{"id":388,"date":"2024-08-14T22:08:47","date_gmt":"2024-08-15T01:08:47","guid":{"rendered":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=388"},"modified":"2024-08-14T22:14:47","modified_gmt":"2024-08-15T01:14:47","slug":"competicao-internacional-de-curtas-metragens-programa-2-e-tudo-verdade-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=388","title":{"rendered":"Competi\u00e7\u00e3o Internacional de Curtas-Metragens (Programa 2) | \u00c9 Tudo Verdade 2024"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Entre a gra\u00e7a e a viol\u00eancia (2023, Turquia e Pa\u00edses Baixos), Azul (2023, Cuba e B\u00e9lgica), Avalanche (2023, Col\u00f4mbia), S\u00f3 a lua entender\u00e1 (2023, Costa Rica e EUA) e Parentesco Indesejado (2023, Alemanha).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por Gabriela Saragosa<\/p>\n\n\n\n<p>No Programa 2 de sua&nbsp; Competi\u00e7\u00e3o Internacional de Curtas-Metragens, a vig\u00e9sima nona edi\u00e7\u00e3o do festival \u00c9 Tudo Verdade oferece, atrav\u00e9s de cinco document\u00e1rios, um olhar aos temas da mem\u00f3ria, depress\u00e3o, opress\u00e3o pol\u00edtica e guerra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Entre a gra\u00e7a e a viol\u00eancia<\/em> (2023, Turquia e Pa\u00edses Baixos), dirigido pela cineasta \u015eirin Bahar Demirel, prop\u00f5e um olhar visceral \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas da mem\u00f3ria. Nas fotografias de um \u00e1lbum de fam\u00edlia \u2015 ou seja, momentos frequentemente performados que, em teoria, capturam o melhor de cada um \u2015, quanta sinceridade existe? Quais nuances podem ser percebidas a partir daquilo que criamos, como pinceladas em um quadro ou pontos em um bordado? Atrav\u00e9s de um trabalho experimental com fotografias, colagens e anima\u00e7\u00f5es, arrematadas por efeitos sonoros (como portas batendo e objetos se quebrando), a diretora explora de maneira audiovisual a subjetividade de suas pr\u00f3prias mem\u00f3rias, com simult\u00e2nea delicadeza e honestidade, criando uma potente contempla\u00e7\u00e3o sobre o processo de fabrica\u00e7\u00e3o das lembran\u00e7as.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo uma similar linha experimental, o filme <em>Azul<\/em> (2023, Cuba e B\u00e9lgica), dirigido por Violena Ampudia, foi criado a partir de um <em>workshop <\/em>no qual<em> <\/em>mulheres que sofrem de depress\u00e3o p\u00f3s-parto utilizaram a t\u00e9cnica da cianotipia \u2015 um processo manual de impress\u00e3o fotogr\u00e1fica que resulta em imagens em tons de azul \u2015 para ilustrar seus sentimentos. O filme captura sensa\u00e7\u00f5es de afli\u00e7\u00e3o associadas \u00e0 maternidade ao narrar, por exemplo, o medo de que os dentes de uma crian\u00e7a machuquem os seios de uma mulher durante a amamenta\u00e7\u00e3o. Desta forma, consegue tamb\u00e9m abordar a maternidade compuls\u00f3ria e os estigmas sociais que criam sentimentos de culpa em mulheres que n\u00e3o t\u00eam a experi\u00eancia esperada ao dar \u00e0 luz: quando ouvimos, por exemplo, a frase em tom hesitante \u201ceu n\u00e3o amo meu\u2026 shhh!\u201d. Toda a ang\u00fastia enfrentada por essas mulheres \u00e9 traduzida visualmente pela melanc\u00f3lica monocromia da cianotipia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No curta <em>Avalanche<\/em> (2023, Col\u00f4mbia), o diretor Daniel Cort\u00e9s re\u00fane imagens de arquivo para fazer um retrato da resist\u00eancia do povo colombiano a mais de um s\u00e9culo de repress\u00e3o pol\u00edtica e assassinato de l\u00edderes sociais. Cort\u00e9s seleciona n\u00e3o somente imagens que mostram o grande n\u00famero de pessoas que tomam as ruas, como imagens a\u00e9reas, mas tamb\u00e9m planos de retrato que colocam em evid\u00eancia o aspecto subjetivo da luta, dando rosto \u00e0s tantas partes que formam a multid\u00e3o: fei\u00e7\u00f5es de luto, raiva e resist\u00eancia. Sons intensos e desesperadores refor\u00e7am o car\u00e1ter de urg\u00eancia do filme, que age como um lembrete da necessidade constante e eterna de resist\u00eancia pol\u00edtica \u2014 