{"id":626,"date":"2025-06-08T21:49:18","date_gmt":"2025-06-09T00:49:18","guid":{"rendered":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=626"},"modified":"2025-06-08T21:49:19","modified_gmt":"2025-06-09T00:49:19","slug":"riofilme-uma-distribuidora-de-filmes-nacionais-1992-2000","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=626","title":{"rendered":"RioFilme: uma distribuidora de filmes nacionais (1992 &#8211; 2000)"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Andr\u00e9 P. Gatti<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Uma ind\u00fastria audiovisual n\u00e3o se viabiliza apenas com filmes, bons ou ruins, mais ou menos comerciais, com ambi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e autorais, realizadas ou frustradas; eles s\u00e3o indispens\u00e1veis, mas a sua mera<br>exist\u00eancia n\u00e3o assegura a circula\u00e7\u00e3o e o encontro com seu pr\u00f3prio p\u00fablico, proporcionando-lhes uma renda compat\u00edvel com o investimento feito. O governo n\u00e3o pode omitir-se de formular uma pol\u00edtica que vise a dar um horizonte de autonomia \u00e0 atividade\u00b9.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia de um estudo das atividades b\u00e1sicas da distribuidora RioFilme se deve ao seu aspecto quantitativo, pois a empresa se revelou como a mais din\u00e2mica companhia cinematogr\u00e1fica em n\u00famero de lan\u00e7amentos de filmes brasileiros entre 1992 e 2002\u00b2. Neste per\u00edodo, a distribuidora comercializou 94 t\u00edtulos in\u00e9ditos e tamb\u00e9m disponibilizou 4 t\u00edtulos cl\u00e1ssicos da cinematografia nacional. O total de 98 filmes colocados no mercado \u00e9 um \u00edndice que coloca a RioFilme\u00b3 numa posi\u00e7\u00e3o bastante singular. Isto se<br>deve ao fato de que, de um total de filmes de cerca de 170 lan\u00e7ados comercialmente no citado per\u00edodo, a distribuidora carioca foi respons\u00e1vel por um \u00edndice superior a 50% do total de pel\u00edculas da produ\u00e7\u00e3o nacional negociada. A Tabela I descreve a evolu\u00e7\u00e3o dos filmes in\u00e9ditos comercializados pela distribuidora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Ano<\/strong><\/td><td><strong>Filmes in\u00e9ditos em distribui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>1992<\/td><td>03<\/td><\/tr><tr><td>1993<\/td><td>04<\/td><\/tr><tr><td>1994<\/td><td>06<\/td><\/tr><tr><td>1995<\/td><td>08<\/td><\/tr><tr><td>1996<\/td><td>12<\/td><\/tr><tr><td>1997<\/td><td>12<\/td><\/tr><tr><td>1998<\/td><td>16<\/td><\/tr><tr><td>1999<\/td><td>18<\/td><\/tr><tr><td>2000<\/td><td>15<\/td><\/tr><tr><td><strong>Total<\/strong><\/td><td><strong>94<\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tabela I: <strong>Filmes in\u00e9ditos em distribui\u00e7\u00e3o<\/strong>. Fonte: Rio Filme.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Se em 1999 a RioFilme atinge o seu pico de distribui\u00e7\u00e3o, talvez embalada pela boa receptividade de Central do Brasil, percebe-se uma tend\u00eancia de acomodar o n\u00famero de filmes comercializados. Este patamar se encontra em torno de 11 filmes ao ano, o que corresponde a uma m\u00e9dia de 0,9 filmes por m\u00eas; tudo indica que este \u00e9 o limite operacional da empresa. Admitindo-se que a RioFilme se encontre no seu ponto de satura\u00e7\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica nacional contempor\u00e2nea, necessariamente, precisa de outras distribuidoras para colocar seus filmes no mercado local.