{"id":863,"date":"2025-06-12T20:52:14","date_gmt":"2025-06-12T23:52:14","guid":{"rendered":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=863"},"modified":"2025-06-12T20:52:15","modified_gmt":"2025-06-12T23:52:15","slug":"tres-possibilidades-de-um-final-feliz-no-filme-amores-possiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mnemocine.com.br\/?p=863","title":{"rendered":"Tr\u00eas possibilidades de um final feliz no filme &#8220;Amores Poss\u00edveis&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por <strong>Rosinha Spiewak Brener<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sandra Werneck, diretora do filme\u00a0<em>Amores Poss\u00edveis<\/em> (2001), vem de uma tradi\u00e7\u00e3o de curta-metragens (<em>Guerra dos Meninos, Comunh\u00e3o, Guerra de Canudos)<\/em>, com os quais ganhou alguns pr\u00eamios. Naquele per\u00edodo, seu objetivo era trabalhar com problemas sociais. Seu primeiro longa,\u00a0<em>Pequeno Dicion\u00e1rio Amoroso<\/em>, dedicou ao relacionamento de um casal que se encontra, se ama e se separa. O filme foi um sucesso de p\u00fablico, de cr\u00edtica e de bilheteria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o seu segundo longa,\u00a0<em>Amores Poss\u00edveis<\/em>\u00a0(premiado como melhor filme latino-americano no Sundance 2001, na Fl\u00f3rida), Sandra joga com tr\u00eas possibilidades de um final. Carlos (Murilo Ben\u00edcio) marca um encontro com J\u00falia (Carolina Ferraz), colega de faculdade, \u00e0 porta do cinema. Ela n\u00e3o vem. Como seria o reencontro do casal, quinze anos depois? Com esta pequena hist\u00f3ria, a diretora cria tr\u00eas possibilidades de um final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa entrevista a n\u00f3s concedida (junho de 1999), a diretora disse: &#8220;N\u00e3o nego que duas das tr\u00eas hist\u00f3rias de <em>Amores Poss\u00edveis<\/em> sejam retiradas de minha viv\u00eancia pessoal, assim como algumas situa\u00e7\u00f5es criadas em\u00a0<em>Pequeno Dicion\u00e1rio Amoroso<\/em>. Meu projeto \u00e9 autoral, embora a contribui\u00e7\u00e3o de Paulo Halm no roteiro e de Walter Carvalho na fotografia tenha sido de enorme valia&#8221;, diz Sandra. Para a diretora, o desafio desse filme &#8220;era encontrar uma nova maneira de armar\/narrar as hist\u00f3rias&#8221;, diz Luiz Carlos Merten. (1)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para coordenar a trilha musical de Amores poss\u00edveis, Sandra Werneck convidou Jo\u00e3o Nabuco. O m\u00fasico foi seu parceiro em\u00a0<em>Pequeno Dicion\u00e1rio Amoroso<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Narrativa e m\u00fasica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Carlos \u00e9 o centro da narrativa e as hist\u00f3rias se desenvolvem ap\u00f3s um sonho que ele teve.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os primeiros cr\u00e9ditos do filme n\u00e3o informam o que est\u00e1 acontecendo. Num dia de chuva torrencial, Carlos, ansioso, aguarda a chegada de J\u00falia, com quem marcou um encontro. A pr\u00f3xima tomada mostra planta-de-p\u00e9s. A c\u00e2mera caminha sobre as pernas focalizando a de uma mulher e de um homem, deitados na cama. Com o movimento ascendente da c\u00e2mera, o espectador tem contato com Carlos 1 (Murilo Ben\u00edcio), em close, acordado, pensativo. Maria (Beth Goulard), sua esposa, quer saber o que aconteceu. &#8220;Foi um sonho que tive&#8221;, diz Carlos. Num segundo momento, a cena que traz a planta-dos-p\u00e9s se repete, mas com um casal homossexual. Carlos 2 \u00e9 um dos parceiros e a frase dita por ele \u00e9 a mesma da primeira hist\u00f3ria: &#8220;Tive um sonho&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num terceiro momento, nova repeti\u00e7\u00e3o ocorre mas a c\u00e2mera n\u00e3o mostra a planta dos p\u00e9s; mostra somente as cobertas, estacionando, em close, em Carlos 3 dormindo. O