{"id":681,"date":"2024-10-02T14:19:44","date_gmt":"2024-10-02T17:19:44","guid":{"rendered":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=681"},"modified":"2024-10-02T14:22:33","modified_gmt":"2024-10-02T17:22:33","slug":"serguei-eisenstein-montagem-sovietica-vanguarda-e-engajamento-politico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=681","title":{"rendered":"Serguei Eisenstein &#8211; Montagem Sovi\u00e9tica, Vanguarda e Engajamento Pol\u00edtico"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Beatriz Panico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um pouco da hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A Revolu\u00e7\u00e3o Russa foi um dos acontecimentos mais marcantes e determinantes do s\u00e9culo XX. Para os historiadores, entre as causas da revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 a insatisfa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o russa com as medidas do regime czarista, mas cujos eventos repercutiram muito al\u00e9m do fim da dinastia, apresentando seu legado em muitos acontecimentos hist\u00f3ricos posteriores e consequentemente levando a forma\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas, a URSS.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, apesar de ser um grande e poderoso imp\u00e9rio com uma elite aristocr\u00e1tica que havia assimilado o esplendor da aristocracia francesa no antigo regime, a R\u00fassia era uma na\u00e7\u00e3o atrasada economicamente em rela\u00e7\u00e3o a outros imp\u00e9rios que equilibravam o jogo do poder antes da Primeira Grande Guerra. A revolu\u00e7\u00e3o industrial praticamente n\u00e3o havia chegado \u00e0 R\u00fassia, que se mantinha dependente do sistema feudal. Ou seja, sua economia era quase que totalmente dependente do meio agr\u00e1rio, que alimentava o esplendor aristocr\u00e1tico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Esse estado de coisas devia-se ao poder da dinastia Romanov, portanto do regime czarista. Uma vez que este se estabeleceu como um modo de poder baseado na autoridade do czar, sustentado por uma elite aristocr\u00e1tica, e no servilismo da popula\u00e7\u00e3o diante da figura do czar. Isso em raz\u00e3o do uso da for\u00e7a e da a\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria da casa reinante russa. De modo que, al\u00e9m da amplitude ilimitada do poder do Estado, o regime czarista tamb\u00e9m se baseava na ostenta\u00e7\u00e3o de riquezas da classe aristocr\u00e1tica, que vivia de privil\u00e9gios, em contraste com a pobreza profunda da enorme popula\u00e7\u00e3o camponesa russa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;As primeiras revoltas que marcaram o in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o Russa ocorreram em 1905, em resposta \u00e0 derrota russa na guerra travada contra o Jap\u00e3o (1904-1905) devido \u00e0 disputa territorial pelas regi\u00f5es da Manch\u00faria, no nordeste da China, e da Coreia. A guerra gerou uma insatisfa\u00e7\u00e3o geral na popula\u00e7\u00e3o por conta da viol\u00eancia, da incompet\u00eancia das for\u00e7as militares e, principalmente, por conta do alistamento obrigat\u00f3rio, al\u00e9m das pautas j\u00e1 em quest\u00e3o levando em conta o regime autorit\u00e1rio czarista. Tais t\u00f3picos levaram \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de um protesto pac\u00edfico em 1905 que ficou marcado para a hist\u00f3ria como \u201cdomingo sangrento\u201d, ap\u00f3s receber uma extrema repress\u00e3o que levou ao massacre da popula\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Petersburgo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A ocorr\u00eancia do \u201cdomingo sangrento\u201d levou a uma s\u00e9rie de revoltas populares, motivadas pelo choque populacional diante da viol\u00eancia do Estado, que obrigaram o czar Nicolau II a adotar reformas para acalmar a popula\u00e7\u00e3o. Dessa forma, foram estabelecidas medidas para garantir uma abertura pol\u00edtica maior com o estabelecimento de uma monarquia constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Com a ocorr\u00eancia da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a participa\u00e7\u00e3o da R\u00fassia no conflito, por\u00e9m, pautas trazidas anteriormente com a guerra do Jap\u00e3o ressurgem devido ao despreparo das for\u00e7as militares russas para enfrentar o ex\u00e9rcito alem\u00e3o. Nesse cen\u00e1rio, a imprensa russa, controlada pelo Estado, passa a divulgar imagens