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como negar que a RioFilme \u00e9, certamente, uma das chaves explicativas da evolu\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria e da pol\u00edtica de comercializa\u00e7\u00e3o de filmes no per\u00edodo da &#8220;retomada do cinema brasileiro&#8221;. Outra caracter\u00edstica importante est\u00e1 no fato de que o projeto de base da distribuidora pressup\u00f5e que ela traga consigo uma heran\u00e7a, que \u00e9 oriunda e espelhada na experi\u00eancia anterior estatal no setor de regulamenta\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de filmes, no caso a Embrafilme e o Concine. Portanto, aqui cristaliza-se um determinado processo pol\u00edtico de rela\u00e7\u00e3o entre os produtores cinematogr\u00e1ficos e o Estado brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">RioFilme e a pol\u00edtica cinematogr\u00e1fica<\/h2>\n\n\n\n<p>A RioFilme nasceu no auge da crise que se abateu sobre o cinema brasileiro, no in\u00edcio dos anos 90\u2074, trazendo consigo o m\u00e9rito de ser a \u00fanica distribuidora exclusiva de produ\u00e7\u00f5es nacionais. Em tese, esta situa\u00e7\u00e3o deveria lhe garantir uma posi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica privilegiada, como chegou a acontecer com a Embrafilme. No entanto, nestes nove anos de atividade, a distribuidora tem mantido uma participa\u00e7\u00e3o menor que 1%, em m\u00e9dia anual, na divis\u00e3o do bolo do mercado brasileiro total. Este desempenho encontra-se muito aqu\u00e9m de um patamar ideal para aquela que deveria ou poderia ser uma major da cinematografia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se destacar o fato de que a distribuidora passou a desenvolver algumas a\u00e7\u00f5es verticalizadas com a produ\u00e7\u00e3o e a exibi\u00e7\u00e3o, desenhando um perfil misto entre a\u00e7\u00f5es ditas culturais e comerciais. Claramente, esta pol\u00edtica encontra-se amparada em experi\u00eancias bastantes singulares, j\u00e1 que a empresa tem investido em salas de exibi\u00e7\u00e3o e pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico, al\u00e9m de apoiar a finaliza\u00e7\u00e3o, co-produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de filmes de curta, m\u00e9dia e longa metragens. O conjunto destas a\u00e7\u00f5es garante \u00e0 RioFilme um espectro bastante diversificado, ainda que este dificulte a concentra\u00e7\u00e3o da distribuidora na sua atividade fim: a comercializa\u00e7\u00e3o de filmes brasileiros no mercado nacional e internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 cr\u00edvel a hip\u00f3tese de que a RioFilme se transformou em um dos principais sustent\u00e1culos materiais de articula\u00e7\u00e3o\u2075 de uma pol\u00edtica cinematogr\u00e1fica brasileira mais ampla. Tudo nos leva a crer que esta pol\u00edtica foi engendrada por grupos vinculados aos setores historicamente hegem\u00f4nicos de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o de filmes brasileiros. Alguns destes grupos se encontram envolvidos direta e outros indiretamente com a distribuidora, a maioria deles concentrada no Rio de Janeiro \u2014 embora alguns deles<br>j\u00e1 tenham ultrapassado as fronteiras da ex-capital federal\u2076.<\/p>\n\n\n\n<p>Entende-se que a estrat\u00e9gia pol\u00edtica de cria\u00e7\u00e3o da RioFilme \u00e9 um dos fatores respons\u00e1veis pela recoloca\u00e7\u00e3o do Estado na gest\u00e3o dos neg\u00f3cios do cinema, isto no recente per\u00edodo dos anos 90.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Evolu\u00e7\u00e3o e desempenho da distribuidora (1992-2000)<\/h2>\n\n\n\n<p>A primeira pessoa a dirigir a RioFilme foi a produtora Mariza Le\u00e3o (1991-1993). Depois foi a vez do cineasta Paulo S\u00e9rgio de Almeida, (1993-1995) e por \u00faltimo do cr\u00edtico Jos\u00e9 Carlos Avellar (1995-2000).<br>No entanto, pode-se afirmar que o atual perfil da distribuidora se deve fundamentalmente \u00e0 gest\u00e3o de Avellar, que foi respons\u00e1vel por alguns contornos que hoje parecem definitivos \u00e0 RioFilme \u2014 entre estes destacam-se a inser\u00e7\u00e3o da empresa no mercado internacional de festivais e no mercado de home v\u00eddeo nacional\u2077.