{"id":588,"date":"2025-06-08T22:38:45","date_gmt":"2025-06-09T01:38:45","guid":{"rendered":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=588"},"modified":"2025-06-12T01:23:08","modified_gmt":"2025-06-12T04:23:08","slug":"os-morangos-silvestres-de-ingmar-bergman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=588","title":{"rendered":"Os Morangos Silvestres de Ingmar Bergman"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Lincoln Secco<\/p>\n\n\n\n<p>A filmografia de Ingmar Bergman pode ser vista a partir de tr\u00eas dilemas: a inf\u00e2ncia, o amor e a hist\u00f3ria. Dos tr\u00eas elementos, o terceiro \u00e9 o menos vis\u00edvel. O primeiro foi o mais explorado de maneira consciente. O segundo poderia ser definido mais como a falta de amor ou as sucessivas tentativas de conquist\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, \u00e9 sob esta \u00f3tica que se vai ler a obra de Bergman neste artigo. N\u00e3o toda ela, mas especialmente seu filme <em>Morangos Silvestres<\/em> (<em>Smultronst\u00e4llet,<\/em> 1957). Este filme ajunta a totalidade da problem\u00e1tica bergmaniana. Desde o problema da inf\u00e2ncia, do amor e da hist\u00f3ria at\u00e9 o de Deus \u2014 tema t\u00e3o presente em <em>O S\u00e9timo Selo<\/em> (<em>Det Sjunde Inseglet<\/em>, 1956) e que retorna em <em>Fanny e Alexander<\/em> (<em>Fanny Och Alexander<\/em>, 1982).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hist\u00f3ria<\/h2>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no in\u00edcio dos anos 60 J\u00f6rn Donner tratou do substrato cultural, hist\u00f3rico e pol\u00edtico dos filmes de Ingmar Bergman. Seus temas n\u00e3o poderiam ser tratados numa outra \u00e9poca ou numa outra sociedade, em primeiro lugar pela pr\u00f3pria incapacidade do diretor adaptar-se a outra realidade. Liv Ullmann conta em seu livro <em>Muta\u00e7\u00f5es<\/em> a estranheza dela mesma, e tamb\u00e9m de Bergman, em rela\u00e7\u00e3o ao comportamento norte-americano (Liv Ullmann foi esposa de Bergman e uma de suas maiores atrizes, ao lado de Ingrid Thulin e Bibi Anderson). Em segundo lugar, o cinema \u00e9 ao mesmo tempo arte e ind\u00fastria, e em nenhum lugar fora da Europa Ocidental e, talvez, especialmente fora da Su\u00e9cia, um diretor poderia contar, inicialmente, com a depend\u00eancia da burocracia estatal e com a independ\u00eancia do imediatismo do mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>A Su\u00e9cia do p\u00f3s-segunda guerra estava dividida entre o projeto de constru\u00e7\u00e3o do seu <em>welfare state<\/em> e a culpa diante do sil\u00eancio e da &#8220;neutralidade&#8221; de muitos diante do nazismo. Tamb\u00e9m n\u00e3o se explicaria o peso e a densidade dos di\u00e1logos na obra bergmaniana sem a tradi\u00e7\u00e3o teatral sueca e n\u00f3rdica em geral, de Strindberg ou Ibsen, e sem a tradi\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica de Viktor Sj\u00f6str\u00f6m, por exemplo. A produ\u00e7\u00e3o de uma sociedade avan\u00e7ada, no aspecto material, permitiu a concentra\u00e7\u00e3o incisiva nos problemas mais angustiantes e existenciais do homem moderno. Entretanto, a hist\u00f3ria s\u00f3 nos importa na medida em que \u00e9 filtrada por indiv\u00edduos. Para Bergman, esses indiv\u00edduos n\u00e3o s\u00e3o alegorias, mas s\u00edmbolos, encarna\u00e7\u00f5es concretas de situa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas de vida e at\u00e9 de classe. Suas anota\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias aos textos que serviram de base a <em>Cenas de um Casamento<\/em> (<em>Scener ur ett \u00c4ktenskap<\/em>, 1973) e <em>Vida de Marionetes<\/em> (<em>Ur Marionetternas Liv<\/em>, 1980) s\u00e3o bastante expl\u00edcitas a esse