{"id":55,"date":"2024-07-30T19:37:40","date_gmt":"2024-07-30T22:37:40","guid":{"rendered":"http:\/\/mnemocine.com.br\/?p=55"},"modified":"2025-06-08T23:07:41","modified_gmt":"2025-06-09T02:07:41","slug":"marcha-sobre-roma-2022-mark-cousins-e-tudo-verdade-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=55","title":{"rendered":"Marcha Sobre Roma (2022, Mark Cousins) | \u00c9 Tudo Verdade 2024"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"488\" height=\"265\" src=\"http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Captura-de-Tela-2024-04-22-s-20.52.23.png\" alt=\"Marcha Sobre Roma (2022, Mark Cousins) | \u00c9 Tudo Verdade 2024\nPor Fabr\u00edcio Laghetto\n\" class=\"wp-image-56\" style=\"aspect-ratio:16\/9;object-fit:contain;width:1432px\" srcset=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Captura-de-Tela-2024-04-22-s-20.52.23.png 488w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Captura-de-Tela-2024-04-22-s-20.52.23-300x163.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 488px) 100vw, 488px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O cineasta e historiador Mark Cousins retorna \u00e0s mem\u00f3rias traum\u00e1ticas de um evento que assombrou o s\u00e9culo XX, e continua assombrando at\u00e9 hoje. Como parte de sua homenagem no&nbsp;<em>\u00c9 Tudo Verdade&nbsp;<\/em>de 2024, o festival exibiu em sua retrospectiva uma revis\u00e3o a respeito de um l\u00edder que condenou milh\u00f5es de vidas no mundo inteiro: Benito Mussolini.<\/p>\n\n\n\n<p>Lan\u00e7ado em 2022,&nbsp;<em>Marcha Sobre Roma<\/em>&nbsp;observa o epis\u00f3dio hist\u00f3rico que d\u00e1 t\u00edtulo ao filme como um evento que deflagrou uma onda catastr\u00f3fica, a qual continua reverberando no mundo \u2014 tese refor\u00e7ada pela primeira cena do filme, na qual Donald Trump d\u00e1 uma entrevista na TV sobre o fato de ter citado uma frase de Mussolini: &#8220;melhor viver um dia como le\u00e3o que cem anos como cordeiro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Cousins n\u00e3o se limita \u00e0s compara\u00e7\u00f5es e paralelos entre um passado sombrio e o presente amea\u00e7ado. Para realmente compreender seu objeto de estudo, o cineasta fragmenta seu discurso em tr\u00eas vis\u00f5es diferentes: as imagens de arquivo da It\u00e1lia do s\u00e9culo XX (sejam eles documentais ou de fic\u00e7\u00e3o), imagens dos espa\u00e7os da It\u00e1lia no s\u00e9culo XXI e uma dramatiza\u00e7\u00e3o feita por Alba Rohrwacher, personificando uma camponesas an\u00f4nima no jardim de casa, em meio \u00e0 tomada de poder e queda do regime fascista.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira linha narrativa estabelecida pelo cineasta \u2014 a explora\u00e7\u00e3o do material de arquivo \u2014 n\u00e3o se limita a apenas examinar um movimento pela sua ess\u00eancia hist\u00f3rica, mas sim pela sua concretude contradit\u00f3ria. Cousins mostra como o filme de propaganda&nbsp;<em>A Noi!&nbsp;<\/em>(1922) de Marco Paradisi, que retrata a Marcha sobre Roma como um evento de tremenda amplitude popular, na realidade esconde sob o aparato cinematogr\u00e1fico o que de fato aconteceu. Atrav\u00e9s de imagens repetidas e falsifica\u00e7\u00f5es na montagem, Cousins explora cada detalhe de uma propaganda forjada para refor\u00e7ar o mito da Marcha, que na verdade n\u00e3o teve nenhum requinte de gl\u00f3ria e nem tamanha como\u00e7\u00e3o popular como demonstrado na propaganda.