e not\u00edcias para convencer a popula\u00e7\u00e3o da falsa vantagem na guerra, quando na realidade, suas tropas estavam sendo massacradas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Apesar das tentativas do governo de manter o controle diante dessa situa\u00e7\u00e3o, os soldados russos passam a deserdar os campos de batalha e na pr\u00f3pria R\u00fassia em fevereiro de 1917 a popula\u00e7\u00e3o, descontente com a situa\u00e7\u00e3o, convoca uma Greve Geral. Os epis\u00f3dios deste conturbado m\u00eas de fevereiro levam \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Petersburgo e a evolu\u00e7\u00e3o dos acontecimentos eventualmente acarreta na pris\u00e3o a domic\u00edlio da fam\u00edlia Romanov, marco que p\u00f4s fim ao regime czarista.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ap\u00f3s os eventos da Greve Geral, a Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro leva ao poder um governo republicano provis\u00f3rio de mencheviques, reformistas. Alexander Kerensky \u00e9 colocado na posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a, decidindo, por\u00e9m, manter a R\u00fassia na Guerra. Com a inefici\u00eancia do regime para conduzir a guerra, muitos soldados que desertaram do front de batalha voltar\u00e3o \u00e0 R\u00fassia armados. Liderados, ent\u00e3o, por Vladimir L\u00eanin, um te\u00f3rico e revolucion\u00e1rio comunista que havia retornado do ex\u00edlio, tem in\u00edcio o processo revolucion\u00e1rio que levar\u00e1 os bolcheviques ao poder naquela que ficou conhecida como a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, portanto, vai ser orquestrada pelo grupo de revolucion\u00e1rios bolcheviques, que derrubam o governo provis\u00f3rio de Kerensky fazendo com que este busque abrigo na Fran\u00e7a. Ap\u00f3s meses em pris\u00e3o domiciliar, a fam\u00edlia Romanov tamb\u00e9m sofre com a rea\u00e7\u00e3o bolchevique, tendo todos seus membros fuzilados por l\u00edderes do movimento. Assim sendo, L\u00eanin finalmente ascende ao posto de secret\u00e1rio geral e se torna o rosto da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;J\u00e1 no poder, L\u00eanin assinou o Tratado de Brest-Litovsk com as chamadas Pot\u00eancias Centrais (Alemanha, \u00c1ustria-Hungria, Bulg\u00e1ria e Imp\u00e9rio Otomano) e assim retirou a R\u00fassia do conflito da Primeira Guerra Mundial. A tomada do poder pelos bolcheviques gerou na sequ\u00eancia um movimento contrarrevolucion\u00e1rio, o que levou a R\u00fassia a uma guerra civil. A guerra civil russa ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro p\u00f4s de um lado o ex\u00e9rcito vermelho, conduzido pelos bolcheviques e organizado pelo revolucion\u00e1rio Leon Trotsky, e de outro o ex\u00e9rcito branco, conduzido pelos mencheviques, militares do antigo ex\u00e9rcito czarista favor\u00e1veis ao retorno da monarquia e o apoio dos pa\u00edses capitalistas, que buscavam conter a onda comunista por medo desta ideologia estimular impulsos revolucion\u00e1rios e se expandir al\u00e9m da R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A Guerra Civil durou mais de cinco anos e terminou em 1922 com a vit\u00f3ria dos bolcheviques. Entre as raz\u00f5es para a vit\u00f3ria dos revolucion\u00e1rios bolcheviques est\u00e3o: esgotamento das for\u00e7as do ex\u00e9rcito branco em decorr\u00eancia da falta de apoio dos pa\u00edses capitalistas, que haviam acabado de sair da Primeira Guerra; a expans\u00e3o de ideais bolcheviques revolucion\u00e1rios para regi\u00f5es nas fronteiras da R\u00fassia, o que serve como estrat\u00e9gia para a forma\u00e7\u00e3o da URSS, fundada pouco ap\u00f3s o fim do conflito interno. Tendo, ent\u00e3o, a figura de L\u00eanin na lideran\u00e7a, junto com a R\u00fassia, outras quatorze rep\u00fablicas formaram a Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Portanto, para pensar o cinema sovi\u00e9tico, \u00e9 necess\u00e1rio primeiro considerar o cen\u00e1rio conturbado e conflituoso em que a na\u00e7\u00e3o se encontrava ap\u00f3s uma s\u00e9rie de disputas, mudan\u00e7as sociais e pol\u00edticas, uma vez que toda forma de express\u00e3o art\u00edstica \u00e9 diretamente afetada pelo momento hist\u00f3rico em que se insere.