respeito. No primeiro caso ele diz:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Johan e Marianne s\u00e3o filhos de conven\u00e7\u00f5es bem precisas, e formados dentro da ideologia da seguran\u00e7a material. Jamais consideraram os princ\u00edpios burgueses em que vivem como restritivos ou falsos. Organizam-se dentro de um padr\u00e3o de vida que est\u00e3o dispostos a transmitir para os descendentes. Suas atividades pol\u00edticas anteriores s\u00e3o mais uma confirma\u00e7\u00e3o dessa ideia do que uma contradi\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Este filme, produzido para a televis\u00e3o sueca, n\u00e3o escapou a certos exageros acerca do comportamento de Marianne, de tal sorte que parte de suas rea\u00e7\u00f5es pareceu at\u00e9 mesmo a Liv Ullmann (a atriz que a interpretou) um tanto inveross\u00edmil. A reclama\u00e7\u00e3o de Liv Ullmann, em entrevista a David Outerbridge, procede, mas para Bergman o mais importante era levar os personagens ao paroxismo. Em <em>Vida de Marionetes<\/em>, ele ressalta isto melhor: <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Por que surge uma rea\u00e7\u00e3o de curto-circuito numa pessoa totalmente bem adaptada e bem estabelecida?&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em Face a face (Ansikte mot Ansikte, 1975), Bergman escreve:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Desta maneira, come\u00e7ou a personagem principal do nosso filme a tomar forma: um ser humano bem integrado na sociedade, capaz e disciplinado, uma profissional bem conceituada na sua carreira, bem casada com um talentoso colega, e rodeada daquilo que se pode chamar as coisas boas da vida. \u00c9 o desmoronamento r\u00e1pido e chocante desse car\u00e1ter excepcional e seu doloroso renascimento que eu tentei descrever&#8221;.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Amor<\/h2>\n\n\n\n<p>A falta de amor est\u00e1 vinculada a in\u00fameros filmes de Bergman e \u00e0 sua pr\u00f3pria vida. Nenhum resumo poderia ser melhor do que uma \u00fanica narrativa do personagem Viktor, de <em>Sonata de Outono<\/em> (Herbstsonate ou Hostsonat, 1978):<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Quando eu perguntei a Eva se ela queria se casar comigo, ela endireitou-se e disse que n\u00e3o me amava. Eu perguntei se ela amava outra pessoa. Ela disse que era incapaz de amar.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O filme <em>Infiel<\/em> (<em>Trol\u00f6sa<\/em>), de Liv Ullmann (com roteiro de Bergman) tem v\u00e1rias sequ\u00eancias explicitamente autobiogr\u00e1ficas. A fuga de David e Marianne para Paris. O sexo. A decep\u00e7\u00e3o. A infinita capacidade de destrui\u00e7\u00e3o m\u00fatua de um casal. O abandono da filha \u00e0 luta feroz dos adultos. Basta a autobiografia de Bergman, <em>Lanterna M\u00e1gica<\/em>, e ver um autor teatral em fuga com a amante para&#8230; Paris. Em <em>Morangos Silvestres<\/em>, a falta de amor est\u00e1 resumida em uma cena terr\u00edvel. Isak Borg amou Sara, mas ela se casou com outro. Depois de velho, ele \u00e9 levado por um homem em seu sonho. Param diante de uma clareira na floresta. L\u00e1 est\u00e1 sua uma mulher num ato sexual. O homem diz:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Muitos esquecem uma mulher que morreu h\u00e1 trinta anos, alguns guardam um doce retrato fugidio, mas voc\u00ea pode lembrar esta cena em sua mem\u00f3ria. Parece estranho? Ter\u00e7a feira, primeiro de maio, 1917. Voc\u00ea estava exatamente aqui, e ouviu e viu precisamente o que aquele homem e aquela mulher fizeram.