{"id":686,"date":"2024-10-26T19:56:11","date_gmt":"2024-10-26T22:56:11","guid":{"rendered":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=686"},"modified":"2025-06-08T21:54:42","modified_gmt":"2025-06-09T00:54:42","slug":"trilogia-silenciosa-2024-juho-kuosmanen-48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=686","title":{"rendered":"Trilogia Silenciosa (2024, Juho Kuosmanen) | 48\u00aa Mostra Internacional de Cinema em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"507\" src=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/trilogia-silenciosa-1024x507.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-687\" srcset=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/trilogia-silenciosa-1024x507.jpg 1024w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/trilogia-silenciosa-300x149.jpg 300w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/trilogia-silenciosa-768x380.jpg 768w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/trilogia-silenciosa.jpg 1432w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Trilogia Silenciosa <\/em>(2024, Juho Kuosmanen) | 48\u00aa Mostra Internacional de Cinema em S\u00e3o Paulo<\/strong><br>Por Giuli Gobbato<\/p>\n\n\n\n<p>No cen\u00e1rio cinematogr\u00e1fico atual, com uma abund\u00e2ncia de filmes carregados de sons e efeitos, \u00e9 de se chamar aten\u00e7\u00e3o quando o cinema mudo aparece \u2014 principalmente quando se \u00e9 o \u00fanico filme mudo de uma longa lista da Mostra Internacional de S\u00e3o Paulo. <em>Trilogia Silenciosa<\/em> (2024)<em>, <\/em>do diretor finland\u00eas Juho Kuosmanen, cujo objetivo era apenas fazer uma homenagem ao Primeiro Cinema, t\u00e3o amado pelo diretor, alcan\u00e7ou essa fa\u00e7anha por acidente. Produzido ao longo de uma d\u00e9cada, o longa \u00e9 uma jun\u00e7\u00e3o de tr\u00eas curtas: <em>Romu-Mattila e Uma Mulher Bonita<\/em> (2012), <em>Os Destiladores<\/em> (2017) e <em>Um Planeta Distante<\/em> (2023), que foram apresentados juntos, pela primeira vez, numa estreia no Festival de Cinema de Tampere, com acompanhamento ao vivo de foley dos artistas Heikki Kossi and Pietu Korhonen e do grupo musical Ykspihlajan Kino-orkesteri.<\/p>\n\n\n\n<p>Co-produzido pela Aamu Film Company, respons\u00e1vel pelo Grande Pr\u00eamio que Kuosmanen ganhou em 2021 no Festival de Cannes, <em>Trilogia Silenciosa<\/em> tamb\u00e9m foi exibido no Festival de Karlovy Vary. Apesar dos grandes feitos do diretor, esta tr\u00edade \u00e9 modesta, tanto em narrativa quanto em t\u00e9cnica. As obras, que recriam os primeiros filmes do cinema, tornam-se estrelas da mem\u00f3ria, o comum ganha destaque. E apesar de constitu\u00edrem, a princ\u00edpio, uma grande homenagem ao cinema mudo, os curtas tematizam as diferentes presen\u00e7as do som numa hist\u00f3ria. Uma grande coincid\u00eancia, j\u00e1 que n\u00e3o foram inicialmente feitos para estarem juntos, em um \u00fanico longa-metragem. No entanto, ao incorporar a grava\u00e7\u00e3o da performance sonora na distribui\u00e7\u00e3o das obras para festivais, os sons sincronizados criam um curto ensaio a respeito do espa\u00e7o sonoro no cinema: o som que se manifesta molda nossa forma de ver. Parece ter algo a dizer ao se tornar parte permanente de uma obra autointitulada \u201csilenciosa\u201d. Ir\u00f4nico.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Finl\u00e2ndia, a trilogia tamb\u00e9m foi apresentada como \u201cTri\u00e2ngulo da Esperan\u00e7a\u201d, tema comum entre os filmes, ainda que a esperan\u00e7a se origine a partir da justaposi\u00e7\u00e3o das tr\u00eas partes. <em>Romu-Mattila e Uma Mulher Bonita<\/em> apresenta um senhor angustiado pela perda de sua casa e, desprezado por sua comunidade, encontra em uma cantora a esperan\u00e7a de ter algu\u00e9m que se importe com ele. J\u00e1 <em>Os Destiladores<\/em> recria o primeiro filme finland\u00eas, da f\u00e1bula de dois irm\u00e3os que veem na venda de \u00e1lcool uma oportunidade de enriquecer. E <em>Um Planeta Distante <\/em>retrata uma faroleira que constr\u00f3i um foguete para encontrar seu irm\u00e3o ap\u00f3s a morte, porque se recusa a viver o fim.