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O cinema sovi\u00e9tico como instrumento de propaganda pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Antes mesmo das revolu\u00e7\u00f5es de 1917, da Guerra Civil e da forma\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas, o cinema russo j\u00e1 havia se estabelecido como um dos mais antigos e importantes da Europa. A filmagem pelos Irm\u00e3os Lumi\u00e8res da coroa\u00e7\u00e3o do Czar Nicolau II em 1896 \u00e9 um marco. Mas n\u00e3o ficou nisso, pois efetivamente o governo czarista estimulou a produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, de modo que o cinema russo se tornasse bastante produtivo e revelasse importantes cineastas com grande apelo popular antes da mudan\u00e7a de regime, muitos dos quais trabalhavam com adapta\u00e7\u00f5es de obras da rica literatura russa. Yakov Protazanov, por exemplo, foi um cineasta russo respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de diversos longas, entre eles, <em>Rainha de Espadas<\/em>, uma adapta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica de um conto de Aleksandr Pushkin, lan\u00e7ado em 1916.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Dessa forma, o processo revolucion\u00e1rio n\u00e3o apenas quebrou com um regime pol\u00edtico, mas tamb\u00e9m com o meio cinematogr\u00e1fico j\u00e1 consolidado. Com a forma\u00e7\u00e3o da URSS ap\u00f3s a guerra civil, o cinema passou a ser utilizado como recurso para divulgar propagandas ideol\u00f3gicas. Nisso n\u00e3o havia propriamente novidade, pois o cinema na Alemanha foi utilizado na Primeira Guerra como instrumento de propaganda com a cria\u00e7\u00e3o da UFA (Universum Film AktienGesellschaft), que na d\u00e9cada de 1920 seria o mais poderoso est\u00fadio de cinema na Europa. Assim, embora os la\u00e7os entre o cinema e o estado russo j\u00e1 existissem desde o czarismo, servindo para divulgar imagens que favorecessem sua perman\u00eancia, com os bolcheviques no poder, o cinema foi de fato utilizado como um importante instrumento de propaganda da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cO cinema \u00e9, para n\u00f3s, a mais importante das artes\u201d, cita\u00e7\u00e3o atribu\u00edda a Vladimir L\u00eanin em 1922 e divulgada no jornal <em>Pravda<\/em> pelo Comissariado do Povo e da Educa\u00e7\u00e3o (Narkompros), evidencia a compreens\u00e3o que o l\u00edder apresentava sobre o potencial de doutrina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica do cinema. Dessa forma, a s\u00e9tima arte n\u00e3o representou apenas uma forma de arte ou entretenimento, mas tamb\u00e9m uma poderosa ferramenta pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A atribui\u00e7\u00e3o desse papel ao cinema garantiu a mobiliza\u00e7\u00e3o de grandes investimentos do governo para produzir filmes e, ainda mais importante, formar novas gera\u00e7\u00f5es de cineastas em institui\u00e7\u00f5es de ensino. A funda\u00e7\u00e3o da <em>VGIK<\/em>, a Escola de Cinema do Estado Sovi\u00e9tico e a mais antiga escola de cinema do mundo, foi essencial para concretizar tal objetivo, funcionando, na \u00e9poca, como centro aglutinador e estimulador de debates e servindo como \u201claborat\u00f3rio\u201d de prepara\u00e7\u00e3o que revelou muitas figuras importantes para o cinema sovi\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;Al\u00e9m da <em>VGIK<\/em> houve o surgimento de muitos \u00f3rg\u00e3os, empresas e institui\u00e7\u00f5es atuando nas mais diversas \u00e1reas para garantir a populariza\u00e7\u00e3o e incentivo \u00e0 arte nesses primeiros anos de regime comunista, quando a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica deu as m\u00e3os \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o na cultura. Em 1922, a produtora <em>Goskino<\/em> ou Comit\u00ea Estadual de Cinematografia foi fundada, servindo como \u00f3rg\u00e3o central do estado para a produ\u00e7\u00e3o de filmes sovi\u00e9ticos, e revistas como <em>LEF<\/em> e <em>Kino-Fot<\/em> se tornaram extremamente populares propondo discuss\u00f5es sobre cinema e artes no geral.