espectador fica sabendo que o jovem n\u00e3o dormiu s\u00f3 quando sua m\u00e3e o desperta, encontrando uma jovem sob as cobertas. Nem Carlos sabe quem \u00e9 a &#8220;criatura&#8221;. O sonho do qual Carlos fala na primeira hist\u00f3ria tem continuidade ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o do personagem nas tr\u00eas hist\u00f3rias, em cena que se remete, novamente, \u00e0 porta do cinema, com o jovem, desolado, sentado no banco, certo de que J\u00falia n\u00e3o vir\u00e1. N\u00e3o fica claro se a continuidade do sonho se d\u00e1 com Carlos acordado, isto \u00e9, relembrando, ou se essa continuidade pertence ao sonho verdadeiro de Carlos. Voltando \u00e0 primeira hist\u00f3ria, em c\u00e2mera alta, duas fatias de p\u00e3o pulam da tostadeira. Um travelling mostra a mesa do caf\u00e9 posta e o casal, Carlos e Maria, sentados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na segunda hist\u00f3ria, a cena da tostadeira se repete com o travelling estacionando no casal Carlos e Pedro. Carlos quer a todo custo que Pedro desperte para apanhar Lucas, seu filho, e lev\u00e1-lo para passear.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na terceira hist\u00f3ria nova repeti\u00e7\u00e3o da cena da tostadeira, s\u00f3 que o aparelho n\u00e3o \u00e9 o mesmo. As torradas saem de lado, diferentemente do que acontece nas duas primeiras hist\u00f3rias; pulam para cima, o que pode ser uma indica\u00e7\u00e3o de que essa hist\u00f3ria n\u00e3o se desenrolar\u00e1, exatamente, como as duas primeiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos poucos momentos de proje\u00e7\u00e3o, percebe-se que h\u00e1 um descontinuidade narrativa e que at\u00e9 esse momento, pouca coisa \u00e9 explicada. H\u00e1 um presente (com Carlos falando do sonho), em flashback, um passado (com o sonho de Carlos esperando por J\u00falia) e um futuro, com as tr\u00eas possibilidades de final, se Carlos reencontrar J\u00falia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Michel Chion (1989: 165) fala de tr\u00eas tipos de obst\u00e1culos que podem ocorrer durante uma narrativa. Em uma delas menciona: &#8220;A complica\u00e7\u00e3o de natureza acidental e tempor\u00e1ria&#8221;. \u00c9 precisamente o que ocorre em\u00a0<em>Amores Poss\u00edveis<\/em>: a chuva atrapalhou o encontro entre Carlos e J\u00falia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante o transcorrer de\u00a0<em>Amores Poss\u00edveis<\/em>, as cenas se processam com os acontecimentos se desenrolando, repetidamente, em cada uma das hist\u00f3rias, na mesma sequ\u00eancia, mas alternadas com a cena do sonho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O filme\u00a0<em>Corra, Lola, Corra<\/em> (1998), do diretor alem\u00e3o Tom Tyckwer, conta uma mesma hist\u00f3ria, com tr\u00eas possibilidades de final. A diferen\u00e7a entre a narrativa do diretor alem\u00e3o e a de Sandra Werneck ocorre na descontinuidade da narrativa da diretora brasileira, enquanto na obra de Tyckwer cada hist\u00f3ria \u00e9 contada com um come\u00e7o, um meio e um fim. Ela come\u00e7a, se desenvolve e termina, sequencialmente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os homens<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os personagens masculinos s\u00e3o tr\u00eas: Carlos, em tr\u00eas tempos; Pedro, em tr\u00eas tempos e Lucas, o garotinho, filho de Carlos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro Carlos \u00e9 um homem introspectivo, fala pouco, usa \u00f3culos, bigode e tem a barba por fazer. \u00c9 casado com Maria e se prepara para trabalhar. Sua roupa demonstra que seja um executivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo Carlos vive uma vida sexual dupla: j\u00e1 foi casado com J\u00falia e tem um filho; agora, mora com Pedro, seu parceiro. Ele usa roupa esportiva e a narrativa n\u00e3o deixa claro o que