{"id":331,"date":"2024-08-14T21:05:44","date_gmt":"2024-08-15T00:05:44","guid":{"rendered":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=331"},"modified":"2024-08-14T21:05:46","modified_gmt":"2024-08-15T00:05:46","slug":"1968-um-ano-na-vida-2023-eduardo-escorel-e-tudo-verdade-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=331","title":{"rendered":"1968: Um ano na vida (2023, Eduardo Escorel) &#8211; \u00c9 Tudo Verdade 2023"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Saindo da grande imagem hist\u00f3rica para uma abordagem particular, o document\u00e1rio do diretor Eduardo Escorel 1968: Um ano na vida revisita os marcos do ano de 1968 atrav\u00e9s das lembran\u00e7as de sua irm\u00e3 Silvia Escorel, registradas em seu di\u00e1rio pessoal durante a \u00e9poca.\u00a0<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"941\" height=\"514\" src=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_ETV_R1_1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-332\" srcset=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_ETV_R1_1.jpg 941w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_ETV_R1_1-300x164.jpg 300w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_ETV_R1_1-768x420.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 941px) 100vw, 941px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Rayane Lima<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Respons\u00e1vel pela abertura do 28\u00ba Festival Internacional de Document\u00e1rios na cidade do Rio de Janeiro &#8211; no dia 13 deste m\u00eas &#8211; o diretor e montador Eduardo Escorel apresenta seu novo filme <em>1968: Um ano na vida<\/em>&nbsp; no Cine Marquise em S\u00e3o Paulo, que conta com uma vis\u00e3o pessoal e familiar acerca de eventos hist\u00f3ricos no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do fato de que seu tema j\u00e1 foi amplamente discutido em diversas obras &#8211; como o pr\u00f3prio diretor apontou em seu discurso de abertura -, o document\u00e1rio traz uma nova perspectiva sobre o ano de 1968, que ficou marcado pelos in\u00fameros conflitos e acontecimentos que se desenrolaram em todo o mundo, como a intensifica\u00e7\u00e3o da ditadura militar no Brasil, invas\u00f5es sovi\u00e9ticas na Tchecoslov\u00e1quia, protestos contra a Guerra do Vietn\u00e3 nos Estados Unidos, revoltas estudantis na Fran\u00e7a e uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ao redor do globo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir do registro das mem\u00f3rias de Silvia Escorel &#8211; irm\u00e3 de Eduardo &#8211; em seu di\u00e1rio pessoal, que ela denominou de <em>Lost<\/em> (perdido), o longa tra\u00e7a uma linha do tempo que percorre o ano de 1968 atrav\u00e9s do olhar de uma jovem mulher que acabou de terminar seu casamento e entrou em profundas reflex\u00f5es sobre sua pr\u00f3pria vida. Isso tudo enquanto presenciava os embates e eventos que se desenrolavam naquele fat\u00eddico ano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra conta com narra\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Silvia, com base em uma carta recente que escreveu para seu irm\u00e3o, comentando tudo o que foi anotado durante o per\u00edodo. Portanto, por mais que a produ\u00e7\u00e3o aborde um tema com uma carga emocional t\u00e3o profunda, o sarcasmo de Silvia narrando &#8211; 54 anos depois &#8211; as ironias de sua vida aos vinte anos trazem um ar leve e descontra\u00eddo, como quando ela resolveu mudar seu visual por influ\u00eancia do musical Hair, que estreou naquele ano, ou as desilus\u00f5es amorosas que resultaram em transcri\u00e7\u00f5es de poemas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o texto conte com esses respiros &#8211; que tamb\u00e9m contextualizam e d\u00e3o um recorte do momento no qual Silvia estava vivendo -, a narra\u00e7\u00e3o em primeira pessoa traz um impacto maior no espectador diante da descri\u00e7\u00e3o de intensas situa\u00e7\u00f5es pelas quais ela passou. Um dos exemplos, que se torna um grande ponto chave, \u00e9 quando ela detalha a ocasi\u00e3o em que dois de seus amigos foram abruptamente parados e levados pela pol\u00edcia em um dia que caminhavam juntos pela cidade do Rio de Janeiro. Com a jun\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados do di\u00e1rio e da carta, o longa nos abre uma janela para a&nbsp; ang\u00fastia e medo de Silvia nos meses que se seguiram sem not\u00edcias dos amigos, ao mesmo tempo comenta as torturas e interrogat\u00f3rios que eles foram submetidos no DOPS (Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social), e que s\u00f3 puderam revelar mais tarde ao serem liberados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esteticamente, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 composta por uma exposi\u00e7\u00e3o de arquivos, pois insere imagens registradas na \u00e9poca &#8211; tanto fotos como v\u00eddeos &#8211; para ilustrar os relatos de Silvia. Al\u00e9m disso, o pr\u00f3prio di\u00e1rio tamb\u00e9m se torna fonte imag\u00e9tica, uma vez que as p\u00e1ginas do caderno servem de exemplifica\u00e7\u00e3o do texto narrado, o que contribui para a dimens\u00e3o visual, visto que as p\u00e1ginas do di\u00e1rio n\u00e3o abrigam apenas texto, mas colagens de peda\u00e7os de revistas, jornais e livros que a narradora coletava e montava. Desta forma, as cenas do document\u00e1rio incorporam a est\u00e9tica fragment\u00e1ria do ano de 1968.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme assistimos ao longa, \u00e9 evidente notar a sensibilidade de Silvia em rela\u00e7\u00e3o aos acontecimentos do mundo. Mesmo n\u00e3o fazendo parte ativa de alguns eventos, como as movimenta\u00e7\u00f5es dos estudantes ou os conflitos no exterior, ela sempre se sentia parte ou conectada com a ocasi\u00e3o, trazendo assim a proximidade dos espectadores com epis\u00f3dios que podem ser t\u00e3o distantes para alguns, principalmente hoje em dia, inserindo-os de maneira pr\u00f3ximo do que foi presenciar e viver em um ano t\u00e3o conflituoso de uma perspectiva jovem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Biografia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rayane Lima \u00e9 formada em jornalismo e sempre demonstrou muito interesse pela escrita, principalmente de livros e filmes. Hoje ela estuda cinema na FAAP combinando suas duas \u00e1reas de paix\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u2014<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cobertura do 28\u00ba Festival Internacional de Document\u00e1rios \u00c9 Tudo Verdade faz parte do programa Jovens Cr\u00edticos que busca desenvolver e dar espa\u00e7o para novos talentos do pensamento cinematogr\u00e1fico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Equipe Jovens Cr\u00edticos Mnemocine:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Coordena\u00e7\u00e3o idealiza\u00e7\u00e3o: Fl\u00e1vio Brito<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Produ\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o adjunta: Bruno Dias<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Edi\u00e7\u00e3o: Luca Scupino<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saindo da grande imagem hist\u00f3rica para uma abordagem particular, o document\u00e1rio do diretor Eduardo Escorel 1968: Um ano na vida revisita os marcos do ano de 1968 atrav\u00e9s das lembran\u00e7as de sua irm\u00e3 Silvia Escorel, registradas em seu di\u00e1rio pessoal durante a \u00e9poca.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":332,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-331","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cinema"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_ETV_R1_1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/331","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=331"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/331\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":333,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/331\/revisions\/333"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/332"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=331"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=331"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=331"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}