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Devido ao teor pol\u00edtico, os filmes desse per\u00edodo refletem sobre hist\u00f3rias coletivas, sobre as massas, sobre a constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade sob a bandeira do comunismo. O cinema russo revolucion\u00e1rio, portanto, n\u00e3o dar\u00e1 protagonismo ao indiv\u00edduo, a um her\u00f3i an\u00f4nimo como no cinema norte-americano. A partir dos pressupostos do movimento art\u00edstico Construtivismo Russo, os cineastas v\u00e3o se orientar para uma aproxima\u00e7\u00e3o entre situa\u00e7\u00f5es vividas pelo povo e o cinema. A express\u00e3o do que \u00e9 coletivo \u00e9 o elemento central nos filmes realizados nos primeiros anos ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o, enquanto o singular \u00e9 visto como contra revolucion\u00e1rio e burgu\u00eas. Os representantes dessa forma de cinema buscavam eliminar caprichos burgueses da arte e retratar o povo como sustent\u00e1culo das transforma\u00e7\u00f5es sociais. Dentre diversos cineastas, Dziga Vertov se destaca como um dos maiores defensores da capacidade do cinema de retratar a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Considerado um dos precursores do Document\u00e1rio, Vertov advogava pelo registro de cenas n\u00e3o-ficcionais e se tornou uma das figuras principais do in\u00edcio do cinema sovi\u00e9tico. Ele rejeitava simbolismos e montagens que considerava artificiais e buscava retratar a realidade da forma mais crua poss\u00edvel. Vertov afirmava que o cinema deveria cumprir o papel de contar a verdade, correspondendo ao \u201cKino Pravda\u201d, ou Cinema Verdade. Ao contr\u00e1rio de outros cineastas, fazia um cinema n\u00e3o encenado, mais espont\u00e2neo, muitas vezes filmando pessoas que n\u00e3o sabiam que estavam sendo objetos em um filme. Suas obras mais famosas como <em>Cinema Olho<\/em> (1924) e <em>Um Homem com uma C\u00e2mera<\/em> (1928) s\u00e3o consideradas refer\u00eancias at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Assim, Dziga Vertov e outros cineastas que se alinhavam aos prop\u00f3sitos de um cinema mais semelhante aos atuais document\u00e1rios, procuravam evitar a todo custo recursos que consideravam artificiais em seus filmes. Entretanto, quando se trata do grupo de cineastas daquele per\u00edodo, nomes representativos como Esther Shub, Lev Kuleshov, Vsevolod Pudovkin e Serguei Eisenstein, tinham como caracter\u00edstica que os unia e que se consolidou como um dos principais elementos est\u00e9ticos que definem o cinema sovi\u00e9tico, a experimenta\u00e7\u00e3o com a montagem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A montagem sovi\u00e9tica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Muitas das teorias formuladas pelos cineastas sovi\u00e9ticos se firmaram como suportes para a montagem do cinema desde ent\u00e3o. Para estes, a verdadeira for\u00e7a de um filme reside mais na montagem dos planos do que em seu conte\u00fado. Ou, melhor, o conte\u00fado \u00e9 determinado pela montagem, pois o mesmo conte\u00fado com outra montagem daria um sentido diferente ao filme. Dessa forma, a simples apresenta\u00e7\u00e3o de uma sequ\u00eancia de imagens pode produzir ideias complexas na cabe\u00e7a do espectador, dando sentido ao que est\u00e1 sendo assistido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Esther Shub, come\u00e7ou inicialmente como auxiliar de Vertov, depois, envolvida com nos debates sobre montagem, realizou <em>A queda da dinastia Romanov<\/em> (1927). Nessa obra, ela compila imagens de arquivo sobre o cotidiano aristocr\u00e1tico na \u00e9poca do czarismo e aplica princ\u00edpios de montagem. Vsevolod Pudovkin igualmente envolvido nos debates sobre a montagem realizou <em>A M\u00e3e<\/em> (1926) e <em>O Fim de S\u00e3o Petersburgo<\/em> (1927). Nessas obras pode-se observar o modo peculiar com que concebeu os princ\u00edpios da montagem. Tanto Shub quanto Pudovkin foram diretamente afetados pelas proposi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas Lev Kuleshov, que se destaca entre os te\u00f3ricos por ter formulado o chamado \u201cEfeito Kuleshov\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"506\" src=\"http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/kulenshov.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-682\" srcset=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/kulenshov.webp 640w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/kulenshov-300x237.webp 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ivan Mozzhujin \u00e9 o ator visto no experimento conhecido como Efeito Kuleshov. Dom\u00ednio p\u00fablico.