{"id":7,"date":"2024-08-01T10:53:29","date_gmt":"2024-08-01T13:53:29","guid":{"rendered":"http:\/\/mnemocine.com.br\/?p=7"},"modified":"2025-06-08T23:08:20","modified_gmt":"2025-06-09T02:08:20","slug":"borderland-pamela-yates-2024-e-tudo-verdade-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=7","title":{"rendered":"Borderland (Pamela Yates, 2024) | \u00c9 Tudo Verdade 2024"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1432\" height=\"597\" src=\"http:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Frame-Borderland.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-9\" style=\"object-fit:cover\" srcset=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Frame-Borderland.png 1432w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Frame-Borderland-300x125.png 300w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Frame-Borderland-1024x427.png 1024w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Frame-Borderland-768x320.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1432px) 100vw, 1432px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Borderland (Pamela Yates, 2024)  | \u00c9 Tudo Verdade 2024\nPor Ana Luiza Weigt\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Borderland &#8211; A Fronteira Interior<\/em>, de Pamela Yates, teve a sua estreia em 2024, cinco anos ap\u00f3s o in\u00edcio das filmagens, ano simb\u00f3lico pelas elei\u00e7\u00f5es presidenciais dos Estados Unidos. O document\u00e1rio toca na quest\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos, usada pelo ex-presidente Donald Trump cada vez mais em sua campanha, com promessas de restri\u00e7\u00f5es ainda maiores caso reeleito. Cineasta e documentarista norte-americana, Pamela Yates ganhou reconhecimento internacional por suas obras que abordam tem\u00e1ticas como &nbsp; justi\u00e7a social, direitos humanos e esferas pol\u00edticas. Ela \u00e9 mais conhecida por dirigir o premiado document\u00e1rio&nbsp;<em>When the Mountains Tremble<\/em>&nbsp;(1983), que examina a guerra civil na Guatemala, e sua sequ\u00eancia,&nbsp;<em>Granito: How to Nail a Dictator&nbsp;<\/em>(2011), que investiga os crimes contra a humanidade cometidos durante o regime militar guatemalteco.<\/p>\n\n\n\n<p>Yates tra\u00e7a um paralelo entre as quest\u00f5es imigrat\u00f3rias do presente, de Donald Trump ou Joe Biden, e o futuro ainda mais incerto que conta com a crescente de imigra\u00e7\u00f5es e refugiados no mundo inteiro. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para Migra\u00e7\u00f5es (OIM), contabilizou 272 milh\u00f5es de migrantes internacionais ou 3,5% da popula\u00e7\u00e3o global. N\u00e3o coincidentemente, \u00e9poca do in\u00edcio das grava\u00e7\u00f5es do document\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Como sugere o t\u00edtulo, a narrativa mostra como a fronteira est\u00e1 estabelecida em diversos \u00e2mbitos, n\u00e3o apenas na fronteira geogr\u00e1fica e no muro constru\u00eddo entre o M\u00e9xico e Estados Unidos. Ela tamb\u00e9m se expressa nas medidas restritivas e no tratamento desumano dessas popula\u00e7\u00f5es durante todo o processo e estadia nos EUA.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e3o em evid\u00eancia, durante o filme, duas personalidades: Kaxh Mura\u2019l, um defensor ambiental e l\u00edder&nbsp; na luta de sobreviv\u00eancia das terras ancestrais de sua comunidade, e Gabriela Caste\u00f1eda, uma l\u00edder organizadora da comunidade \u201cBorder Network\u201d que ao mesmo tempo luta por sua cidadania. Kaxh j\u00e1 conhecia Yates desde as grava\u00e7\u00f5es de&nbsp;<em>500 anos<\/em>&nbsp;(2017), e permite que a sua hist\u00f3ria, em busca de asilo pol\u00edtico para fugir da persegui\u00e7\u00e3o na Guatemala, seja contada pela diretora.