faz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O terceiro Carlos usa roupa informal e \u00e9 protegido pela m\u00e3e, como ele mesmo diz: &#8220;Ela me protege do ass\u00e9dio das mulheres e eu lhe fa\u00e7o companhia&#8221;. Ele encontra defeitos em todas namoradas, est\u00e1 \u00e0 procura da mulher ideal e assim &#8220;estar\u00e1 livre das noites ensandecidas&#8221;. Na realidade, a mulher ideal est\u00e1 ao seu lado: \u00e9 sua m\u00e3e. Mas, como ela diz: &#8220;Comigo n\u00e3o poder\u00e1 dormir&#8221;. Carlos tem um compromisso de trabalho marcado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na primeira hist\u00f3ria, Pedro trabalha com Carlos. \u00c9 homossexual, mas discreto, e est\u00e1 animado com o novo contrato de trabalho assinado. O espectador fica sabendo que ambos s\u00e3o advogados. Pedro n\u00e3o acredita em sonhos, est\u00e1 \u00e0 espera do grande amor de sua vida (e deixa claro ser Carlos).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na segunda hist\u00f3ria, Pedro \u00e9 a mulher de Carlos. Assume as tarefas da casa, sendo um companheiro fiel ao parceiro, e gosta de elogios. Ele diz: &#8220;Talvez eu queira ouvir um elogio. Que tal o espaguete?&#8221; Pedro sente ci\u00fames de J\u00falia, ex-esposa de Carlos, porque acredita que o companheiro ainda ame a mulher.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na terceira hist\u00f3ria, Pedro trabalha com Carlos, \u00e9 homossexual assumido, tem os cabelos tingidos e quer, a todo custo, mostrar a Carlos que h\u00e1 nele uma tend\u00eancia homossexual. Pedro ama Carlos e est\u00e1 se &#8220;oferecendo&#8221; ao colega. Ele acha que Carlos n\u00e3o est\u00e1 preparado para encontrar a mulher ideal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os tr\u00eas Carlos e os tr\u00eas Pedros s\u00e3o homens inseguros, mas com diferentes graus de inseguran\u00e7a. O primeiro n\u00e3o est\u00e1 feliz com a esposa, mas ela representa a seguran\u00e7a que a ele falta. O segundo \u00e9 o menos inseguro dos tr\u00eas. Sente-se seguro com Pedro, mas n\u00e3o descarta a possibilidade de reatar com a ex-esposa. O terceiro Carlos tem a m\u00e3e como porto seguro. Precisa dela para livr\u00e1-lo das namoradas inc\u00f4modas. Nas tr\u00eas hist\u00f3rias, Pedro \u00e9 solit\u00e1rio. Na primeira, espera por Carlos. Na segunda, se sente s\u00f3, quando tem d\u00favidas sobre os verdadeiros sentimentos de Carlos. Na terceira hist\u00f3ria, Pedro espera por um futuro melhor. Lucas, filho de Carlos e J\u00falia, na segunda hist\u00f3ria, n\u00e3o entende o que acontece com o relacionamento de seus pais e nem qual \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o de Pedro no contexto. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o papel dos personagens masculinos, Marvey diz: &#8220;Os her\u00f3is masculinos idealizados da tela devolvem ao espectador masculino seu ego mais perfeito espelhado, junto com uma sensa\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio e controle&#8221; (Kaplan. Apud. 1995:50). Em\u00a0<em>Amores Poss\u00edveis<\/em>, Carlos \u00e9 o her\u00f3i que todo espectador masculino gostaria de ser. Sofrer como ele, suas vit\u00f3rias e suas frustra\u00e7\u00f5es, \u00e9 o seu desejo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As mulheres<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As personagens femininas s\u00e3o: J\u00falia, em tr\u00eas tempos; Maria, esposa de Carlos na primeira hist\u00f3ria e S\u00f4nia, a m\u00e3e de Carlos, na terceira hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na primeira hist\u00f3ria, J\u00falia \u00e9 uma mulher exuberante, aparentemente segura e forte. O reencontro entre Carlos e J\u00falia ocorre numa exposi\u00e7\u00e3o de artes pl\u00e1sticas. Ela se aproxima de Carlos, perguntando se ele gostou do filme. Atrav\u00e9s do di\u00e1logo, o espectador percebe que J\u00falia