<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;O experimento feito por Lev Kuleshov determina a import\u00e2ncia da montagem na manipula\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es e nas poss\u00edveis interpreta\u00e7\u00f5es que o espectador possa fazer quando se tem um encadeamento de imagens orientado pelo princ\u00edpio da montagem. Ele apresentou uma sequ\u00eancia com a mesma imagem do rosto de um ator, que n\u00e3o tem qualquer expressividade, intercaladas com imagens que tinham significado para o espectador. Assim, contrapostas ao rosto do ator, foram usadas as imagens de um prato de sopa, seguida pela de uma crian\u00e7a dentro de um caix\u00e3o e, em seguida, a de uma mulher em um sof\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A impress\u00e3o do espectador \u00e9 a de que o rosto, exibido entre as apresenta\u00e7\u00f5es dessas tr\u00eas imagens, t\u00eam express\u00f5es diferentes a cada momento, representando emo\u00e7\u00f5es diferentes a partir delas. Ap\u00f3s a sopa, o rosto demonstraria fome, assim como ap\u00f3s a crian\u00e7a morta ele expressaria alguma forma de luto e, ap\u00f3s a imagem da mulher, desejo ou lux\u00faria. Na verdade, a imagem do rosto \u00e9 a mesma e tais percep\u00e7\u00f5es se devem \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o da cena apresentada pela atribui\u00e7\u00e3o de um sentido atrav\u00e9s da montagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A conclus\u00e3o de Kuleshov a partir do experimento foi, portanto, que a edi\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ou mais importante para a constru\u00e7\u00e3o do sentido nos filmes quanto o papel desempenhado pelo ator. A edi\u00e7\u00e3o sugere diferentes sentimentos e ideias para quem assiste a um material. O posicionamento dos planos induz e manipula o espectador a ter diferentes interpreta\u00e7\u00f5es sobre uma mesma express\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A montagem de Serguei Eisenstein e a sequ\u00eancia da escadaria de Odessa em <\/strong><strong><em>O encoura\u00e7ado Potemkin<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Apesar de outros grandes cineastas da \u00e9poca apresentarem enormes contribui\u00e7\u00f5es para a s\u00e9tima arte, Serguei Eisenstein \u00e9 considerado o mais importante cineasta sovi\u00e9tico da d\u00e9cada de 1920 atrelado aos movimentos art\u00edsticos da vanguarda russa. Isso porque al\u00e9m de cineasta ele foi tamb\u00e9m te\u00f3rico e, muito influenciado por Kuleshov, sendo o mais ousado e inovador entre os que fizeram usos revolucion\u00e1rios das teoriza\u00e7\u00f5es e debates em torno da montagem.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ao contr\u00e1rio de Dziga Vertov e outros cineastas que valorizavam o realismo acima de tudo em seus filmes, Eisenstein apreciava a capacidade de ilus\u00e3o do cinema, apresentando influ\u00eancia do cinema de atra\u00e7\u00f5es de George Meli\u00e8s. Desse modo, por mais que os temas retratados em seus filmes correspondessem aos dos outros cineastas da \u00e9poca, se utilizando da popula\u00e7\u00e3o, da revolu\u00e7\u00e3o e de tem\u00e1ticas pol\u00edticas no geral como mat\u00e9ria prima, seu m\u00e9todo e prop\u00f3sitos eram diferentes. Ao inv\u00e9s de buscar montar cenas \u201cverdadeiras\u201d n\u00e3o encenadas como fizeram Vertov e Shub, Eisenstein fez um cinema encenado, utilizando-se da fic\u00e7\u00e3o, de atores e do falseamento de uma situa\u00e7\u00e3o. A se levar em conta a esse respeito, que muito mais outros cineastas de sua gera\u00e7\u00e3o, Eisenstein teve seus primeiros trabalhos no teatro, onde foi fortemente marcado pelas cenografias arrojadas e vanguardistas de Vsevolod Meyerhold.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Serguei Eisenstein passa do teatro para o cinema atrav\u00e9s da escrita de artigos te\u00f3ricos em revistas como <em>LEF<\/em> e <em>Kino-Fot<\/em> sobre a montagem de atra\u00e7\u00f5es, no mesmo per\u00edodo em que lan\u00e7a seu filme, <em>A Greve<\/em> em 1925, defendendo a capacidade encenada do cinema. Em seu texto, Eisenstein retoma a ideia de cinema de George M\u00e8lies, juntamente com o elemento do espet\u00e1culo e da magia. Por\u00e9m, sua tese foi contestada por Dziga Vertov. Devido \u00e0s suas vis\u00f5es extremamente diferentes sobre o papel da montagem no cinema, Eisenstein e Vertov v\u00e3o se acirrar, um defendendo a capacidade ficcional do cinema em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade retratada na tela.