{"id":548,"date":"2024-09-07T22:50:20","date_gmt":"2024-09-08T01:50:20","guid":{"rendered":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=548"},"modified":"2025-06-08T22:00:18","modified_gmt":"2025-06-09T01:00:18","slug":"entrevista-com-fernando-solanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=548","title":{"rendered":"Entrevista com Fernando Solanas"},"content":{"rendered":"\n<p>Entrevista realizada em 08\/07\/2000, quando o diretor argentino Fernando Solanas esteve em S\u00e3o Paulo, onde realizou um workshop sobre dire\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica no CineSesc e conversou com a Mnemocine sobre alguns temas.<br><br>Entrevista por Carla Miucci e Flavio Brito. Capta\u00e7\u00e3o DV por Gianni Puzzo e fotografias por Filipe Salles.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong>A forma\u00e7\u00e3o do cineasta e o papel das escolas de cinema hoje<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nos fins dos anos 50, na Argentina, n\u00e3o havia escolas de cinema. A primeira foi a Escola Documental de Santa F\u00e9, a 500 km de Buenos Aires. E teve bastante influ\u00eancia tamb\u00e9m na Am\u00e9rica Latina, porque vinham alguns diretores e estudantes de seus pa\u00edses. Depois Fernando Birri, um de seus principais expoentes, veio trabalhar aqui no Brasil, com novas id\u00e9ias sobre o document\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o era autodidata. Alguns cineclubes ofereciam pequenos cursos, era muito elementar, n\u00e3o existia v\u00eddeo, sair com uma c\u00e2mara 8mm para fazer uma pequena filmagem custava dinheiro e n\u00f3s jovens n\u00e3o t\u00ednhamos dinheiro para pel\u00edcula, dinheiro para laborat\u00f3rio, n\u00e3o \u00e9 como hoje, a facilidade que temos com o v\u00eddeo e n\u00e3o se gasta nada, n\u00e3o custa nada para fazer suas experi\u00eancias, ent\u00e3o n\u00f3s nos acostumamos a ver cinema na sala de cinema, havia muitos bons filmes de arte na Argentina naqueles anos. N\u00f3s fic\u00e1vamos assistindo 2 ou 3 vezes um filme e escrev\u00edamos no escuro o que v\u00edamos, Fellini, Visconti, De Sica, Bergman, os franceses da Nouvelle Vague. Eu fui autodidata, e minha forma\u00e7\u00e3o, fui realizando-a estudando em outras escolas. Eu tinha come\u00e7ado estudando m\u00fasica, mas quando decidi estudar cinema, ingressei na Escola Nacional de Teatro, eu queria fazer filme de fic\u00e7\u00e3o; como o filme de fic\u00e7\u00e3o utiliza literatura e conta est\u00f3rias, utiliza o teatro, porque essas est\u00f3rias, o teatro as conta com atores, com personagens, e atrav\u00e9s de cenas e de di\u00e1logos. Era fundamental conhecer as t\u00e9cnicas de postura em cena e da dire\u00e7\u00e3o dos atores. Assim fiquei v\u00e1rios anos fazendo a Escola Nacional de Teatro, que me foi de uma enorme utilidade. E pintura, participei de oficinas de pintura, para conhecer o mundo e a sensibilidade do trabalho da imagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Bom, \u00e9 certo que as escolas de cinema, a moda ou sua necessidade, v\u00eam mais nos anos 60 ou 70. Hoje na Argentina h\u00e1 muitas escolas de cinema e existe algo como 7 mil estudantes de cinema. Nem todas as escolas de cinema s\u00e3o interessantes; quando se escuta os estudantes, eles protestam em todas as escolas de cinema do mundo; voc\u00ea vai \u00e0 UCLA \u2014 eu tenho dado cursos na escola de cinema da UCLA (Universidade da Calif\u00f3rnia) \u2014 protestam (risos). Na Fran\u00e7a, protestam; no Centro Experimental de Roma, protestam&#8230; Eu digo, veja isto em rela\u00e7\u00e3o a \u201cnada\u201d de nossa \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>A principal fun\u00e7\u00e3o das escolas de cinema \u00e9 a de permitir