<\/p>\n\n\n\n<p>Para se ter uma ideia mais clara da atua\u00e7\u00e3o da RioFilme, em primeiro lugar deve-se observar o investimento total realizado na atividade de distribui\u00e7\u00e3o de filmes:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Ano<\/strong><\/td><td><strong>Valor investido<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>1992<\/td><td>154,37<\/td><\/tr><tr><td>1993<\/td><td>227,60<\/td><\/tr><tr><td>1994<\/td><td>658,96<\/td><\/tr><tr><td>1995<\/td><td>1.033,28<\/td><\/tr><tr><td>1996<\/td><td>2.285,11<\/td><\/tr><tr><td>1997<\/td><td>2.024,59<\/td><\/tr><tr><td>1998<\/td><td>3.404,12<\/td><\/tr><tr><td>1999<\/td><td>3.355,23<\/td><\/tr><tr><td>2000<\/td><td>1.333,98 (*)<\/td><\/tr><tr><td><strong>Total<\/strong><\/td><td><strong>13.143,23<\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tabela II: <strong>Investimento em distribui\u00e7\u00e3o<\/strong>. Fonte: Filme B.<br>(*) Previs\u00e3o<br>Obs.: Em R$1.000,00<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Percebe-se que o investimento total na atividade fim da distribuidora demonstra uma clara evolu\u00e7\u00e3o no capital disponibilizado, anualmente, entre 1992 e 1996. No entanto, em 1997 este tipo de investimento voltaria a cair, e no bi\u00eanio (1998-1999) retornaria a crescer. Em 2000, o capital dispon\u00edvel para a comercializa\u00e7\u00e3o de filmes estabilizar-se-ia nos patamares de 1995\u2078.<\/p>\n\n\n\n<p>Destaca-se neste quadro evolutivo do investimento em distribui\u00e7\u00e3o o fato de que, anualmente, em m\u00e9dia, a RioFilme tem gasto cerca de R$1.300.000,00 na sua atividade fim, o que corresponderia a um valor de cerca de R$146.000,00 por m\u00eas \u2014 certamente um \u00edndice muito baixo para o grande n\u00famero de filmes que a distribuidora opera normalmente. Ainda que a RioFilme se caracterize como uma das maiores investidoras na promo\u00e7\u00e3o de filmes nacionais, os seus n\u00fameros s\u00e3o incomparavelmente inferiores, por exemplo, aos que a Columbia apresenta quando lan\u00e7a fitas brasileiras\u2079.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta precariedade dos investimentos em comercializa\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica praticados pela RioFilme pode ser vista atrav\u00e9s dos dados da Tabela III\u00b9\u2070:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Ano<\/strong><\/td><td><strong>Valor M\u00e9dio<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>1992<\/td><td>51,12<\/td><\/tr><tr><td>1993<\/td><td>56,85<\/td><\/tr><tr><td>1994<\/td><td>109,49<\/td><\/tr><tr><td>1995<\/td><td>129,16<\/td><\/tr><tr><td>1996<\/td><td>190,42<\/td><\/tr><tr><td>1997<\/td><td>155,73<\/td><\/tr><tr><td>1998<\/td><td>212,50<\/td><\/tr><tr><td>1999<\/td><td>175,27<\/td><\/tr><tr><td>2000<\/td><td>88,81 (*)<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tabela III: <strong>Valor m\u00e9dio investido em distribui\u00e7\u00e3o.<\/strong> <br>(*) Previs\u00e3o. <br>Obs.: Em R$1.000,00<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Obedecendo a uma l\u00f3gica consagrada internacionalmente pelo mercado, a RioFilme tamb\u00e9m passou a apoiar a produ\u00e7\u00e3o de filmes de maneira direta. Para tanto, utilizou-se dos instrumentos cl\u00e1ssicos, como as carteiras de finaliza\u00e7\u00e3o e co-produ\u00e7\u00e3o. No entanto, estas opera\u00e7\u00f5es somente foram iniciadas em 1994 e 1995, respectivamente. A Tabela IV abaixo demonstra a evolu\u00e7\u00e3o deste tipo de pol\u00edtica de investimentos realizada pela RioFilme:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Ano<\/strong><\/td><td><strong>N\u00famero