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A montagem de atra\u00e7\u00f5es surge a partir de uma necessidade de manter a aten\u00e7\u00e3o do espectador nas imagens, n\u00e3o devido \u00e0 sua veracidade, mas devido ao seu impacto. Essa t\u00e9cnica apresenta a mesma l\u00f3gica de uma montanha-russa, uma jornada em que o p\u00fablico sabe que o que est\u00e1 experienciando \u00e9 seguro, mas que \u00e9 capaz de causar sensa\u00e7\u00f5es reais e diversas apesar disso. O cinema seria da mesma forma. O espectador sabe que tudo que est\u00e1 sendo exibido \u00e9 falso e encenado, mas ainda sim apresenta uma jornada de emo\u00e7\u00f5es. A tese de Eisenstein defende, portanto, que o cinema ficcional pode ser at\u00e9 mais verdadeiro do que uma obra em formato documental, uma vez que gera emo\u00e7\u00f5es reais no espectador a partir de situa\u00e7\u00f5es falsas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A montagem intelectual representa uma das teorias mais populares e estudadas de Eisenstein, que consiste na justaposi\u00e7\u00e3o de imagens para criar um sentido l\u00f3gico a partir da associa\u00e7\u00e3o entre planos que, separadamente, n\u00e3o fariam sentido algum. Esse tipo de montagem n\u00e3o busca representar as coisas como de fato s\u00e3o, mas sim as rela\u00e7\u00f5es que estas apresentam com a sociedade, atrav\u00e9s da aproxima\u00e7\u00e3o de imagens para comunicar um ponto de vista, sentimento ou ideologia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Tal m\u00e9todo, portanto, consiste em reconstruir a realidade intelectualmente, dependendo de uma an\u00e1lise profunda do espectador para n\u00e3o apenas ver e sim compreender o que est\u00e1 sendo exibido. Dessa forma, a montagem pode se tornar respons\u00e1vel por estabelecer rela\u00e7\u00f5es de lugar, tempo, causa e consequ\u00eancia, ou seja, conceitos e met\u00e1foras por meio de imagens paralelas. A forma\u00e7\u00e3o de uma sequ\u00eancia entre dois planos que aparentemente n\u00e3o apresentam nada em comum, por exemplo, funciona para gerar um choque no espectador.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Assim, as contribui\u00e7\u00f5es de Serguei Eisenstein para a compreens\u00e3o dos usos da montagem, tanto na teoria quanto na pr\u00e1tica, foram inovadoras a ponto de continuarem a ser estudadas e aplicadas no cinema atual. Em seus filmes, a codifica\u00e7\u00e3o da linguagem da montagem \u00e9 exemplificada com maestria. Em <em>A Greve<\/em>, por exemplo, uma obra que aborda a luta dos trabalhadores russos por direitos antes da ocorr\u00eancia da revolu\u00e7\u00e3o, Eisenstein se utiliza de met\u00e1foras visuais para, por meio da montagem, construir sua cr\u00edtica \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de classes. A sequ\u00eancia formada no momento final do longa exibe uma cena de abate de um porco, seguido pelo assassinato em massa de trabalhadores. Ao exibir tais situa\u00e7\u00f5es em sequ\u00eancia e separadas no espa\u00e7o e no tempo, o espectador \u00e9 incitado a refletir sobre o modo como a classe no poder numa sociedade burguesa age em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Um dos exemplos mais famosos para exibir a aplica\u00e7\u00e3o da montagem intelectual de Eisenstein em um de seus filmes \u00e9, sem d\u00favida, a montagem na sequ\u00eancia da escadaria de Odessa em <em>O Encoura\u00e7ado Potemkin<\/em>. A obra lan\u00e7ada em 1925 trata de um levante de marinheiros, durante o per\u00edodo anterior \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o, mais precisamente em 1905. A sequ\u00eancia exibe soldados czaristas investindo e massacrando uma manifesta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o que apoia o levante dos marinheiros no encoura\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Como no teatro, <em>o Encoura\u00e7ado Potemkin<\/em> \u00e9 separado em Atos. A sequ\u00eancia da escadaria, que comp\u00f5e o quarto Ato, se inicia com os marinheiros rebeldes sendo festejados alegremente pela popula\u00e7\u00e3o da cidade, que os congratula e evidentemente apoia a rebeli\u00e3o contra o regime czarista. A sequ\u00eancia inicial faz uso da montagem alternada com um ritmo que se acelera \u00e0 medida que a tens\u00e3o atinge o cl\u00edmax. A sequ\u00eancia tem ent\u00e3o como ponto de partida a justaposi\u00e7\u00e3o entre as navega\u00e7\u00f5es e os rostos de diversos cidad\u00e3os sorridentes no meio da multid\u00e3o. Esse procedimento permite que os espectadores se familiarizem com as figuras exibidas, sendo assim um recurso para aflorar a humanidade e empatia do p\u00fablico, para que este se conecte com os sentimentos dos personagens muito al\u00e9m da tela.