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As narrativas s\u00e3o melanc\u00f3licas, acompanhadas de um humor desconfort\u00e1vel, recorrente no cinema finland\u00eas, como em <em>Reuni\u00e3o de Fam\u00edlia <\/em>(2023, Tia Kouvo). O elenco atua de forma naturalista, mais comum ao cinema atual, com menos express\u00f5es faciais intensas e com gestos mais sutis. E entre poucos letreiros de narra\u00e7\u00e3o, os efeitos sonoros de <em>foley <\/em>invocam o mundo real na imagem preto e branco. Ao ouvir o som de moedas tilintando na m\u00e3o de um protagonista, de um carrinho de madeira andando na neve ou de um martelo batendo na bigorna, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o imaginar como seria aquela cena sem \u00e1udio. Mas h\u00e1 palavras n\u00e3o ditas no sil\u00eancio, e um sentimento encontrado no ato de apenas observar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por recriar a tradi\u00e7\u00e3o que Kuosmanen desperta sua pr\u00f3pria nostalgia, de uma experi\u00eancia que n\u00e3o viveu. Afinal, o diretor nasceu em 1979, d\u00e9cadas ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o do cinema sonoro, da montagem r\u00edtmica de Eisenstein e da trilha sonora j\u00e1 composta previamente. Ousa-se sonhar que, durante a proje\u00e7\u00e3o do filme no Festival de Tampere, a efemeridade, o improviso e a performance da proje\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica foi sentida num vislumbre pela audi\u00eancia l\u00e1 presente. A trilha gravada para a vers\u00e3o exibida na Mostra de S\u00e3o Paulo ressoa uma parte dessa saudade, por\u00e9m gera outro sentimento melanc\u00f3lico: a ang\u00fastia de perder uma experi\u00eancia \u00fanica do cinema. O som \u00e9 algo passageiro e ef\u00eamero, e ao ser improvisado como era, era parte de um momento \u00fanico, um espa\u00e7o que o teatro musical ainda preserva. Gra\u00e7as a essa grava\u00e7\u00e3o do som, Kuosmanen registra e preserva o trabalho por completo, inclusive de outros profissionais do cinema al\u00e9m do visual, como m\u00fasicos e artistas de <em>foley<\/em>. Um lamento pelos prim\u00f3rdios do cinema, perdidos no tempo, finitos e esquecidos. Um eco da protagonista do terceiro curta: h\u00e1 esperan\u00e7a de prolongar a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>A <em>Trilogia Silenciosa<\/em> tem tudo, menos sil\u00eancio. Juho Kuosmanen recria um espa\u00e7o onde ainda se fascina com a t\u00e9cnica simples e improvisada. C\u00f4mica, familiar e sens\u00edvel, a recep\u00e7\u00e3o do filme torna n\u00edtido como cativou das mais variadas audi\u00eancias: de leigos aos espectadores mais versados em hist\u00f3ria do cinema. Mesmo que tenha sido visto majoritariamente no circuito de festivais \u2014 algo mais recente que o cinema mudo \u2014 at\u00e9 na recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, o filme repetiu um feito caracter\u00edstico dos primeiros cinemas: agrada e muito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Biografia<\/strong><br>Giuli Gobbato \u00e9 cineasta e escritora. Bacharel em Cinema pela FAAP-SP, foi montadora e diretora de som em diversos projetos, al\u00e9m de dirigir e roteirizar dois curtas independentes. Na escrita de fic\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica, busca discutir a acessibilidade no audiovisual, partindo da sua viv\u00eancia com dor cr\u00f4nica e TEA. Tamb\u00e9m faz parte da equipe administrativa da plataforma liter\u00e1ria Maratona.app, que pensa a leitura de forma acess\u00edvel e emocional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trilogia Silenciosa (2024, Juho Kuosmanen) | 48\u00aa Mostra Internacional de Cinema em S\u00e3o PauloPor Giuli Gobbato No cen\u00e1rio cinematogr\u00e1fico atual, com uma abund\u00e2ncia de filmes carregados de sons e efeitos, \u00e9 de se chamar aten\u00e7\u00e3o quando o cinema mudo aparece \u2014 principalmente quando se \u00e9 o \u00fanico filme mudo de uma longa lista da Mostra [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":688,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-686","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cinema"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/trilogia-silenciosa1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=686"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/686\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":691,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/686\/revisions\/691"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/688"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}