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Pola Negri e a recepção cinematográfica

Mesmo com a reprovação de muitos pais de família, o perfil feminino da Vamp, fazia muito sucesso nos anos de 1920, especialmente entre as "cine-girls". Era nas imagens do cinema que algumas delas encontravam formas para os seus anseios interiores. As personagens femininas atuavam como suportes e afrodisíacos para as motivações individuais dessa plateia.

 Daí o fato de diversos mimetismos se fixarem no vestuário e nos modos dessas espectadoras. Em Belém, naqueles anos de 1920, nenhum outro nome feminino da “arte do silêncio”, fora tão citado quanto o da atriz polonesa Pola Negri. Ela conquistou a admiração de muitos espectadores, homens e mulheres, chegando a inspirar mimetismos.

Alguns não iam ao cinema para assistir ao filme “Vendetta”, mas “de novo, ver Pola Negri” (A Semana. Trepações., 08.10.1921, n.183, sem paginação). Ela se punha em alguns casos como um ideal a ser seguido, “Pola Negri, só Pola Negri, eis, em suma, o seu venturoso ideal. E se ele se fantasiasse de Pola Negri? Mll. na certa, desistiria de ir ver ‘Crucificae’” (A Semana . Vida fútil. 17.09.1921, nº. 180, sem paginação).  Assim, para determinadas espectadoras, mais importante que a própria história que estava sendo contada, era à presença da “vampira” no écran.

O cinema e os tipos femininos reproduzidos no star-system estavam em espaços que não se limitavam apenas as salas de exibição. Mas estes símbolos estavam presentes também nos espaços públicos, nas conversas de bar. O nome daquela estrela da cena muda estava não apenas nas certidões de algumas crianças, como denunciava Bruno de Menezes, mas também em vários objetos de uso cotidiano, em sapatos, em maquiagens, através do “pó de arroz Pola Negri”, nas capas das revistas de maior circulação local, esteve ela duas vezes na capa de Belém Nova (1924 e 1928) e uma em A Semana (1921).

As pessoas que viviam na cidade eram cotidianamente cercadas pelos modelos femininos cinematográficos que se opunham de forma marcante aos padrões tradicionalmente aceitos. A imagem de Pola Negri, com roupas não convencionais ao “sexo frágil”, adotando um vestuário tido como tradicionalmente masculino, fumando, com sorriso maroto e sedutor atuava como um espelho para muitas das espectadoras que se identificavam com o questionamento das normas impostas para seu comportamento.

Todas as referências à atriz polonesa no colunismo social local nos permite afirmar que havia em Belém, por parte de alguns grupos, uma grande aceitação do modelo Vamp de mulher, apesar deste subverter o tripé mãe-esposa-dona de casa, posto que, representava, através da figura de Negri, uma mulher moderna e decidida. Pola Negri aparece aqui como modelo de inspiração para o comportamento das moças.