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Entretanto, tal sensa\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7a constru\u00edda nos primeiros minutos da sequ\u00eancia logo \u00e9 interrompida por um corte abrupto que exibe o rosto de uma mulher gritando como se estivesse em dor. A m\u00fasica, antes \u00e9pica e otimista representando a possibilidade de um futuro melhor, \u00e9 substitu\u00edda por uma trilha tensa e desesperadora. Os rostos que antes haviam sido exibidos com o objetivo de fazer o espectador se apegar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, se diluem no movimento desordenado de uma massa desesperada que corre escada abaixo, fugindo dos soldados czaristas que a persegue devido ao apoio que estavam dando aos revoltosos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;As cenas com a multid\u00e3o correndo s\u00e3o alternadas com cenas de indiv\u00edduos espec\u00edficos, alguns que j\u00e1 haviam sido exibidos anteriormente, correndo ou mesmo caindo mortos no ch\u00e3o. Em um primeiro momento, a inten\u00e7\u00e3o de Eisenstein foi justamente provocar a humanidade dos espectadores. Agora ele busca exibir a falta de humanidade da situa\u00e7\u00e3o, instigando o p\u00fablico a se indignar diante dos eventos e exigindo ainda mais de sua empatia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Raramente a multid\u00e3o se encontra presente no mesmo enquadramento que os soldados czaristas, dessa forma, criando mais uma forma de oposi\u00e7\u00e3o visual entre os dois grupos. Nos momentos em que estes s\u00e3o retratados juntamente, por\u00e9m, a c\u00e2mera \u00e9 posicionada atr\u00e1s dos soldados que perseguem os civis indefesos, como se estes estivessem expulsando-os do plano, contribuindo para o sentido da cena.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Em um dos momentos mais tocantes da sequ\u00eancia, uma m\u00e3e e seu filho, que j\u00e1 haviam sido exibidos acenando para os marinheiros, s\u00e3o retratados descendo as escadas quando o menino de repente \u00e9 atingido por um tiro. Em um primeiro momento, a m\u00e3e n\u00e3o percebe que ele ficou para tr\u00e1s, mas ent\u00e3o escuta seus gritos e se depara com o garoto deitado na escadaria sendo pisoteado. A cena provoca extrema ang\u00fastia, alternando entre momentos da multid\u00e3o desesperada correndo e pisando no filho, e o rosto horrorizado da mulher.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Quando a m\u00e3e finalmente consegue alcan\u00e7\u00e1-lo, ela pega o corpo morto da crian\u00e7a e caminha em dire\u00e7\u00e3o aos soldados, percorrendo degraus cheios de corpos. Ao se encontrar cara a cara com as tropas, ela pede para eles n\u00e3o atirarem. Nesse instante, o plano exibe a m\u00e3e clamando por miseric\u00f3rdia enquanto apenas as sombras dos soldados preenchem o espa\u00e7o. V\u00e1rios civis tamb\u00e9m pedem para que n\u00e3o atirem, no entanto, ap\u00f3s um momento de hesita\u00e7\u00e3o, os militares o fazem mesmo assim e a m\u00e3e cai para tr\u00e1s com o garoto em seus bra\u00e7os. Os rostos dos soldados n\u00e3o s\u00e3o exibidos em nenhum momento e sim suas sombras, silhuetas ou apenas suas armas, como se desumanizando-os devido \u00e0 sua crueldade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Outro momento extremamente conhecido ocorre quando outra m\u00e3e, carregando um carrinho com um beb\u00ea dentro, se encontra sem ter para onde ir, devido \u00e0s complica\u00e7\u00f5es do transporte do carrinho. Ela protege o beb\u00ea com seu corpo e tamb\u00e9m encara os soldados desesperada e pedindo por clem\u00eancia, mas \u00e9 atingida. Ferida mortalmente, a m\u00e3e se dobra em dor e solta o carrinho que passa a cair escada abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O carrinho segue desenfreado e as imagens do beb\u00ea chorando indefeso s\u00e3o alternadas pelos rostos horrorizados dos civis que observam a cena, a caminhada dos soldados e as massas ainda correndo. Desse modo, a sequ\u00eancia contribui para a constru\u00e7\u00e3o da tens\u00e3o e desespero dos espectadores. Atrav\u00e9s da montagem, Eisenstein \u00e9 capaz de manipular os sentimentos do p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;No final da cena, uma das mulheres que observa o beb\u00ea recebe um tiro no olho, a cegando parcialmente, mas deixando o suficiente de sua vis\u00e3o para esta observar o fim da crian\u00e7a que, ao finalmente cair do carrinho, \u00e9 atingida pela espada de um dos soldados. Assim, a mulher presencia a crueldade