est\u00e1 arrependida de n\u00e3o ter encontrado Carlos quinze anos atr\u00e1s. Olha para a m\u00e3o dele e percebe a alian\u00e7a no dedo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00falia \u00e9 uma mulher insegura. Ela tenta contar a Maria sobre seu relacionamento com Carlos, mas se acovarda e nada diz. Seus cabelos encostam nos ombros. Laura Marvey, em interessante ensaio, fala sobre o papel de personagens femininas em filmes: &#8220;Para a mulher s\u00e3o dadas apenas figuras vitimizadas e impotentes que, longe de serem perfeitas, ainda refor\u00e7am um sentimento b\u00e1sico preexistente de inutilidade&#8221; (Kaplan. Apud, 1995:50).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na segunda hist\u00f3ria, J\u00falia est\u00e1 &#8220;machucada&#8221;. Carlos deixou-a para viver com um colega com quem jogava futebol. Ela \u00e9 uma mulher fraca, ainda apaixonada pelo ex-marido. Seus temores s\u00e3o voltar a viver com Carlos (embora, no \u00edntimo, seja o que deseja) e deixar Lucas com o pai. Teme um ass\u00e9dio sexual, por parte de Pedro, sobre o filho. Seu cabelo \u00e9 curto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na terceira hist\u00f3ria, J\u00falia busca encontrar o homem ideal atrav\u00e9s de um pequeno aparelho, um localizador de alma g\u00eamea. Reencontra Carlos, que tamb\u00e9m procura a mulher ideal, tendo nas m\u00e3os o mesmo aparelho. J\u00falia \u00e9 uma mulher arrojada, jovem de esp\u00edrito e pronta a reatar o que deixou h\u00e1 quinze anos: namorar Carlos. Seu cabelo \u00e9 encaracolado e de corte reto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria, esposa de Carlos, s\u00f3 aparece na primeira hist\u00f3ria. Ela \u00e9 uma mulher forte, embora sua maneira de falar seja delicada. Consegue ultrapassar, com galhardia, situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis: a primeira, o encontro com J\u00falia na exposi\u00e7\u00e3o, onde fica claro que a antiga namorada de Carlos ainda est\u00e1 dispon\u00edvel para reatar algo que ficou incompleto; e mais tarde quando J\u00falia tenta contar seu relacionamento com Carlos. Maria pressente que algo aconteceu entre eles, mas est\u00e1 segura de que o marido voltar\u00e1 aos seus bra\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00f4nia, m\u00e3e de Carlos, s\u00f3 aparece na terceira hist\u00f3ria. Ela \u00e9 uma m\u00e3e controladora protegendo e preservando o filho. Cuida da pontualidade dos encontros de trabalho de Carlos, de sua vida sexual e de sua apar\u00eancia. Irene Ravache explica: &#8220;Como m\u00e3e, n\u00e3o d\u00e1 para ficar de bra\u00e7os cruzados diante de algumas coisas e tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 para ficar controlando o tempo todo&#8221; (Sardi. 2001:149).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No final, S\u00f4nia d\u00e1 uma virada ao encontrar um companheiro, demonstrando que n\u00e3o tinha olhos s\u00f3 para o filho. Estava tamb\u00e9m \u00e0 procura do homem ideal, assim como o filho buscava uma mulher ideal. S\u00f4nia d\u00e1 a indica\u00e7\u00e3o de que &#8220;a diferen\u00e7a pode ser coisa bem bacana&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Navios<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No filme, o navio tem um significado especial. Ele prefixa a vontade que os personagens t\u00eam de mudar: mudar o modo de vida, mudar de parceiro, mudar de cidade. O navio \u00e9 visto, pela primeira vez, com Carlos 1 e Pedro no cais do porto, numa indica\u00e7\u00e3o de que ambos gostariam de estar em outra situa\u00e7\u00e3o. Carlos, possivelmente, encontrando a mulher que espera h\u00e1 quinze anos, e Pedro, manter rela\u00e7\u00e3o o amor de sua vida: Carlos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na segunda hist\u00f3ria, o navio n\u00e3o aparece, mas h\u00e1 um momento em que Carlos 2 e Pedro nadam. Possivelmente