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 atrav\u00e9s de uma falsifica\u00e7\u00e3o muito bem executada que se cria uma mem\u00f3ria duradoura \u2014 como dito em&nbsp;&nbsp;<em>O Homem que Matou o Fac\u00ednora&nbsp;<\/em>(1962) de John Ford: \u201cquando a lenda for maior que o fato, publique a lenda\u201d. Lenda esta que reside at\u00e9 hoje nos espa\u00e7os p\u00fablicos da It\u00e1lia: mensagens ao&nbsp;<em>Duce&nbsp;<\/em>encravadas no ch\u00e3o, s\u00edmbolos da It\u00e1lia fascista em pr\u00e9dios e monumentos, e principalmente na arquitetura impositiva e opressora. Rastros do passado que n\u00e3o s\u00f3 residem na materialidade, como tamb\u00e9m no imagin\u00e1rio pol\u00edtico, em indiv\u00edduos que aos poucos sobem ao poder da mesma forma que o l\u00edder fascista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo esses rastros no presente, Cousins elabora sua terceira linha narrativa, a dramatiza\u00e7\u00e3o do passado. Mas seus termos n\u00e3o s\u00e3o de uma pantomima elaborada, pois o cineasta escancara sua falsifica\u00e7\u00e3o em um est\u00fadio, onde Alba Rohrwacher, personificando as esperan\u00e7as e desilus\u00f5es de um It\u00e1lia sabotada pelo fascismo, se posiciona em frente a uma tela de proje\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O cineasta aqui apresenta uma dial\u00e9tica entre a encena\u00e7\u00e3o do passado, que se reimagina, e a perspectiva de um presente temeroso. A tela de proje\u00e7\u00e3o alterna entre a representa\u00e7\u00e3o naturalista de uma casa no interior da It\u00e1lia, e imagens de uma Roma assolada por Mussolini e devastada pela guerra. Para se colocar uma mem\u00f3ria em xeque, \u00e9 preciso colocar o presente tamb\u00e9m: faz\u00ea-los colidir em um confronto.<\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00edntese de sua proposta de reconhecimento do passado \u00e9 a revis\u00e3o constante dos m\u00e9todos e das trag\u00e9dias. Os seres que dan\u00e7am em meio ao caos do fascismo, representados pelas imagens das valsas nos filmes&nbsp;<em>Um Dia Muito Especial&nbsp;<\/em>(1977), de Ettore Scola, e&nbsp;<em>O Conformista&nbsp;<\/em>(1970) de Bernardo Bertolucci, se deparam com o desespero profundo e a esperan\u00e7a incerta em meio \u00e0 loucura. Entregar-se ao medo n\u00e3o deve ser uma op\u00e7\u00e3o, o melhor a fazer \u00e9 enfrent\u00e1-lo e pendur\u00e1-lo de cabe\u00e7a para baixo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Biografia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fabr\u00edcio Laghetto \u00e9 graduado em Cinema na FAAP, onde realizou um curta-metragem como diretor e roteirista, dois curtas como fot\u00f3grafo e cinco curtas como montador. Trabalhou como assistente de p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o na Clube Filmes e atualmente trabalha como assistente de edi\u00e7\u00e3o na Adamo Films.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>_<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cobertura do 29\u00ba Festival Internacional de Document\u00e1rio \u00c9 Tudo Verdade faz parte do programa Jovens Cr\u00edticos que busca desenvolver e dar espa\u00e7o para novos talentos do pensamento cinematogr\u00e1fico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Equipe Jovens Cr\u00edticos Mnemocine:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Coordena\u00e7\u00e3o e Idealiza\u00e7\u00e3o: Fl\u00e1vio Brito<\/p>\n\n\n\n<p>Produ\u00e7\u00e3o e Edi\u00e7\u00e3o: Bruno Dias<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Davi Krasilchik, Luca Scupino, Fernando Oikawa e Gabriela Saragosa<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o Adjunta e Assistente de Produ\u00e7\u00e3o: Davi Krasilchik e Rayane Lima<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cineasta e historiador Mark Cousins retorna \u00e0s mem\u00f3rias traum\u00e1ticas de um evento que assombrou o s\u00e9culo XX, e continua assombrando at\u00e9 hoje. 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