m\u00e1xima antes de morrer. Esse \u00faltimo momento antes da sequ\u00eancia acabar exibe o \u00fanico plano em que o rosto de um dos soldados \u00e9 visto, revelando uma express\u00e3o quase monstruosa devido ao \u00f3dio e viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cO encoura\u00e7ado Potemkin\u201d segue sendo uma das obras mais importantes na hist\u00f3ria do cinema, al\u00e9m de uma das mais chocantes devido \u00e0 sua viol\u00eancia para os padr\u00f5es da \u00e9poca. A sequ\u00eancia da escadaria de Odessa, exatamente devido ao seu impacto, marcou a carreira de Eisenstein exemplificando perfeitamente sua teoria sobre o poder da montagem na constru\u00e7\u00e3o de sentimentos e associa\u00e7\u00f5es por parte do espectador, al\u00e9m de comprovar sua tese de que situa\u00e7\u00f5es encenadas no cinema podem ser encaradas at\u00e9 como mais verdadeiras que cenas aut\u00eanticas, uma vez que s\u00e3o capazes de comover o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Desde o Cinema Novo no Brasil at\u00e9 o surgimento dos chamados \u201cdocufic\u00e7\u00f5es\u201d, os elementos est\u00e9ticos caracter\u00edsticos do cinema sovi\u00e9tico se fazem presentes em diversas correntes cinematogr\u00e1ficas, com a constru\u00e7\u00e3o de narrativas exibindo preocupa\u00e7\u00f5es sociais ou usos diferenciados para a montagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;As obras de grandes figuras como Serguei Eisenstein, Lev Kuleshov e Dziga Vertov ocupam posi\u00e7\u00f5es de refer\u00eancia na hist\u00f3ria do cinema mundial. Esses grandes diretores e te\u00f3ricos do cinema influenciaram diversos cineastas em todo o mundo. Alfred Hitchcock aplicou o Efeito Kuleshov em seus filmes para explorar a ambiguidade no comportamento de personagens como Norman Bates em Psicose (1960). Jean-Luc Godard, por sua vez, foi um dos fundadores do coletivo Dziga Vertov, que tinha o objetivo de realizar filmes pol\u00edticos marcados pela quebra de encena\u00e7\u00e3o proposta por Vertov.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Portanto, a import\u00e2ncia do cinema sovi\u00e9tico para os avan\u00e7os atuais da s\u00e9tima arte \u00e9 ineg\u00e1vel, principalmente quando se trata de estudos pr\u00e1ticos e te\u00f3ricos sobre a montagem e avan\u00e7os no g\u00eanero documental. Seu impacto \u00e9 percebido nas institui\u00e7\u00f5es de ensino do meio audiovisual que ainda divulgam suas teorias para as gera\u00e7\u00f5es atuais, respons\u00e1veis por dar continuidade a esta forma de arte e, assim, manter o legado do cinema sovi\u00e9tico vivo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fontes Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>KREUTZ, Katia. Cinema Sovi\u00e9tico. <strong>Academia Internacional de Cinema<\/strong>, S\u00e3o Paulo, 20 novembro 2018. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.aicinema.com.br\/cinema-sovietico\/\">https:\/\/www.aicinema.com.br\/cinema-sovietico\/<\/a>. Acesso em: 28 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>MIRANDA, Lucas Pilatti. Montagem Sovi\u00e9tica. <strong>Canto dos Cl\u00e1ssicos<\/strong>, S\u00e3o Paulo, 28 junho 2018. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/cantodosclassicos.com\/a-montagem-sovietica-no-cinema\/\">https:\/\/cantodosclassicos.com\/a-montagem-sovietica-no-cinema\/<\/a>. Acesso em: 28 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>EISENSTEIN, Serguei. M\u00e9todos de montagem. <strong>Kino-Fot<\/strong>, 1929. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/eisenstein\/1929\/12\/montagem.htm#topp\">https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/eisenstein\/1929\/12\/montagem.htm#topp<\/a>. Acesso em: 30 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Biografia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Beatriz Panico \u00e9 estudante do curso de cinema na FAAP. Apaixonada por leitura e escrita desde cedo, desenvolveu um interesse especial pelas \u00e1reas de hist\u00f3ria do cinema, roteiro e, acima de tudo, cr\u00edticas cinematogr\u00e1ficas durante a faculdade. O presente artigo resultou de trabalho apresentado na disciplina de Cinema e Hist\u00f3ria ministrada pelo Prof. Dr. Humberto Silva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Beatriz Panico Um pouco da hist\u00f3ria &nbsp;A Revolu\u00e7\u00e3o Russa foi um dos acontecimentos mais marcantes e determinantes do s\u00e9culo XX. 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