de filmes<\/strong><\/td><td><strong>Valor<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>1994<\/td><td>05<\/td><td>468,99<\/td><\/tr><tr><td>1995<\/td><td>02<\/td><td>2.233,15<\/td><\/tr><tr><td>1996<\/td><td>04<\/td><td>2.990,99<\/td><\/tr><tr><td>1997<\/td><td>07<\/td><td>1.181,53<\/td><\/tr><tr><td>1998<\/td><td>05<\/td><td>1.279,81<\/td><\/tr><tr><td>1999<\/td><td>06<\/td><td>838,78<\/td><\/tr><tr><td>2000<\/td><td>09<\/td><td>960,00 (*)<\/td><\/tr><tr><td><strong>Total<\/strong><\/td><td><strong>35<\/strong><\/td><td>9.953,25<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tabela IV: <strong>Investimento em finaliza\u00e7\u00e3o. <\/strong>Fonte: Filme B.<br>(*) Previs\u00e3o. <br>Obs.: Em R$1.000,00<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de filmes distribu\u00eddos e os recursos necess\u00e1rios para lan\u00e7\u00e1-los (98 filmes\/13.143.000,23) contrastam com o investimento em finaliza\u00e7\u00e3o, atividade na qual a distribuidora gastou mais de 9 milh\u00f5es de reais em apenas 35 filmes, m\u00e9dia superior a 243 mil reais investidos. Por sua vez, o valor investido direto em distribui\u00e7\u00e3o, tendo-se como base 1998, quando foi realizado o maior investimento m\u00e9dio, alcan\u00e7a-se a cifra de 212 mil reais. Chega-se \u00e0 conclus\u00e3o de que a distribuidora privilegia mais a finaliza\u00e7\u00e3o dos filmes do que a comercializa\u00e7\u00e3o propriamente dita\u00b9\u00b9.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente a partir de 1995 a RioFilme efetivar\u00e1 o sistema de co-produ\u00e7\u00e3o, criando, dessa maneira, mais um guich\u00ea de atendimento aos produtores.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Ano<\/strong><\/td><td><strong>N\u00famero de filmes<\/strong><\/td><td><strong>Valor<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>1995<\/td><td>04<\/td><td>n\/d<\/td><\/tr><tr><td>1996<\/td><td>07<\/td><td>1.920,79<\/td><\/tr><tr><td>1997<\/td><td>04<\/td><td>460,00<\/td><\/tr><tr><td>1998<\/td><td>06<\/td><td>411,27<\/td><\/tr><tr><td>1999<\/td><td>06<\/td><td>495,92<\/td><\/tr><tr><td>2000<\/td><td>04<\/td><td>652,54 (*)<\/td><\/tr><tr><td><strong>Total<\/strong><\/td><td><strong>31<\/strong><\/td><td><strong>3.310,52<\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tabela V: <strong>Investimento total em co-produ\u00e7\u00e3o. <\/strong>Fonte: Filme B.<br>(*) Previs\u00e3o. <br>Obs.: Em R$1.000,00<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Curiosamente, a carteira de co-produ\u00e7\u00e3o \u00e9 a detentora do menor valor m\u00e9dio investido, R$122.000,60, e, al\u00e9m disso, tamb\u00e9m se encontra contemplada com o menor n\u00famero de t\u00edtulos. A l\u00f3gica do com\u00e9rcio cinematogr\u00e1fico indica que esta carteira deveria ser refor\u00e7ada, com a finalidade de garantir um acervo cada vez maior para a distribuidora, este que deveria ser o seu maior patrim\u00f4nio\u00b9\u00b2, e para que a RioFilme viesse a ter uma maior participa\u00e7\u00e3o na comercializa\u00e7\u00e3o total do filme brasileiro nos mercados nacional, internacional, home v\u00eddeo, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, depois de nove anos de atividade comercial, a RioFilme consolidou tr\u00eas linhas de investimento: distribui\u00e7\u00e3o, finaliza\u00e7\u00e3o e co-produ\u00e7\u00e3o, demarcando o seu espectro de atua\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o destinada \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o comercial em territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O p\u00fablico e a produ\u00e7\u00e3o comercializada pela RioFilmes<\/h2>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo 1992 a 1998, a m\u00e9dia de p\u00fablico pagante