<\/p>\n\n\n\n<p>O document\u00e1rio \u00e9 iniciado com um impactante plano aberto da fronteira entre a cidade de Juarez, no M\u00e9xico, e El Paso, nos Estados Unidos, junto a uma melodia cantada, sem letra. Acompanhando as hist\u00f3rias, muitas cenas contam de perto as experi\u00eancias&nbsp; de diversas fam\u00edlias que sofrem com a pol\u00edtica de impedimento massivo do processo imigrat\u00f3rio. Mesmo com uma trilha sonora que acompanha a dramaticidade do que \u00e9 contado, o longa \u00e9 anticlim\u00e1tico ao introduzir elementos, em meio \u00e0s imagens, como gr\u00e1ficos de mensagens de voz que parecem encenadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Parte importante da constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 nas entrevistas, que se d\u00e3o no formato tradicional, algumas remotas,&nbsp; e nos dados e pesquisas apresentadas pela equipe de tamb\u00e9m&nbsp; imigrantes autodenominada&nbsp;<em>xpMethod<\/em>. A organiza\u00e7\u00e3o gera visualiza\u00e7\u00f5es art\u00edsticas a partir de dados do Complexo Industrial Fronteiri\u00e7o, obtidos legalmente, para expor a infraestrutura destinada \u00e0 remo\u00e7\u00e3o em massa de imigrantes, atividade extremamente lucrativa para empresas privadas.&nbsp; Em um est\u00fadio cinza, que se op\u00f5e ao naturalismo do restante da obra, eles mostram graficamente os desafios e proibi\u00e7\u00f5es que os imigrantes enfrentam, o que acrescenta em pesquisa e dados, mas cria um estranhamento est\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, o filme tenta se aproximar da realidade, e exp\u00f5e o que normalmente n\u00e3o \u00e9 documentado, como o trajeto pelo deserto at\u00e9 a fronteira, o encarceramento na espera do processo de imigra\u00e7\u00e3o, e o abuso de poder dos mecanismos governamentais Border Patrol e ICE. A c\u00e2mera, tanto a cinematogr\u00e1fica quanto a dos celulares e dos agentes sociais, se estabelece ainda como um mecanismo de luta e sobreviv\u00eancia frente a muitas opress\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A abordagem honesta e pessoal de Yates convida \u00e0 reflex\u00e3o, n\u00e3o apenas sobre os desafios enfrentados pelos imigrantes, mas tamb\u00e9m sobre a responsabilidade de a\u00e7\u00e3o coletiva rumo a sociedades mais inclusivas e humanizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Biografia:<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Luiza Margotto Weigt \u00e9 uma estudante de cinema no Centro Universit\u00e1rio Armando \u00c1lvares Penteado (FAAP). Atuou nas \u00e1reas de roteiro, dire\u00e7\u00e3o, dire\u00e7\u00e3o de arte e dire\u00e7\u00e3o de fotografia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>_<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cobertura do 29\u00ba Festival Internacional de Document\u00e1rio \u00c9 Tudo Verdade faz parte do programa Jovens Cr\u00edticos que busca desenvolver e dar espa\u00e7o para novos talentos do pensamento cinematogr\u00e1fico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Equipe Jovens Cr\u00edticos Mnemocine:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Coordena\u00e7\u00e3o e Idealiza\u00e7\u00e3o: Fl\u00e1vio Brito<\/p>\n\n\n\n<p>Produ\u00e7\u00e3o e Edi\u00e7\u00e3o: Bruno Dias<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Davi Krasilchik, Luca Scupino, Fernando Oikawa e Gabriela Saragosa<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o Adjunta e Assistente de Produ\u00e7\u00e3o: Davi Krasilchik e Rayane Lima<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Borderland &#8211; A Fronteira Interior, de Pamela Yates, teve a sua estreia em 2024, cinco anos ap\u00f3s o in\u00edcio das filmagens, ano simb\u00f3lico pelas elei\u00e7\u00f5es presidenciais dos Estados Unidos. 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