n\u00e3o somente na Col\u00f4mbia, mas em toda a Am\u00e9rica Latina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>S\u00f3 a lua entender\u00e1 <\/em>(2023, Costa Rica e EUA), dirigido por Kim Torres, desenvolve uma atmosfera on\u00edrica e nost\u00e1lgica. Entrela\u00e7ando o documental \u00e0 fic\u00e7\u00e3o e a velhice \u00e0 inf\u00e2ncia atrav\u00e9s do raro evento da Lua vermelha, o curta-metragem apresenta a vida dos moradores da pequena cidade de Manzanillo, no litoral da Costa Rica. Ao mesmo tempo em que o olhar infantil cria aventuras belas e po\u00e9ticas, reflete-se que Manzanillo \u00e9 uma cidade pacata, onde nada acontece e que um dia desaparecer\u00e1, engolida pelo mar. A partir de um olhar nost\u00e1lgico para o passado, o filme trabalha a dualidade desse sentimento: a paz de uma inf\u00e2ncia buc\u00f3lica e uma busca por serenidade na medida em que o narrador compreende: \u201cacho que nunca vou sair daqui, eu vou morrer aqui\u201d. A contagem regressiva aud\u00edvel durante uma brincadeira de esconde-esconde refor\u00e7a essa sensa\u00e7\u00e3o de dualidade entre a monotonia e o desassossego.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Encerrando o programa, no filme <em>Parentesco Indesejado<\/em> (2023, Alemanha) o diretor Pavel Mozhar re\u00fane relatos de civis ucranianos sobre a ocupa\u00e7\u00e3o russa e bielorrussa na Ucr\u00e2nia. Esses relatos s\u00e3o lidos por atores e ora interpretados em encena\u00e7\u00f5es, ora ilustrados por maquetes. Em v\u00e1rios planos, vemos a equipe trabalhando \u2015 montando as c\u00e2meras, conversando com os atores a respeito de como se dar\u00e1 a cena e resolvendo quest\u00f5es no set. O filme coloca em evid\u00eancia a quest\u00e3o do sofrimento civil perante a guerra e a quest\u00e3o complexa do \u201cparentesco indesejado\u201d: os soldados que invadem o pa\u00eds t\u00eam jeitos familiares, sotaques conhecidos e uma sensa\u00e7\u00e3o de proximidade. A partir dessa ideia, ganha for\u00e7a a percep\u00e7\u00e3o da dissolu\u00e7\u00e3o da empatia e da banaliza\u00e7\u00e3o das mortes que ocorrem em uma guerra, chegando ao ponto de se enterrarem corpos em parques infantis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>S\u00f3 a lua entender\u00e1<\/em>, de Kim Torres, foi eleito pelo j\u00fari oficial como o vencedor de Melhor Document\u00e1rio da Competi\u00e7\u00e3o Internacional de Curtas-Metragens da edi\u00e7\u00e3o de 2024 do Festival \u00c9 Tudo Verdade, e completa uma sele\u00e7\u00e3o de cinco filmes que retratam a vida e a luta pol\u00edtica no mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Biografia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gabriela Saragosa estudou Cinema no Centro Universit\u00e1rio Armando Alvares Penteado (FAAP), com experi\u00eancia nas \u00e1reas de pesquisa, roteiro, dire\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o de arte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>_<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cobertura do 29\u00ba Festival Internacional de Document\u00e1rio \u00c9 Tudo Verdade faz parte do programa Jovens Cr\u00edticos que busca desenvolver e dar espa\u00e7o para novos talentos do pensamento cinematogr\u00e1fico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Equipe Jovens Cr\u00edticos Mnemocine:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Coordena\u00e7\u00e3o e Idealiza\u00e7\u00e3o: Fl\u00e1vio Brito<\/p>\n\n\n\n<p>Produ\u00e7\u00e3o e Edi\u00e7\u00e3o: Bruno Dias<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Davi Krasilchik, Luca Scupino, Fernando Oikawa e Gabriela Saragosa<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o Adjunta e Assistente de Produ\u00e7\u00e3o: Davi Krasilchik e Rayane Lima<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre a gra\u00e7a e a viol\u00eancia (2023, Turquia e Pa\u00edses Baixos), Azul (2023, Cuba e B\u00e9lgica), Avalanche (2023, Col\u00f4mbia), S\u00f3 a lua entender\u00e1 (2023, Costa Rica e EUA) e Parentesco Indesejado (2023, Alemanha). 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