de cada produ\u00e7\u00e3o distribu\u00edda pela RioFilme tem variado entre 12 mil e 110 mil espectadores. Obviamente, esta m\u00e9dia ainda n\u00e3o \u00e9 boa, estando a ideal em torno de 300.000 pagantes. No entanto, de maneira geral, a mesma m\u00e9dia tem acompanhado a evolu\u00e7\u00e3o que a produ\u00e7\u00e3o brasileira alcan\u00e7ou nesse per\u00edodo\u00b9\u00b3. O p\u00fablico pagante total atingido pela RioFilme aumentou de forma consider\u00e1vel, pois pulou de \u00ednfimos 36.113, em 1992, para 1.823.356 de espectadores, em 1998. Neste \u00faltimo ano deve se destacar o fato de que o p\u00fablico total da distribuidora foi praticamente guindado por um \u00fanico filme: <em>Central do Brasil<\/em>, comercializado em regime de co-distribui\u00e7\u00e3o com Severiano Ribeiro Distribui\u00e7\u00e3o (SRD). A ex-dirigente da distribuidora, Mariza Le\u00e3o, afirma que tal estrat\u00e9gia \u00e9 v\u00e1lida, pois:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;\u00c0 parceria com os exibidores sucedem-se acordos com distribuidores estrangeiros como a Columbia Tristar Filmes do Brasil, a Buena Vista International, a United Pictures International (UIP) e a Lumi\u00e8re, com objetivo de reduzir custos e otimizar os lan\u00e7amentos dos filmes\u00b9\u2074.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Entende-se que o maior problema operacional da RioFilme est\u00e1 no seu baixo n\u00edvel de poder de capitaliza\u00e7\u00e3o e investimento. Estes fatores podem ser detectados quando, por exemplo, na eventualidade da distribuidora dispor de t\u00edtulos com reais possibilidades de se tornarem \u00eaxitos comerciais, ela \u00e9 obrigada a dividir a tarefa da comercializa\u00e7\u00e3o com empresas concorrentes\u00b9\u2075.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o p\u00fablico atingido \u00e9 algo que ainda deixa muito a desejar, vale dizer que boa qualidade t\u00e9cnica dos filmes comercializados \u00e9 a principal caracter\u00edstica da opera\u00e7\u00e3o comercial da RioFilme, onde se destacam t\u00edtulos como: <em>Menino Maluquinho<\/em>, <em>Pequeno Dicion\u00e1rio Amoroso, Central do Brasil, Baile Perfumado, Matadores, Um C\u00e9u de Estrelas, Corisco e Dad\u00e1, Sert\u00e3o das Mem\u00f3rias, Lamarca: Cora\u00e7\u00e3o em Chamas, Bocage: O Triunfo do Amor<\/em>, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, devido \u00e0s limita\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias enfrentadas, estas ficam bem mais claras quando, por exemplo, a empresa n\u00e3o consegue se estruturar fisicamente em uma das principais pra\u00e7as cinematogr\u00e1ficas do Pa\u00eds, posi\u00e7\u00e3o ocupada pelo mercado paulistano. Nesse caso, a empresa se encontra associada a uma empresa &#8220;tradicional&#8221; da Boca do Lixo, a Polifilmes\u00b9\u2076. Debru\u00e7ando-se sobre as maiores bilheterias da distribuidora conforme a Tabela VI abaixo esta situa\u00e7\u00e3o de limites deve ficar mais clara, sen\u00e3o vejamos:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Filme<\/strong><\/td><td><strong>Distribui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td><td><strong>P\u00fablico<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>1. <em>Central do Brasil<\/em><\/td><td>Rio\/SRD<\/td><td>1.593.367<\/td><\/tr><tr><td>2. <em>Pequeno Dicion\u00e1rio Amoroso<\/em><\/td><td>Rio\/Lumi\u00e8re<\/td><td>402.430<\/td><\/tr><tr><td>3. <em>Menino Maluquinho &#8211; O Filme<\/em><\/td><td>Rio\/SRD<\/td><td>397.023<\/td><\/tr><tr><td>4. <em>Menino Maluquinho 2 &#8211; A Aventura<\/em><\/td><td>Rio\/SRD<\/td><td>213.330<\/td><\/tr><tr><td>5. <em>Mau\u00e1, O Imperador e o Rei<\/em><\/td><td>Rio\/Buena Vista Int.