim por ilustrar a aus\u00eancia desse mapa: um quadro verde recheado de floresta, em um zenital &#8211; plano visto de cima &#8211; que se fecha em <em>zoom in<\/em>, corrompendo a continuidade visual de seu entorno e revelando uma \u00e1rea parcialmente despida. Um ret\u00e2ngulo de terra marrom resultante do desmatamento desmesurado no norte do pa\u00eds, que colabora para uma ocupa\u00e7\u00e3o sem ra\u00edzes ou mem\u00f3ria alguma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A narrativa dialoga, portanto, em altern\u00e2ncia com o simb\u00f3lico e o literal, partindo de um ponto de escuta cont\u00ednuo e espacial. Enquanto acompanhamos uma mulher do povo Mura em mais um dia de seu cotidiano, ouvimos atrav\u00e9s dela &#8211; e eventualmente por outras narra\u00e7\u00f5es &#8211; , a import\u00e2ncia da interdepend\u00eancia e respeito com tudo em seu entorno. A escolha de escut\u00e1-la permite a compreens\u00e3o do espectador sobre a cultura, o territ\u00f3rio e a mem\u00f3ria Mura, trabalhando, a partir dessa linha documental mais direta, a intera\u00e7\u00e3o da personagem com os rios, a floresta e os seus ritos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma representa\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia e do conhecimento ancestral, somos confrontados por um plano detalhado do fluxo do rio. &#8220;Desenvolvimento vem de cima para baixo, sem considerar nossa exist\u00eancia&#8221;, ouvimos a mulher introspectivamente, enquanto ela \u00e9 atravessada pela \u00e1gua com apenas seu rosto reflexivo acima da correnteza. Esse olhar duro da personagem denuncia o avan\u00e7o desenfreado do &#8220;desenvolvimento&#8221; e defende as exist\u00eancias que esse pressuposto amea\u00e7a. Retratado muitas vezes por quadros abertos das po\u00e7as sujas que se formam em um terreno destru\u00eddo pelo desmatamento, e mais sutilmente por meio do sil\u00eancio da floresta ca\u00edda ao ch\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto as imagens do cosmos quanto as imagens microsc\u00f3picas da terra, por sua vez, caracterizam a linguagem mais indireta do filme. Elas sugerem uma proximidade que vai al\u00e9m do simples ato de observar, e convidam o p\u00fablico a traduzir a terra em sua maior vulnerabilidade. A come\u00e7ar com imagens do cosmos, e sua vastid\u00e3o e mist\u00e9rio, o curta sugere que a narrativa a seguir \u00e9 parte de algo muito maior, uma pequena fra\u00e7\u00e3o de um grande todo. J\u00e1 as imagens microsc\u00f3picas nos trazem uma perspectiva \u00edntima e detalhada do solo, revelando as camadas ocultas e muitas vezes negligenciadas do nosso mundo imediato e superficial.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa dualidade simb\u00f3lica entre o macro e o micro, em suas diferentes escalas, representa a totalidade da exist\u00eancia e a forma como tudo est\u00e1 interligado e possui mutualidade. O filme utiliza dessas altern\u00e2ncias para criar uma ret\u00f3rica sobre como as a\u00e7\u00f5es, por menores que pare\u00e7am, assumem resson\u00e2ncias que ecoam desde o universo maior, at\u00e9 as menores part\u00edculas da terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa terra, que \u00e9 recheada de hist\u00f3ria, tradi\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria, demanda por escuta, e assim o curta se despede com a mulher e seu cachimbo em uma cantiga:&nbsp; \u201c&#8230;Mura para resistir, Mura para relembrar\u2026\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Biografia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pietra Bianco \u00e9 estudante de Cinema na Funda\u00e7\u00e3o Armando \u00c1lvares Penteado (FAAP), onde atuou majoritariamente na \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m sempre deslumbrada com o lado acad\u00eamico da reda\u00e7\u00e3o e sua poesia. Se aproximou ao longo do curso de mat\u00e9rias em artes visuais, hoje com foco em produ\u00e7\u00e3o cultural por projetos dentro e fora da faculdade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Coordena\u00e7\u00e3o e Idealiza\u00e7\u00e3o: Fl\u00e1vio Brito<\/p>\n\n\n\n<p>Produ\u00e7\u00e3o e Edi\u00e7\u00e3o: Bruno Dias<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Davi Krasilchik, Luca Scupino e Gabriela Saragosa<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o Adjunta e Assistente de Produ\u00e7\u00e3o: Davi Krasilchik e Caio Cavalcanti<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Interior da Terra&#8221; (2022) | 13\u00aa Mostra Ecofalante de Cinema por Pietra Bianco Convocando um chamado de aten\u00e7\u00e3o e escuta,&nbsp; o filme exibido em duas sess\u00f5es da 13\u00aa Mostra Ecofalante de Cinema prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre o Interior da Terra e das mem\u00f3rias que ela carrega consigo. 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