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Como muito bem notou J\u00f6rn Donner, a import\u00e2ncia da cena n\u00e3o est\u00e1 no ato, mas nas palavras da mulher. Ela planeja ir para casa e contar tudo ao marido. Ela j\u00e1 sabe o que ele ir\u00e1 dizer:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Pobre garota, eu sinto tanta pena de voc\u00ea. Exatamente como se fosse um deus. E eu irei chorar e direi: voc\u00ea tem realmente pena de mim. E ele dir\u00e1: eu sinto uma pena terr\u00edvel de voc\u00ea e, ent\u00e3o, eu chorarei mais e perguntarei se ele pode me esquecer, e ele dir\u00e1: voc\u00ea n\u00e3o deveria pedir para esquecer voc\u00ea. Eu nada tenho a esquecer, mas ele n\u00e3o sentir\u00e1 nenhuma de suas palavras porque ele \u00e9 completamente frio&#8230;&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A posse de sua mulher por outro homem j\u00e1 importa pouco. Isak \u00e9 frio. A combina\u00e7\u00e3o de &#8220;Is&#8221; (gelo) e &#8220;Borg&#8221; (fortaleza) foi apenas uma coincid\u00eancia, como acentuou o pr\u00f3prio Bergman em seu livro <em>Imagens<\/em>. Como se estivesse morto. Uma das primeiras cenas do filme \u00e9 seu sonho. Ele se v\u00ea num caix\u00e3o. Depois se prepara para viajar de Estocolmo at\u00e9 Lund, onde receber\u00e1 o t\u00edtulo de Doutor Honoris Causa em uma universidade. Esta cerim\u00f4nia parece extremamente f\u00fanebre. A sua m\u00e3e tamb\u00e9m \u00e9 fria. O seu filho tamb\u00e9m \u00e9 frio e deseja morrer. Qual a origem dessa frieza? No filme, a m\u00e3e de Isak sente frio no ventre. Isto remete a uma passagem autobiogr\u00e1fica de Bergman: &#8220;eu tinha a impress\u00e3o de que certas crian\u00e7as nasciam de \u00fateros frios&#8221;. A chave explicativa \u00e9, portanto, a inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Inf\u00e2ncia<\/h2>\n\n\n\n<p>O princ\u00edpio de Morangos Silvestres \u00e9, de fato, a inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Victor Sj\u00f6str\u00f6m, o grande diretor e ator sueco, tinha 78 anos quando atuou em Morangos Silvestres. Em 1916, durante uma crise na vida pessoal, Sj\u00f6str\u00f6m resolveu viajar de bicicleta por partes do pa\u00eds que ele sabia que tinha vivido na inf\u00e2ncia. Esta viagem coincide com o papel desempenhado agora por ele, aos 78 anos de idade. Todavia, o pr\u00f3prio Bergman, em entrevista a Bj\u00f6rkman, Sima e Manns, d\u00e1 a explica\u00e7\u00e3o sobre a origem do roteiro:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Um dia, era de manh\u00e3 cedo, peguei a estrada para Dal\u00e9carlie. Sa\u00ed de Estocolmo \u00e0s 4 ou 5 horas. Uma hora depois, aproximadamente, eu estava em Uppsala. (&#8230;). Vov\u00f3 morava na rua Nedre Slottsgatan, n\u00famero 14, em frente ao Skrapan, a escola, voc\u00eas sabem. Era um edif\u00edcio muito velho e ela tinha um apartamento imenso. No longo corredor, tinha um banheiro com as paredes forradas de veludo. Os aposentos eram grandes, havia rel\u00f3gios de parede que tocavam, tapetes enormes, e m\u00f3veis imponentes. O interior n\u00e3o tinha mudado desde que minha av\u00f3 mudou para l\u00e1, rec\u00e9m-casada. Era um pouco a reuni\u00e3o do mobili\u00e1rio de duas fam\u00edlias burguesas, com quadros da It\u00e1lia, esculturas e palmiers. Era l\u00e1 que eu morava, de tempos em tempos, quando era pequeno, e este meio me marcou fundo.<br>Em suma, neste dia, chegando em Uppsala, me veio subitamente a ideia de dar uma volta no n\u00famero 14 da rua Slottsgatan. Era no outono, o sol come\u00e7ava a se mostrar atr\u00e1s da Catedral e os rel\u00f3gios soavam 5 horas. Eu entro no pequeno p\u00e1tio, que era recoberto de pedra redonda, subo as escadas e no momento em que pego o puxador da porta de servi\u00e7o, que tinha ainda um vidro despolido colorido, digo a mim mesmo de repente: imagine um pouco, voc\u00ea abre a porta, e o que voc\u00ea v\u00ea, a velha Lalla, a velha cozinheira, com seu grande avental. Ela est\u00e1 preparando a sopa de aveia, como ela fez tantas vezes quando eu era pequeno. De um golpe s\u00f3 podia abrir a porta da minha inf\u00e2ncia&#8221;.