<\/td><td>185.107<\/td><\/tr><tr><td>6. <em>Como Ser Solteiro<\/em><\/td><td>Rio\/SRD<\/td><td>150.778<\/td><\/tr><tr><td>7. <em>Villa-Lobos &#8211; Uma Vida de Paix\u00e3o<\/em><\/td><td>RioFilme<\/td><td>136.384<\/td><\/tr><tr><td>8. <em>Lamarca, Cora\u00e7\u00e3o em Chamas<\/em><\/td><td>RioFilme<\/td><td>123.683<\/td><\/tr><tr><td>9. <em>Terra Estrangeira<\/em><\/td><td>RioFilme<\/td><td>112.840<\/td><\/tr><tr><td>10. <em>Erotique<\/em><\/td><td>RioFilme<\/td><td>87.937<\/td><\/tr><tr><td>11. <em>O Homem Nu<\/em><\/td><td>RioFilme<\/td><td>74.188<\/td><\/tr><tr><td>12. <em>A Ostra e o Vento<\/em><\/td><td>RioFilme<\/td><td>73.971<\/td><\/tr><tr><td>13. <em>Jenipapo<\/em><\/td><td>RioFilme<\/td><td>70.549<\/td><\/tr><tr><td>14. <em>Ed Mort<\/em><\/td><td>RioFilme<\/td><td>69.964<\/td><\/tr><tr><td>15. <em>Bella Donna<\/em><\/td><td>Rio\/SRD<\/td><td>68.151<\/td><\/tr><tr><td>16. <em>Cronicamente Invi\u00e1vel<\/em><\/td><td>RioFilme<\/td><td>65.867<\/td><\/tr><tr><td>17. <em>Baile Perfumado<\/em><\/td><td>RioFilme<\/td><td>64.094<\/td><\/tr><tr><td>18. <em>O Primeiro Dia<\/em><\/td><td>Rio\/EBA<\/td><td>62.983<\/td><\/tr><tr><td>19. <em>Um Copo de C\u00f3lera<\/em><\/td><td>RioFilme<\/td><td>56.605<\/td><\/tr><tr><td>20. <em>N\u00f3s Que Aqui Estamos<\/em><\/td><td>RioFilme<\/td><td>55.116<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tabela VI: <strong>20 maiores bilheterias da RioFilme (1995 &#8211; 2000).<\/strong><br>Fonte: Data Base 2000. Rio de Janeiro: Filme B, 2001.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s desta Tabela VI, \u00e9 poss\u00edvel inferir algumas conclus\u00f5es. Por exemplo, fica claramente percept\u00edvel que os maiores lan\u00e7amentos da RioFilme n\u00e3o acontecem de forma solit\u00e1ria. Entre as dez maiores bilheterias, seis foram comercializadas atrav\u00e9s do regime de co-distribui\u00e7\u00e3o. Este fator est\u00e1 aliado a outro: onze filmes se encontram abaixo da linha de 100.000 espectadores, entre os quais, no entanto, apenas dois est\u00e3o enquadrados na al\u00ednea da co-distribui\u00e7\u00e3o. Por sua vez, este n\u00famero corresponde a cerca de 50% dos filmes mais vendidos, revelando o baixo perfil comercial que a distribuidora vem mantendo. Apesar de tudo, a RioFilme se transformou no maior canal de escoamento da cinematografia contempor\u00e2nea brasileira, fazendo com que este desempenho p\u00edfio de comercializa\u00e7\u00e3o comprometa a produ\u00e7\u00e3o brasileira como um todo. J\u00e1 que os filmes n\u00e3o d\u00e3o lucro, a realiza\u00e7\u00e3o local fica inapelavelmente atrelada ao c\u00edrculo de depend\u00eancia econ\u00f4mica visceral ao Estado brasileiro, cujo instrumento de apoio s\u00e3o as leis de incentivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s da Tabela VII abaixo, pode se ter uma id\u00e9ia mais clara do posicionamento mercadol\u00f3gico da RioFilme no mercado total:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Filme<\/strong><\/td><td><strong>Distribuidora<\/strong><\/td><td><strong>P\u00fablico<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>1. <em>Xuxa, Popstar<\/em><\/td><td>Warner<\/td><td>2.376.032<\/td><\/tr><tr><td>2. <em>O Auto da Compadecida<\/em><\/td><td>Columbia<\/td><td>2.133.358<\/td><\/tr><tr><td>3. <em>Xuxa Requebra<\/em><\/td><td>Fox<\/td><td>2.074.401<\/td><\/tr><tr><td>4. <em>Sim\u00e3o, O Fantasma Trapalh\u00e3o<\/em><\/td><td>Columbia<\/td><td>1.658.136<\/td><\/tr><tr><td>5. <em>Central do Brasil<\/em><\/td><td>Rio\/SRD<\/td><td>1.593.367<\/td><\/tr><tr><td>6. <em>O Novi\u00e7o Rebelde<\/em><\/td><td>Columbia\/Art<\/td><td>1.502.035<\/td><\/tr><tr><td>7. <em>Carlota Joaquina, Princesa do Brazil<\/em><\/td><td>Elimar<\/td><td>1.286.000<\/td><\/tr><tr><td>8. <em>O Quatrilho<\/em><\/td><td>SRD<\/td><td>1.117.154<\/td><\/tr><tr><td>9. <em>Orfeu<\/em><\/td><td>Warner<\/td><td>961.961<\/td><\/tr><tr><td>10. <em>Zoando