aos alunos concentrar-se, estar em contato com sua gera\u00e7\u00e3o, aprender t\u00e9cnicas b\u00e1sicas e estar motivados. A escola \u00e9 boa quando motiva os estudantes a come\u00e7arem a fazer (pausa)&#8230; Nem sempre isso acontece; h\u00e1 escolas muito r\u00edgidas, em que depois de um ano (os alunos) fazem um pequeno curta de 5 minutos&#8230; Hoje em dia, por exemplo, em Buenos Aires h\u00e1 uma excelente escola que \u00e9 a Universidade de Cinema; uma escola privada, onde os estudante passam 4 horas di\u00e1rias e onde h\u00e1 muita mat\u00e9ria te\u00f3rica de comunica\u00e7\u00e3o e de forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria cultural, que d\u00e1 ao cineasta uma vasta base intelectual-cultural. Isso poderia ser pensado como um excessivo desenvolvimento da linguagem escrita e n\u00e3o da linguagem visual (indignado), mas ao mesmo tempo, estimula os alunos a fazer v\u00eddeo; j\u00e1 os curta-metragens nem ao menos est\u00e3o nas escolas.<\/p>\n\n\n\n<p>O cinema e a linguagem art\u00edstica s\u00e3o sempre um jogo expressivo e isto n\u00e3o se pode perder, me entende? Como se faz m\u00fasica? A primeira coisa que se tem que ter para fazer m\u00fasica \u00e9 vontade de fazer m\u00fasica, me entende? (Risos). N\u00e3o se pode entender algu\u00e9m que gosta de dan\u00e7a se n\u00e3o tem vontade de dan\u00e7ar. Eu n\u00e3o posso explicar a voc\u00eas a m\u00fasica que compus, voc\u00eas me dir\u00e3o: queremos senti-la. Ocorre o mesmo com o cinema; o cinema n\u00e3o s\u00e3o palavras, n\u00e3o \u00e9 um roteiro, n\u00e3o \u00e9 uma linguagem escrita; o cinema \u00e9 uma linguagem visual. Eu n\u00e3o posso contar-lhe como \u00e9 a fotografia que eu tirei agora, voc\u00ea tem que v\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<p>O cinema \u00e9 arte pl\u00e1stica, ent\u00e3o aqueles que se dedicam a ensinar o cinema atrav\u00e9s das palavras s\u00e3o muito limitados, eu diria ruins. O cinema, assim como a m\u00fasica, como a pintura, n\u00e3o pode prescindir de que o estudante trabalhe com sua linguagem. Com o que trabalha o estudante de pintura? Desenhando.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando eu dou workshops para adolescentes, \u00e9 uma maravilha&#8230; Maravilhoso&#8230; depois de quinze minutos de eu estar falando, eles fazem (faz cara de t\u00e9dio e bufa) e eu digo: o que se passa? Eles dizem: queremos filmar, onde est\u00e3o as c\u00e2meras?<\/p>\n\n\n\n<p>A necessidade de express\u00e3o com a imagem permite a mim, professor, ajud\u00e1-lo tecnicamente a resolver os problemas e esse \u00e9 o melhor aprendizado. Com a m\u00fasica \u00e9 igual, o pianista aprende tocando piano. Eu te ajudo a aprender as t\u00e9cnicas de tocar o piano, eu te ajudo a aprender as t\u00e9cnicas de fazer uma boa filmagem, um bom enquadramento, a linguagem dos movimentos de c\u00e2mara.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas eu vou a um problema, todavia mais importante, que \u00e9 a minha cr\u00edtica \u00e0s escolas de cinema. As escolas de cinema, algumas resultam mais te\u00f3ricas que pr\u00e1ticas, e isso j\u00e1 \u00e9 para ser criticado, me entende? Porque hoje todo mundo pode ter uma c\u00e2mera de 500 d\u00f3lares. Um estudante de cinema geralmente pode ter uma c\u00e2mara de fotografia ou de v\u00eddeo, ent\u00e3o, outro problema: as escolas de cinema ou s\u00e3o te\u00f3ricas ou s\u00e3o t\u00e9cnicas, somente t\u00e9cnicas; ensinam a t\u00e9cnica de capta\u00e7\u00e3o da imagem: eu sou a imagem que estou falando e esta (aponta para a c\u00e2mera que o filma) \u00e9 a minha capta\u00e7\u00e3o. As escolas de cinema, na maior parte, ensinam com muita sofistica\u00e7\u00e3o todas as possibilidades de capta\u00e7\u00e3o da