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ora, Morangos Silvestres \u00e9 a viagem de um velho num \u00fanico dia entre Estocolmo e Lund. E, ao mesmo tempo, conta os sonhos que ele tem durante a viagem. A volta \u00e0 inf\u00e2ncia. Sua hist\u00f3ria. A hist\u00f3ria de um bacteriologista envolto numa tradi\u00e7\u00e3o que \u00e9 apresentada pelo diretor como f\u00fanebre, morta, de um pa\u00eds que j\u00e1 n\u00e3o mais existe. Entre a inf\u00e2ncia e a coroa\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria de vida, medeia a amada que n\u00e3o se casou com Isak. Enfim, entre a hist\u00f3ria acabada e a inf\u00e2ncia nost\u00e1lgica, um amor perdido para sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><br>Estas refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas s\u00e3o breves e sum\u00e1rias. N\u00e3o foi poss\u00edvel fazer uma pesquisa acurada dos in\u00fameros estudos sobre o cineasta sueco. A bibliografia limita-se aos poucos livros que h\u00e1 na biblioteca pessoal do autor, todavia n\u00e3o especializada em cinema. Alguns outros livros citados existem em portugu\u00eas (pela editora N\u00f3rdica) e n\u00e3o aparecem nesta bibliografia: <em>O Ovo da Serpente<\/em>, <em>Sonata de Outono<\/em> e <em>Fanny e Alexander<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ingmar Bergman. <em>Cenas de um casamento<\/em>. Rio de Janeiro: N\u00f3rdica, s.d.p. S\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o.<br>Ingmar Bergman. <em>Face a face<\/em>. Rio de Janeiro: N\u00f3rdica, s.d.p., 126 p. Terceira edi\u00e7\u00e3o.<br>Ingmar Bergman. <em>I quattro film. Sorrisi di uma notte d\u00b4estate. Il settimo sigillo. Il posto delle fragole. Il volto<\/em>. Torino: Einaudi, 1961, 311 p.<br>Ingmar Bergman. <em>Imagens<\/em>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2001, 441 p.<br>Ingmar Bergman. <em>Lanterna M\u00e1gica<\/em>. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara, 1988, 292 p. Terceira edi\u00e7\u00e3o.<br>Ingmar Bergman. <em>The magic Lantern<\/em>. London: Penguin Books, 1988, 312 p.<br>Ingmar Bergman. <em>The marriage scenarios. Scenes from a marriage. Face to face. Autumn sonata<\/em>. New York: Pantheon Books, 1983, 407 p.<br>Ingmar Bergman. <em>Vida de Marionetes<\/em>. Rio de Janeiro: N\u00f3rdica, 1980, 145 p. Segunda edi\u00e7\u00e3o.<br>Carlos Armando. <em>O planeta Bergman.<\/em> Belo Horizonte: Oficina de Livros, 1988, 342 p.<br>David Outerbridge. <em>Liv Ulmann sem falsidades<\/em>. Rio de Janeiro: N\u00f3rdica, 1979, 95 p.<br>J\u00f6rn Donner. <em>The films of Ingmar Bergman from Torment to All these women<\/em>. New York: Dover, 1972,276 p.<br>Liv Ulman. <em>Op\u00e7\u00f5es<\/em>. Rio de Janeiro: N\u00f3rdica, 1985, 239 p. Terceira edi\u00e7\u00e3o.<br>Liv Ulmann. <em>Changing<\/em>. New York: Bantam Books, 1978, 307 p.<br>Stig Bj\u00f6rkman et. Al. <em>O cinema Segundo Bergman<\/em>. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978, 245 p.<br>Tino Ranieri. <em>Ingmar Bergman. Firenze<\/em>: La Nuova It\u00e1lia, 1974, 121 p.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Biografia<\/strong><br>Lincoln Secco \u00e9 Historiador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lincoln Secco A filmografia de Ingmar Bergman pode ser vista a partir de tr\u00eas dilemas: a inf\u00e2ncia, o amor e a hist\u00f3ria. Dos tr\u00eas elementos, o terceiro \u00e9 o menos vis\u00edvel. O primeiro foi o mais explorado de maneira consciente. 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