{"id":772,"date":"2025-02-16T12:52:29","date_gmt":"2025-02-16T15:52:29","guid":{"rendered":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=772"},"modified":"2025-02-16T12:52:30","modified_gmt":"2025-02-16T15:52:30","slug":"relampagos-de-criticas-murmurios-de-metafisicas-2024-julio-bressane-e-raphael-lima-28a-mostra-de-cinema-de-tiradentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=772","title":{"rendered":"Rel\u00e2mpagos de Cr\u00edticas, Murm\u00farios de Metaf\u00edsicas (2024, Julio Bressane e Raphael Lima) | 28\u00aa Mostra de Cinema de Tiradentes"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"353\" src=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/image-1024x353.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-773\" srcset=\"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/image-1024x353.png 1024w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/image-300x104.png 300w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/image-768x265.png 768w, https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/image.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por Caio Cavalcanti <\/p>\n\n\n\n<p>Chovia muito em Tiradentes durante a sess\u00e3o do novo filme da dupla Julio Bressane e Raphael Lima. A experi\u00eancia sensorial do filme foi incrementada pelas trovoadas que se ouviam dentro do Cine-Teatro. Inclusive, Neville D\u2019Almeida, presente na sess\u00e3o, comentava com Bressane, como velhos amigos, que aquela era \u201ca trilha-sonora da natureza\u201d, tendo em vista que o primeiro ter\u00e7o do filme consiste na montagem de trechos de obras do cinema brasileiro antes da implementa\u00e7\u00e3o do som.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O filme se inicia com uma recria\u00e7\u00e3o da filmagem lend\u00e1ria que Affonso Segretto teria feito da chegada \u00e0 Ba\u00eda de Guanabara a bordo do navio <em>Br\u00e9sil<\/em>, e continua ao passar pelo primeiro cinema brasileiro com filmes como <em>Os<\/em> <em>\u00d3culos do Vov\u00f4 <\/em>(1913) e <em>Exemplo Regenerador <\/em>(1919) at\u00e9 desembocarmos em um dos cinemas brasileiros contempor\u00e2neos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Com o plural, pretendo deixar claro que a no\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria \u201cdo\u201d cinema brasileiro, como algo uno, \u00e9 ultrapassada, resqu\u00edcio de uma \u00e9poca em que os modos de produ\u00e7\u00e3o eram completamente diferentes e a produ\u00e7\u00e3o se concentrava no eixo Rio-S\u00e3o Paulo, salvo ciclos regionais ef\u00eameros. Os diretores prop\u00f5em uma verdadeira alquimia com os planos escolhidos, mostrando e contrastando o poder de uma imagem entre forma pela qual foi filmada e a forma como a recebemos v\u00e1rios anos no futuro.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Chama a aten\u00e7\u00e3o, por exemplo, a dial\u00e9tica que percebemos ao contrastar a hist\u00f3ria do marido machista de <em>Exemplo Regenerador <\/em>com todo o conhecimento que temos tanto da hist\u00f3ria do cinema brasileiro, e como o filme se insere nela, e do contexto social no qual ele se encontra.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, o cinema brasileiro o qual Bressane e Raphael Lima prop\u00f5em reencontrar \u00e9, inevitavelmente, alvo de v\u00e1rios recortes, sejam eles involunt\u00e1rios \u2013 no primeiro cinema, n\u00e3o h\u00e1 muitas c\u00f3pias de qualidade sobreviventes \u2013 ou n\u00e3o \u2013 baseado no contexto hist\u00f3rico em que a obra de Bressane surgiu e na narrativa que ele e Lima desejam explorar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, notam-se aus\u00eancias significativas como as de filmes do cinema novo, mas compreens\u00edveis tendo em vista a rela\u00e7\u00e3o conturbada de Bressane com esse per\u00edodo da produ\u00e7\u00e3o brasileira. Por\u00e9m, a meu ver, a aus\u00eancia mais sentida \u00e9 a pobreza com que o cinema brasileiro p\u00f3s-1990 \u00e9 retratado, principalmente o do anos 2000. Tendo em vista o hist\u00f3rico de disrup\u00e7\u00e3o causado por Bressane e Sganzerla, primeiro em S\u00e3o Paulo na Boca do Lixo e depois no Rio de Janeiro com a Belair Filmes, o recorte se mostra desinteressado pelas quebras de paradigma que vieram depois do cinema alinhado com a produ\u00e7\u00e3o de Bressane e Sganzerla.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, o exposto perde a relev\u00e2ncia de uma quase genealogia do cinema brasileiro que o projeto visa propor desde sua concep\u00e7\u00e3o e deixa a desejar com a quebra de expectativa criada durante cada trecho de filme pelo pr\u00f3ximo grande (ou n\u00e3o) momento do nosso cinema que nos ser\u00e1 exposto, nos deixando a sensa\u00e7\u00e3o de que a d\u00e9cada de 2000 e 2010 s\u00e3o mist\u00e9rios, vazios cinematogr\u00e1ficos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, o filme apresenta uma tentativa de \u201chist\u00f3ria oficial\u201d que despreza a riqueza do cinema brasileiro advindo da democratiza\u00e7\u00e3o dos modos de produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica nos anos 2000 com o advento do digital.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante salientar que um filme nunca ser\u00e1 uma fonte historiogr\u00e1fica que reflita sobre a produ\u00e7\u00e3o inteira do cinema brasileiro. Al\u00e9m de imposs\u00edvel, seria uma abordagem err\u00f4nea no estudo da obra de arte e sua rela\u00e7\u00e3o com o contexto hist\u00f3rico ao qual est\u00e1 inserida.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>As aus\u00eancias as quais trouxe \u00e0 tona s\u00e3o apenas pontua\u00e7\u00f5es que iniciam um debate historiogr\u00e1fico muito maior. O que nos resta \u00e9 mais uma prova da desenvoltura de uma dos mais constantes cineastas do nosso cinema e de sua disrup\u00e7\u00e3o, mesmo dentro do <em>status quo<\/em> como um nome estabelecido. Assim, Bressane mant\u00e9m sua sina de realizar obras que suscitam o debate p\u00fablico, n\u00e3o importando o contexto hist\u00f3rico e de produ\u00e7\u00e3o ao qual est\u00e3o inseridas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Biografia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Caio Cavalcanti \u00e9 alagoano morando e estudando cinema em S\u00e3o Paulo. Apaixonado por m\u00fasica, escrita e cinema, especialmente pelas \u00e1reas de Hist\u00f3ria do Cinema e Cr\u00edtica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013<\/p>\n\n\n\n<p>Coordena\u00e7\u00e3o e Idealiza\u00e7\u00e3o: Fl\u00e1vio Brito<\/p>\n\n\n\n<p>Produ\u00e7\u00e3o e Edi\u00e7\u00e3o: Bruno Dias<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Davi Krasilchik, Luca Scupino e Gabriela Saragosa<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o Adjunta e Assistente de Produ\u00e7\u00e3o: Davi Krasilchik e Caio Cavalcanti<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Caio Cavalcanti Chovia muito em Tiradentes durante a sess\u00e3o do novo filme da dupla Julio Bressane e Raphael Lima. A experi\u00eancia sensorial do filme foi incrementada pelas trovoadas que se ouviam dentro do Cine-Teatro. 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