imagem, mas n\u00e3o nos d\u00e1 nenhuma t\u00e9cnica de como se constr\u00f3i, se busca, se trabalha a imagem que deve captar e isso \u00e9 um erro monstruoso. Exemplo: quando no teatro se levantam as cortinas, de tr\u00e1s saem tr\u00eas, quatro, seis meses de prepara\u00e7\u00e3o dessas imagens e dessas cenas, com os atores, o vestu\u00e1rio, a cenografia, de acordo? Se trabalhou essas imagens, se chegou a construir essas imagens com o cen\u00f3grafo, o figurinista, com luz, mas tamb\u00e9m com os atores; passado quatro meses de repeti\u00e7\u00f5es&#8230; essa realidade que se h\u00e1 de criar, que \u00e9 a imagem, \u00e9 absolutamente abandonada, hum?<\/p>\n\n\n\n<p>A busca de todo artista ao longo de sua vida \u00e9 a busca da identidade de suas imagens. Isto posto, no cinema, como \u00e9 a sua linguagem, a capta\u00e7\u00e3o, a forma como essa imagem \u00e9 captada, \u00e9 t\u00e3o importante quanto a pr\u00f3pria imagem. Se vem aqui um grand\u00edssimo&#8230; Storaro<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, se estamos frente a um Storaro, com uma panavision, e esta imagem \u00e9 p\u00e9ssima, o que estou falando n\u00e3o tem nenhum interesse, nenhuma import\u00e2ncia&#8230; Todo trabalho t\u00e9cnico de capta\u00e7\u00e3o desta imagem n\u00e3o serve, entendeu? Ent\u00e3o este \u00e9 um grande problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Termino dizendo que em poucas escolas de cinema se ensina o que se p\u00f4r em cena, que \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da realidade que devo filmar. Estou falando de cinema de fic\u00e7\u00e3o, porque no document\u00e1rio n\u00e3o, tampouco no desenho animado, tampouco estou falando dos document\u00e1rios Discovery da BBC, que v\u00e3o filmar os tigres na \u00c1frica, me entende? A\u00ed tem que usar outras t\u00e9cnicas para que o tigre n\u00e3o te coma (risos), estou falando do cinema de fic\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cinema argentino e identidade do cinema latino-Americano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu n\u00e3o sou um especialista em cinema argentino e em cinema latino-americano porque tenho pouco tempo, n\u00e3o vejo tudo porque \u00e9 muito dif\u00edcil de acompanhar, n\u00e3o temos resolvido ainda o problema da exibi\u00e7\u00e3o&#8230; tudo isso. As melhores express\u00f5es do cinema latino-americano sempre est\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o com a sensibilidade e a cultura de seu pa\u00eds. O que d\u00e1 sabor e interesse em uma obra \u00e9 a personalidade que ela tem, e essa personalidade n\u00e3o vem do c\u00e9u, geralmente tem a ver com a personalidade do lugar, da sociedade onde vive.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje o conflito \u00e9 que se expande um s\u00f3 tipo de cinema, o cinema de mercado. A escola de cinema n\u00e3o \u00e9 a escola de voc\u00eas nem a minha; a escola de cinema, desde muito pequeno, \u00e9 a televis\u00e3o; a\u00ed os homens come\u00e7am aprender a ver cinema (risos), mal; eu suponho, entende o que te digo? O menino passa mais horas frente \u00e0 televis\u00e3o que na escola, e muito menos que na escola de cinema, e quando voc\u00ea recebe um estudante de cinema, vem muito deformado, o pobre (risos); j\u00e1 vem meio cego, e este \u00e9 um problema s\u00e9rio, o tomamos um pouco com risos mas \u00e9 s\u00e9rio. Quero dizer com isso que na minha \u00e9poca o estudante, o jovem, formava seu gosto pelo cinema na sala de cinema&#8230; o cinema n\u00e3o \u00e9 a televis\u00e3o, e o que se fabrica no mundo, 90%, \u00e9 televis\u00e3o em tela grande; a linguagem da televis\u00e3o cujo dom\u00ednio \u00e9 o di\u00e1logo, segue os atores em suas falas; onde a imagem n\u00e3o tem