a \u00e1gua, neste caso, tenha o significado de limpeza, no sentido de &#8220;mudan\u00e7a&#8221;: Carlos 2, indeciso, n\u00e3o sabe se volta para a ex-esposa ou fica com Pedro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na terceira hist\u00f3ria, o espectador v\u00ea o cais e o navio ancorado, pronto para zarpar, assim como Carlos 3 ir\u00e1 zarpar numa aventura, que possivelmente ser\u00e1 definitiva: encontrar\u00e1 a mulher ideal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O final das hist\u00f3rias traz surpresas. Carlos 1 volta para o porto seguro, para Maria, sua esposa. Carlos 2 consolida sua rela\u00e7\u00e3o com Pedro e Carlos 3 envia para J\u00falia um bilhete de cinema, para assistirem ao mesmo filme que deixaram de ver h\u00e1 quinze anos:\u00a0<em>Amores Poss\u00edveis<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Amores poss\u00edveis<\/em>\u00a0traz para o cinema brasileiro uma nova forma de narrar. Isto se deve ao trabalho de Sandra Werneck, que j\u00e1 em seu primeiro longa,\u00a0<em>Pequeno Dicion\u00e1rio Amoroso<\/em>, demonstrou possuir caracter\u00edstica autoral para narrar hist\u00f3rias. <em>Amores Poss\u00edveis<\/em>, com suas tr\u00eas possibilidades de final feliz tem, em cada uma, personagens com caracter\u00edsticas diferentes, embora sejam os mesmos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na realidade, o primeira longa da diretora \u00e9 um filme comercial, haja visto o n\u00famero de pessoas que o assistiram.\u00a0<em>Amores Poss\u00edveis<\/em>\u00a0tem outra caracter\u00edstica: trata-se de um filme mais complexo, produzido para um p\u00fablico seleto. Possivelmente, n\u00e3o ter\u00e1 o mesmo n\u00famero de espectadores que o filme anterior.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>CHION, Michel. <em>O Roteiro de Cinema<\/em>. S\u00e3o Paulo, Martins Fontes, 1989.<\/li>\n\n\n\n<li>HALM, Paulo. <em>Amores Poss\u00edveis<\/em>. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001.<\/li>\n\n\n\n<li>KAPLAN, E. Ann. <em>A mulher e o cinema<\/em>. Rio de Janeiro, Rocco, 1995.<br><br><strong>Peri\u00f3dicos:<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li>Merten, L. C. O Estado de S\u00e3o Paulo, 30\/03\/01, Caderno 2, pg D3.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Biografia<\/strong><br>Rosinha Spiewak Brener \u00e9 Doutora em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica pela PUC\/SP.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Rosinha Spiewak Brener Sandra Werneck, diretora do filme\u00a0Amores Poss\u00edveis (2001), vem de uma tradi\u00e7\u00e3o de curta-metragens (Guerra dos Meninos, Comunh\u00e3o, Guerra de Canudos), com os quais ganhou alguns pr\u00eamios. Naquele per\u00edodo, seu objetivo era trabalhar com problemas sociais. Seu primeiro longa,\u00a0Pequeno Dicion\u00e1rio Amoroso, dedicou ao relacionamento de um casal que se encontra, se ama [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":866,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-863","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ensaios"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/mnemocine.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/amores-possiveis.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/863","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=863"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/863\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":868,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/863\/revisions\/868"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/866"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=863"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=863"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mnemocine.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=863"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}