na TV<\/em><\/td><td>Columbia<\/td><td>911.394<\/td><\/tr><tr><td>11. <em>O Trapalh\u00e3o na Luz Azul<\/em><\/td><td>EBA<\/td><td>771.831<\/td><\/tr><tr><td>12. <em>Castelo R\u00e1-Tim-Bum<\/em><\/td><td>Columbia<\/td><td>725.329<\/td><\/tr><tr><td>13. <em>Eu, Tu e Eles<\/em><\/td><td>Columbia<\/td><td>695.682<\/td><\/tr><tr><td>14. <em>Guerra de Canudos<\/em><\/td><td>Columbia<\/td><td>655.016<\/td><\/tr><tr><td>15. <em>Bossa Nova<\/em><\/td><td>Columbia<\/td><td>520.614<\/td><\/tr><tr><td>16. <em>Tieta<\/em><\/td><td>Columbia<\/td><td>511.954<\/td><\/tr><tr><td>17. <em>Pequeno Dicion\u00e1rio Amoroso<\/em><\/td><td>RioFilme\/Lumi\u00e8re<\/td><td>402.430<\/td><\/tr><tr><td>18. <em>Menino Maluquinho 2 &#8211; A Aventura<\/em><\/td><td>RioFilme\/SRD<\/td><td>397.023<\/td><\/tr><tr><td>19. <em>O Que \u00c9 Isso, Companheiro?<\/em><\/td><td>Columbia<\/td><td>321.450<\/td><\/tr><tr><td>20. <em>Todos os Cora\u00e7\u00f5es do Mundo<\/em><\/td><td>SRD<\/td><td>265.017<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tabela VII: <strong>20 maiores bilheterias brasileiras (1995 &#8211; 2000).<\/strong><br>Fonte: Data Base 2000. Rio de Janeiro: Filme B, 2001. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Entre as 20 maiores bilheterias do cinema brasileiro, a RioFilme aparece com apenas 3 t\u00edtulos, todos em co-distribui\u00e7\u00e3o. Para uma empresa que comercializou mais de 80 t\u00edtulos, no mesmo per\u00edodo, este desempenho \u00e9 algo bastante preocupante, j\u00e1 que a distribuidora passa a perpetuar o ciclo da depend\u00eancia das dota\u00e7\u00f5es governamentais para manter a sua atividade\u00b9\u2077.<\/p>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o a que se pode chegar \u00e9 de que, em nove anos de atividade, a empresa n\u00e3o conseguiu superar o seu intr\u00ednseco nanismo econ\u00f4mico e um projeto de pol\u00edtica paroquial. O surrealismo cinematogr\u00e1fico brasileiro \u00e9 este: produtores fingem que produzem para o p\u00fablico e distribuidora faz de conta que tem um projeto de inser\u00e7\u00e3o mercadol\u00f3gica realista para a produ\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>CALIL, Carlos A. <em>Central do Brasil: o dono do chap\u00e9u<\/em>. Cinemais, Rio de Janeiro, n\u00ba15, jan-fev, 1999, p. 97.<\/li>\n\n\n\n<li>Informa\u00e7\u00f5es colhidas do site oficial da RioFilme em agosto de 2001, portanto os dados apresentados com base nesta fonte contemplam at\u00e9 o referido per\u00edodo.<\/li>\n\n\n\n<li>Outras fontes utilizadas: Movie Data Base 2000\/Filme B, Relat\u00f3rio de filmes lan\u00e7ados do MinC\/SDAV, Anu\u00e1rios de Cinema da ETP-Cinema\/Divis\u00e3o de Pesquisas\/Idart\/CCSP, revistas e jornais do per\u00edodo.<\/li>\n\n\n\n<li>A empresa foi criada atrav\u00e9s da Lei no 1.672 de 25 de janeiro de 1991.<\/li>\n\n\n\n<li>Para se ter uma id\u00e9ia do n\u00edvel de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que envolveu a distribuidora, sabe-se que Nelson Pereira dos Santos esteve na linha de frente do processo para viabilizar a sua cria\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de dois vereadores: Francisco Milani e Maur\u00edcio Azedo, que lideraram o encaminhamento do projeto de cria\u00e7\u00e3o da lei da RioFilme, o qual, aparentemente, contou com a boa vontade do ent\u00e3o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Alencar. Participaram tamb\u00e9m deste processo ex-funcion\u00e1rios da Embrafilme e a categoria cinematogr\u00e1fica de maneira geral.<\/li>\n\n\n\n<li>No que diz respeito \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o, a alian\u00e7a entre a RioFilme e o circuito Espa\u00e7o Unibanco \u00e9 um claro tra\u00e7o desta pol\u00edtica cinematogr\u00e1fica.