import\u00e2ncia, \u00e9 apenas um fundo, plano e contra-plano, ou o esquema americano, suspenso com a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse modelo se expande em toda parte do mundo. Em televis\u00e3o, a linguagem televisiva \u00e9 o di\u00e1logo, n\u00e3o h\u00e1 tempo morto em televis\u00e3o, e esse tempo curto, a montagem curta e em <em>zapping<\/em>, na luta pela competi\u00e7\u00e3o das redes, forma crian\u00e7as acostumadas a ver <em>zappings<\/em> e a mesclar imagens; algu\u00e9m quando v\u00ea cinema em televis\u00e3o v\u00ea pel\u00edculas cortadas por outras pel\u00edculas, um papel higi\u00eanico, um cigarrinho, uma conserva, uma bebida, hein? N\u00e3o v\u00ea cinema numa sala.<\/p>\n\n\n\n<p>Para mim cinema \u00e9 uma tela grande, em pintura \u00e9 um mural, n\u00e3o \u00e9 uma miniatura; s\u00e3o dois planos visuais distintos, a rela\u00e7\u00e3o do enquadramento varia, entendeu? E depois, como um espet\u00e1culo, o teatro n\u00e3o tem divis\u00f5es, tem uma continuidade, n\u00e3o h\u00e1 nada que o interrompa, e a intimidade obscura da sala comportando a emo\u00e7\u00e3o, isso \u00e9 cinema. Portanto esse \u00e9 o dom\u00ednio do plano grande e da pintura; para mim cinema \u00e9 arte pl\u00e1stica em movimento, e n\u00e3o a televis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Arte pl\u00e1stica \u00e9 o valor de cada imagem como quadro, o ator \u00e9 parte integrante da imagem; em televis\u00e3o, a\u00ed a imagem \u00e9 o fundo que acompanha o ator, entendeu? E tamb\u00e9m a express\u00e3o do \u00e1udio hoje, o cinema \u00e9 imagem pl\u00e1stica e imagem sonora, \u00e9 uma complexidade sonora. Existe uma diferen\u00e7a e tem que ser reconhecida; o espectador vem \u00e0 sala de cinema querendo ver o que v\u00ea em sua casa, est\u00e1 acostumado a tudo r\u00e1pido, a\u00e7\u00e3o\u2026 O cinema \u00e9 tela grande, grande express\u00e3o da imagem pl\u00e1stica, imagem sonora, e tamb\u00e9m um ritmo distinto de tempo, n\u00e3o \u00e9 isto (estala os dedos com rapidez e em dire\u00e7\u00f5es opostas), por suposto a televis\u00e3o e o quadrinho invadiram o cinema.<\/p>\n\n\n\n<p>A Europa prestigiou muito os quadrinhos e ali se encontram muitos artistas que se expressam em quadrinhos adultos. Digo que os americanos desenvolveram o quadrinho infantil e isto invadiu o cinema. Quando fal\u00e1vamos de cinema de fic\u00e7\u00e3o e tent\u00e1vamos fazer um filme de fic\u00e7\u00e3o equivalente as novelas, n\u00e3o aos quadrinhos, me entende? Equivalente a novela, em n\u00edvel cultural equivalente a uma boa obra de teatro, a uma boa novela, a uma boa mostra de pintura\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A rela\u00e7\u00e3o do cinema com a pol\u00edtica; cinema como bem cultural ou comercial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom cinema se pode fazer muitas coisas, se pode fazer informa\u00e7\u00f5es, se pode fazer com\u00e9rcio e publicidade, se pode fazer todas as coisas. O cinema \u00e9 a linguagem cultural mais completa que existe, \u00e9 portanto um bem cultural muito precioso; no cinema cultural, no cinema documental ou de fic\u00e7\u00e3o, deve-se proteger a diversidade, n\u00f3s entendemos, e este \u00e9 um pensamento europeu, que n\u00e3o pode haver grande cria\u00e7\u00e3o sem liberdade de cria\u00e7\u00e3o. Nos Estados Unidos o autor n\u00e3o \u00e9 o autor, \u00e9 o produtor; e na Europa existe a concep\u00e7\u00e3o de que o autor \u00e9&nbsp;o roteirista e\/ou o diretor. Ent\u00e3o toda a legisla\u00e7\u00e3o do cinema est\u00e1 pensando no sentido de assegurar que a liberdade daqueles que conceberam o filme esteja assegurada em sua produ\u00e7\u00e3o, entendeu? A diversidade cultural, essa \u00e9 a concep\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica da cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o o autoritarismo de impor um filme, um s\u00f3 tipo de cinema repetido mil vezes. Quando vejo uma pel\u00edcula americana eu penso que j\u00e1 a vi, n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 essa, s\u00e3o outros atores, n\u00e3o seria um remake? Ah sim, mudou um pouquinho (tom de ironia). Tem que se assegurar a diversidade cultural. \u00c9 algo muito complexo e n\u00e3o d\u00e1 para sintetizar agora, com quatro f\u00f3rmulas, um tema bastante complexo. E depois tem a experi\u00eancia de cada autor, uns mais inquietos por problemas intimistas, outros por problemas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto que <em>A Nuvem<\/em> \u00e9 muito argentina, \u00e9 um filme po\u00e9tico, sobre personagens apressados em uma realidade social dram\u00e1tica; essa realidade social tem a ver com um tempo que \u00e9 esse da aplica\u00e7\u00e3o do modelo neoliberal, se quer uma explica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Esse modelo neoliberal \u00e9 aplicado em muitos pa\u00edses no mundo. Por isso vamos \u00e0 R\u00fassia e os russos aplaudem e dizem: isso \u00e9 R\u00fassia, durante a proje\u00e7\u00e3o quando veem <em>A Nuvem<\/em>. Na It\u00e1lia dizem \u201cisto \u00e9 It\u00e1lia\u201d, e \u00e9 prov\u00e1vel que no Brasil se diga: isto \u00e9 Brasil&#8230; Porque s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es semelhantes, a corrup\u00e7\u00e3o na sociedade, os modos de prostituir o indiv\u00edduo, comprando, vendendo\u2026 Por isso que <em>A Nuvem<\/em> come\u00e7a e termina com uma can\u00e7\u00e3o que diz \u201cDigo n\u00e3o\u201d, pois nem tudo se pode vender, diga n\u00e3o, eu digo n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013<\/p>\n\n\n\n<p>[1] Vittorio Scolaro, diretor de fotografia, nascido em Roma em 1940, trabalhou com diretores como Bernardo Bertolucci em <em>The Conformist<\/em> e <em>O \u00faltimo tango em Paris<\/em> e Francis Ford Coppola em <em>Apocalypse Now<\/em>, <em>One from the heart <\/em>e <em>Tucker: the man and his dream<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>Filmografia de Fernando Solanas:<\/strong><br><em>La Hora de Los Hornos<\/em> (1968)<br><em>Los hijos de Fierro<\/em> (1972)<br><em>Tangos, el&nbsp;exilio de Gardel<\/em> (1985)<br>Sur (1988)<br><em>El viaje<\/em> (1992)<br><em>La nube<\/em> (1998)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bibliografia:<\/strong><br>LABAKI, Amir e CEREGHINO, Mario. Solanas por Solanas, entrevista a Amir Labaki e Mario Cereghino. S\u00e3o Paulo, Editora Iluminuras, 1993.<br>AVELAR, Jos\u00e9 Carlos. A ponte clandestina: Birri, Glauber, Solanas, Getino, Garc\u00eda Espinosa, Sanjin\u00e9s, Alea &#8211; Teorias do cinema na Am\u00e9rica Latina. Rio de Janeiro\/S\u00e3o Paulo, Edusp\/Editora 34, 1995.<\/p>\n\n\n\n<p>Agradecimentos especiais \u00e0 imensa cordialidade de \u00c2ngela Correia e a S\u00e9rgio Muniz, Leila (Espa\u00e7o Unibanco) e Margarida (Assessoria de Imprensa), que possibilitaram esta entrevista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013<\/p>\n\n\n\n<p>Os textos publicados em Mnemocine s\u00e3o propriedade de seus autores e podem ser cedidos para fins did\u00e1tico-pedag\u00f3gicos mediante consulta pr\u00e9via.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista realizada em 08\/07\/2000, quando o diretor argentino Fernando Solanas esteve em S\u00e3o Paulo, onde realizou um workshop sobre dire\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica no CineSesc e conversou com a Mnemocine sobre alguns temas. Entrevista por Carla Miucci e Flavio Brito. 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