<\/li>\n\n\n\n<li>Dados relativos ao desempenho da distribuidora nestes mercados n\u00e3o s\u00e3o conhecidos, mas estas a\u00e7\u00f5es marcam a presen\u00e7a em segmentos que podem melhorar o desempenho econ\u00f4mico dos filmes que a empresa comercializa.<\/li>\n\n\n\n<li>Na realidade, trata-se de um retrocesso de ordem de 40% a 50% em termos reais \u2014 j\u00e1 que n\u00e3o se considera nem a infla\u00e7\u00e3o nem a alta do d\u00f3lar no per\u00edodo, fatores estes que n\u00e3o podem ser desprezados \u2014, o que refor\u00e7a uma certa no\u00e7\u00e3o de decl\u00ednio da atividade comercial da RioFilme.<\/li>\n\n\n\n<li>Por exemplo, uma empresa como a Columbia chega a investir mais de um milh\u00e3o de reais no lan\u00e7amento nacional, segundo depoimento de seu gerente-geral Rodrigo Saturnino Braga.<\/li>\n\n\n\n<li>Este trabalho n\u00e3o desconhece o fato de que as distribuidoras, sejam nacionais ou estrangeiras, invistam de forma diferenciada nos seus lan\u00e7amentos. No entanto, a m\u00e9dia, ou seja, a divis\u00e3o do valor do capital total pelo n\u00famero de filmes lan\u00e7ados, traduz a pol\u00edtica comercial da distribuidora.<\/li>\n\n\n\n<li>No entanto, em 1998, por exemplo, apenas um \u00fanico filme poderia receber um investimento de mais de 400 mil reais apenas com os recursos provenientes destas duas carteiras.<\/li>\n\n\n\n<li>As condi\u00e7\u00f5es do investimento em co-produ\u00e7\u00e3o ainda precisam ser estudadas com maiores detalhes, para saber quais os filmes e as produtoras que foram beneficiadas e em quais condi\u00e7\u00f5es.<\/li>\n\n\n\n<li>O n\u00famero de filmes apoiados pela distribuidora deve estar bem aqu\u00e9m do desejado pela setor cinematogr\u00e1fico, mas representa uma nova fonte de capital de apoio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>LE\u00c3O, Mariza. Uma andorinha s\u00f3 n\u00e3o faz ver\u00e3o. Sinopse, Interven\u00e7\u00e3o n\u00ba2, p.38.<\/li>\n\n\n\n<li>Para tanto, basta que se pegue alguns exemplos de filmes comercializados ou com participa\u00e7\u00e3o da RioFilme, como por exemplo <em>Central do Brasil<\/em>, <em>Pequeno Dicion\u00e1rio Amoroso<\/em> ou <em>Mau\u00e1 &#8211; O Imperador e O Rei, <\/em>que foram objetos destes tipos de arranjos de co-distribui\u00e7\u00e3o. Afinal, estes filmes, uns mais e outros menos, incontestavelmente dispunham de valores agregados de produ\u00e7\u00e3o e que poderiam atrair a aten\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica e do p\u00fablico cinematogr\u00e1ficos, como de fato o fizeram. Logo ela que j\u00e1 tinha algum investimento realizado nestes filmes, e que, na hora de pegar o seu naco, foi obrigada a dividi-lo com outras distribuidoras como a SRD e a Columbia do Brasil.<\/li>\n\n\n\n<li>Distribuidora que at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 80 comercializavam, principalmente, filmes pornogr\u00e1ficos e cl\u00e1ssicos em 16 mm para o circuito alternativo, al\u00e9m de algumas sobras de velhas distribuidoras como a Ouro e a F. J. Lucas.<\/li>\n\n\n\n<li>Apesar do fato de que n\u00e3o tivemos ainda acesso aos balan\u00e7os anuais da RioFilme, tudo indica que a empresa \u00e9 altamente deficit\u00e1ria.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Andr\u00e9 P. Gatti &#8220;Uma ind\u00fastria audiovisual n\u00e3o se viabiliza apenas com filmes, bons ou ruins, mais ou menos comerciais, com ambi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e autorais, realizadas ou frustradas; eles s\u00e3o indispens\u00e1veis, mas a sua meraexist\u00eancia n\u00e3o assegura a circula\u00e7\u00e3o e o encontro com seu pr\u00f3prio p\u00fablico, proporcionando-lhes uma renda compat\u00edvel com o investimento feito. 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